A goleada de 6 a 1 sofrida diante do Cienciano deixa o Botafogo muito próximo da eliminação na Copa Sul-Americana e aumenta a pressão sobre o treinador Franclim Carvalho, que já vinha sendo cobrado desde a volta após a Copa do Mundo. O trabalho do português está mantido, mas a equipe precisará dar uma resposta imediata diante do Vitória, às 18h30 de amanhã, em partida pelo Brasileirão.
Nos quatro primeiros jogos depois do Mundial, o alvinegro não havia perdido, é verdade. Mas seu desempenho não convencia. Anunciado no início de abril, Franclim ainda não tem uma equipe inicial definida e amarga resultados medianos: ao nono lugar no Brasileirão, soma-se a eliminação precoce na Copa do Brasil.
A Sul-Americana era tratada como a principal chance de título, até pelo primeiro lugar geral alcançado na fase de grupos. Mas agora é necessário um milagre para rumar às quartas de final: vencer os peruanos por seis gols de diferença no Nilton Santos — ou abrir cinco e avançar nos pênaltis.
A possibilidade de terminar a temporada de mãos vazias ampliou a repercussão da goleada sofrida em Cusco, tratada no clube como uma “vergonha”, inclusive por Franclim, que já se desculpou mais de uma vez.
Botafogo sofreu goleada histórica do Cienciano
Jose Angulo / AFP
Algumas circunstâncias adversas serviram para atenuar o risco de demissão do treinador, como a altitude de 3.400 metros ou o segundo gol do Cienciano, questionado por ter envolvido um toque de mão do adversário, desconsiderado pela arbitragem. A viagem direta do Peru para Salvador, local do jogo com o Vitória, também impediu decisões mais duras no comando do futebol.
No entanto, haverá cobrança por reação e resultados positivos já diante dos baianos, assim como no restante de uma dura sequência de jogos: após o duelo de volta contra o Cienciano, na quinta-feira, o Botafogo encara Athletico (casa), Flamengo (fora) e Palmeiras (casa) — os três primeiros colocados do Brasileiro. Esses cinco jogos em 22 dias têm potencial para reoxigenar o trabalho ou enterrá-lo.
A próxima semana deverá ser marcada ainda pela primeira visita do mexicano Gabriel de Alba, que chega ao Rio na segunda-feira, ao clube. Ele é fundador e sócio-gerente da GDA Luma Capital Management e está próximo de assumir oficialmente o controle da SAF.
Porém, uma visita de boas-vindas, na qual De Alba conhecerá presencialmente as estruturas do clube, pode ganhar caráter de apreensão, a depender dos próximos resultados. Até porque o empresários já vem participando das decisões no departamento de futebol. Até agora, a programação não sofreu alteração, e ele deve acompanhar no Nilton Santos o jogo de volta contra o Cienciano.

