A Igreja Lake Street, em Evanston, na região de Chicago, provocou intenso debate nas redes sociais e entre quem passa pela rua ao montar um presépio que funciona como protesto direto contra as operações do ICE, a agência de imigração dos EUA. A instalação, divulgada na terça-feira (25), reacendeu discussões sobre a política migratória do país e o tratamento dado a famílias detidas na fronteira.
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No presépio, Maria aparece usando máscara de proteção contra gás lacrimogêneo, enquanto o menino Jesus é retratado com as mãos amarradas por abraçadeiras plásticas e deitado sobre um cobertor metálico utilizado em centros de detenção. Ao redor, figuras de centuriões vestem coletes verdes com a sigla ICE, reforçando o paralelo entre a narrativa bíblica da fuga da Sagrada Família e o cenário enfrentado por migrantes atualmente.
Segundo a própria igreja, a proposta é “reinventar o presépio como uma cena de separação familiar forçada”, estabelecendo paralelos diretos entre a fuga da Sagrada Família e a experiência contemporânea de migrantes submetidos à detenção. Em publicação no Facebook, líderes da congregação afirmaram que a instalação não busca sutilezas, porque “a crise que aborda não é abstrata”.
A ministra associada Jillian Westerfield, responsável pela curadoria da peça, disse ao Pioneer Press que o trabalho foi inspirado no impacto da Operação Midway Blitz, conduzida durante o governo Donald Trump, em Chicago. Ela relatou ter encontrado “a face de Cristo nas pessoas que estão sofrendo” e descreveu como natural o uso de elementos contemporâneos para recontar o episódio bíblico. “Vemos um paralelo entre as forças do ICE e os centuriões”, afirmou.
O reverendo Michael Woolf, que participou de protestos contra ações do ICE na cidade, explicou à NBC Chicago que a escolha das abraçadeiras nas mãos do menino Jesus remete a “um incidente real” registrado na região. Para ele, o presépio questiona como seria a cena do nascimento de Cristo se ocorresse nos Estados Unidos de hoje.
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Nem todos na comunidade, porém, reagiram bem à proposta. Parte da instalação foi depredada, incluindo a remoção da máscara de Maria e o corte das abraçadeiras de Jesus. Ainda assim, a igreja afirmou que não recuará e convidou fiéis e moradores a ajudarem a restaurar o presépio.
Jillian Westerfield disse entender que a exibição poderia gerar incômodo, mas sugeriu que críticos “examinem o motivo de sua insatisfação”. Para ela, a narrativa bíblica — em que José foge com Maria e o recém-nascido após Herodes ordenar a execução de bebês — reforça o caráter de refugiados da Sagrada Família, ponto central da mensagem que a igreja tenta recuperar.
Woolf ressaltou que a congregação “não fala por todos os cristãos”, mas por uma vertente que busca atualizar a mensagem do Evangelho diante das políticas migratórias atuais. Ele afirmou que a intenção é provocar reflexão e mobilizar ações, independentemente da fé ou posição política dos visitantes.
Apesar das divergências, a igreja mantém o presépio como gesto público de posicionamento. “Respondemos a Deus, e não a mais ninguém”, disse Jillian Westerfield, ao reafirmar que a comunidade continuará a defender a causa dos migrantes.

