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setembro 30, 2026
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Com eleição apertada, Flávio concentra reta final em homens, Sudeste e eleitores de 2 a 5 salários

Por · setembro 30, 2026
Flávio evita dizer o que fará com bets caso eleito e acusa PT de compartilhar notícias falsas sobre Nossa Senhora para desgastá-lo


A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) definiu os grupos de eleitores que serão tratados como prioridade nos últimos dias antes do primeiro turno. Com a disputa apertada, o senador deverá concentrar agendas e esforços de comunicação principalmente entre homens, no Sudeste e na faixa de renda familiar de 2 a 5 salários mínimos. Eleitores de 25 a 34 anos também aparecem entre os segmentos considerados estratégicos por monitoramento da campanha, segundo documentos que circulam entre integrantes da equipe.
O movimento ocorre em um momento de empate numérico entre Flávio e o presidente Lula Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra os dois com 42%. Lula oscilou um ponto para cima em relação à semana anterior, enquanto Flávio manteve o mesmo percentual, mas a diferença permanece dentro da margem de erro, de dois pontos. No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio com 34%.
É a partir desse cenário que a campanha passou a organizar os últimos dias de agenda com base em um mapa de potenciais eleitores. A avaliação da equipe é que parte do eleitorado que hoje não escolheu Flávio não necessariamente rejeita seu nome e pode ser convertida antes da votação. A orientação é concentrar o esforço onde esse contingente é considerado mais relevante.
Entre os homens, a campanha vê uma combinação de duas características que interessa à estratégia. Flávio já tem uma intenção de voto acima da média nesse grupo e, ao mesmo tempo, existe uma parcela de eleitores que ainda não está fechada com nenhum candidato ou optou por outro nome sem rejeitar o senador. O cruzamento por idade coloca os homens de 25 a 34 anos em uma posição especialmente relevante para a reta final.
O Sudeste também entrou no centro do mapa. A região é considerada prioritária porque reúne um grande contingente de eleitores ainda potencialmente convertíveis e, ao mesmo tempo, apresenta uma votação de Flávio acima da média nacional no levantamento interno. A faixa de 2 a 5 salários mínimos aparece pelo mesmo motivo. É um segmento numeroso, no qual o senador já apresenta uma intenção de voto superior à média e ainda existe espaço para avançar.
A estratégia não significa abandonar os demais grupos. O planejamento prevê quatro movimentos simultâneos. O primeiro é conquistar eleitores que desaprovam o governo Lula, mas ainda não escolheram Flávio. O segundo é concentrar agenda e mídia nos segmentos considerados de maior potencial de conversão. O terceiro é segurar os votos já conquistados. E o quarto é tentar reduzir a rejeição nos grupos em que Lula aparece à frente, principalmente mulheres, Nordeste e famílias de menor renda.
A lógica que prevalece ainda é de antecipar para o primeiro turno votos que, na avaliação da campanha, poderiam chegar apenas em um eventual segundo turno sem os demais candidatos de direita na disputa, o chamado “voto útil”.
O mapa também mostra que a campanha não pretende apenas buscar novos votos. Há uma frente dedicada a preservar o que já foi conquistado. O levantamento interno aponta que a maioria dos eleitores de Flávio considera seu voto definido, mas uma parcela ainda admite mudança. A estratégia, portanto, combina a tentativa de ampliar a votação com o esforço para impedir que parte da base migre para outros candidatos na reta final, em um movimento contrário ao do “voto útil” em Flávio.
Esse cuidado aparece sobretudo nos grupos em que o voto no senador é menos firme. Mulheres, eleitores de 35 a 44 anos, pessoas sem religião e famílias com renda de 1 a 2 salários mínimos estão entre os segmentos nos quais a campanha identifica maior possibilidade de mudança entre aqueles que já declaram voto em Flávio.
Há ainda um movimento defensivo, com o mapa apontando mulheres, Nordeste e eleitores com renda familiar de até um salário mínimo como segmentos em que Lula leva vantagem no segundo turno.
A estratégia também dialoga com o comportamento de Flávio nas redes sociais nesta reta final. A campanha passou a acompanhar de perto falas e episódios protagonizados por Lula para identificar trechos capazes de gerar repercussão e alimentar uma nova frente de desgaste contra o petista. Foi assim com a ligação de Lula para Flávio Dino e com a declaração sobre exames de próstata, episódios que rapidamente foram incorporados ao discurso do senador e de seus aliados.

Com eleição apertada, Flávio concentra reta final em homens, Sudeste e eleitores de 2 a 5 salários