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Com hantavírus, buscas por pandemia no Google disparam 110%; veja as 11 principais dúvidas sobre a doença

BRCOM by BRCOM
maio 8, 2026
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Com hantavírus, buscas por pandemia no Google disparam 110%; veja as 11 principais dúvidas sobre a doença


As buscas pelo termo “pandemia” no Google aumentaram 110% no mundo nos últimos dois dias em meio ao surto de hantavírus em um navio que saiu do Ushuaia, na Argentina, no dia 1º de abril. De oito casos suspeitos, cinco foram confirmados para o patógeno, e três morreram.
Segundo um levantamento, realizado pelo Google Trends, o hantavírus foi a categoria de saúde com maior alta no site no Brasil. O interesse pelo vírus superou o de outras doenças, como dengue, e alcançou o de temas populares da semana, como a realização do Met Gala, nos Estados Unidos.
Além disso, com o hantavírus, as buscas no Google sobre pandemia voltaram a subir, levando ao dia com mais consultas sobre o termo desde 14 de janeiro de 2024, ou seja, em mais de dois anos. Em 48 horas, as pesquisas mais que dobraram no mundo (+110%) e cresceram 30% no Brasil.
Quem fez perguntas no Google sobre o hantavírus queria saber principalmente o que é, se tem cura, como se contamina, o que causa e se é transmissível entre pessoas. As pessoas também queriam saber se o vírus pode matar e se existe vacina.
Abaixo, veja as respostas para as 11 principais dúvidas sobre o vírus:
1. O que é hantavirus?
Os hantavírus são uma família de vírus que circula entre roedores e, em casos raros, infecta humanos e causa doença grave. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ocorram de 10 mil a 100 mil infecções a cada ano. Quando isso acontece, a taxa de letalidade geralmente é de 1% a 15% na Ásia e na Europa, mas chega a 50% nas Américas.
2. Hantavírus tem cura?
Hoje não existe tratamento específico para o hantavírus. O cuidado ao paciente infectado envolve monitoramento clínico e manejo das complicações respiratórias, cardíacas e renais, enquanto o sistema imunológico do indivíduo combate o patógeno.
3. Hantavírus, como pega?
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que o hantavírus é transmitido geralmente por meio do contato com roedores infectados ou com sua urina, fezes ou saliva. A contaminação entre pessoas pode ocorrer, mas é rara.
4. Hantavírus passa de pessoa para pessoa?
A espécie de hantavírus envolvida no surto do navio, chamada de vírus Andes e encontrada na América Latina, é a única conhecida capaz de realizar transmissão entre humanos, mas de forma limitada.
— Em surtos anteriores do vírus Andes, a transmissão entre pessoas esteve associada ao contato próximo e prolongado, especialmente entre membros da mesma família, parceiros íntimos e pessoas que prestavam cuidados médicos. Isso parece ser o caso na situação atual — disse Tedros.
5. Hantavírus mata?
Sim, o hantavírus pode matar. Nas Américas, a taxa de letalidade do patógeno chega a 50% dos casos, segundo a OMS.
6. Hantavírus tem vacina?
Não existe vacina para prevenir o hantavírus, embora algumas doses estejam em estudos.
7. Hantavírus pode virar pandemia?
Na coletiva da OMS, a diretora do departamento para Prevenção e a Preparação frente a Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, ressaltou que o surto atual de hantavírus não representa nem “o começo de uma epidemia” nem o de “uma pandemia”:
— Não é o começo de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para lembrar que os investimentos em pesquisa de agentes patogênicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de detecção e as vacinas salvam vidas.
8. Hantavírus vem de onde? O que causam?
Os hantavírus estão presentes principalmente na Ásia e na Europa, onde causam a síndrome hemorrágica com insuficiência renal (SHIR), mas também circulam na região das Américas, onde provocam a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH)
Na Ásia Oriental, particularmente na China e na República da Coreia, a SHIR continua a ser responsável por milhares de casos anualmente, embora a incidência tenha diminuído nas últimas décadas.
Na Europa, vários milhares de casos são relatados a cada ano, principalmente nas regiões norte e central. Nas Américas, a SCPH é registrada de forma muito mais rara, com centenas de casos relatados anualmente em todo o continente.
Porém, apesar da menor incidência, a forma SCPH da infecção apresenta uma alta taxa de letalidade, geralmente entre 20% e 40%.
9. Quais os sintomas do hantavírus?
Segundo a OMS, os sintomas geralmente começam entre uma e oito semanas após a exposição, dependendo do tipo de hantavírus, e tipicamente incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vômitos.
No caso da SCPH, a doença pode progredir rapidamente para tosse, falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões e choque. Na SHIR, os estágios mais avançados podem incluir hipotensão, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal.
10. Hantavírus é novo?
Não, o vírus foi reconhecido pela primeira vez em roedores em 1978 por pesquisadores coreanos. Décadas antes, a forma SHIR havia causado um grande surto durante a Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, atingindo mais de três mil soldados das Nações Unidas. Um segundo grande surto do vírus ocorreu com a forma SCPH nos Estados Unidos, em 1993.
Atualmente, mais de 21 hantavírus que causam doenças em humanos são conhecidos pelo mundo, entre eles o Andes, do surto atual.
11. O que aconteceu com o hantavírus agora?
Oito casos foram relatados em um navio de cruzeiro de bandeira holandesa, o MV Hondius, que saiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Cinco foram confirmados, incluindo três óbitos, e outros três seguem em análise.
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e morreu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, não se suspeitou de hantavírus.
A esposa do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentava sintomas. Seu quadro piorou durante um voo para Joanesburgo, na África do Sul, em 25 de abril, e ela morreu no dia seguinte. Foram coletadas amostras, testadas pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul, que confirmaram o hantavírus.
Já a terceira morte foi de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e morreu em 2 de maio. Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril e foi evacuado em 27 de abril da ilha de Ascensão para a África do Sul, onde permanece em terapia intensiva.
Outros três passageiros com sintomas foram evacuados para a Holanda para receber tratamento. Dois estão em condição estável no hospital. O terceiro, já sem sintomas, foi para a Alemanha.
O oitavo caso foi de um homem que desembarcou em Santa Helena. Seguindo orientação da operadora do navio, ele relatou seus sintomas em Zurique, na Suíça, e foi confirmado na quarta-feira como infectado por hantavírus.
Nenhum dos demais passageiros ou tripulantes do navio apresenta sintomas. A OMS disse estar ciente de relatos de outras pessoas com sintomas que podem ter tido contato com um dos passageiros durante o percurso.
— Dado o período de incubação do vírus Andes, que pode chegar a seis semanas, é possível que mais casos sejam relatados. Embora este seja um incidente sério, a OMS avalia o risco à saúde pública como baixo — afirmou o diretor-geral da organização.
Um especialista da OMS embarcou no navio em Cabo Verde e juntou-se a dois médicos dos Países Baixos e a um especialista do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, que permanecerão no navio até sua chegada às Ilhas Canárias.
A OMS também alertou 12 países cujos cidadãos desembarcaram em Santa Helena. São eles: Canadá, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Nova Zelândia, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos da América.
Além disso, a organização apoia as autoridades de saúde da África do Sul no acompanhamento das pessoas que estavam no voo de Santa Helena para Joanesburgo com a mulher que posteriormente morreu. Enquanto isso, as investigações sobre a causa do surto continuam.
— Antes de embarcar no navio, os dois primeiros casos haviam viajado pela Argentina, Chile e Uruguai em uma excursão de observação de aves, que incluiu visitas a locais onde estava presente a espécie de rato conhecida por transmitir o vírus Andes. A OMS está trabalhando com as autoridades de saúde da Argentina para compreender os deslocamentos do casal, e agradeço ao governo argentino por sua cooperação, dada sua experiência e expertise com o vírus Andes — disse Tedros.

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