Mais de 2 milhões de moradores de São Paulo têm hoje 60 anos ou mais. Em apenas 12 anos, essa população cresceu cerca de 50%, segundo levantamento da prefeitura com base nos dados do Censo 2022.
Segundo projeções da Fundação Seade, os idosos deverão representar quase um terço dos paulistanos em 2050. A tendência pressiona a demanda por serviços públicos e exige adaptações em áreas que vão da saúde à mobilidade urbana.
Diante dessa mudança demográfica, a cidade vem ampliando políticas voltadas ao envelhecimento ativo. Uma das principais iniciativas é o Programa Vitalidade + São Paulo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que articula mais de 80 ações desenvolvidas por 21 secretarias municipais.
Com investimento previsto de R$ 16,29 bilhões até 2029, a iniciativa está alinhada ao conceito de Cidade Amiga da Pessoa Idosa, promovido pela OMS, e busca adaptar a capital ao envelhecimento acelerado desse grupo.
O objetivo da prefeitura é criar condições para que a população idosa mantenha autonomia, participação social e qualidade de vida por mais tempo. Esse avanço impõe desafios para áreas como atenção às doenças crônicas, acessibilidade urbana, combate ao isolamento social e ampliação de serviços de cuidado.
O avanço da longevidade também altera o perfil da demanda na rede municipal, que conta com centenas de unidades de atenção básica, serviços especializados e equipes de acompanhamento domiciliar voltadas a esse grupo.
Desde 2021, a prefeitura ampliou a estrutura do Programa Acompanhante de Idosos (PAI), que hoje atende a cerca de 8,2 mil pessoas em situação de vulnerabilidade. Já o Nossos Idosos oferece consultas multiprofissionais e ações ligadas, por exemplo, a rastreamento de Alzheimer e outras demências, oficinas de memória, grupos de atividade física, acompanhamento de doenças crônicas, imunização e saúde bucal. Mais de 4,4 milhões de atendimentos foram realizados entre 2021 e fevereiro deste ano.
Do diagnóstico ao cuidado em casa
A estratégia de atenção à saúde inclui ferramentas para identificar precocemente situações de fragilidade e orientar a assistência mais adequada para cada paciente. Um dos principais instrumentos é a Avaliação Multiprofissional da Pessoa Idosa na Atenção Básica (Ampi-AB), utilizada para classificar os idosos conforme seu grau de vulnerabilidade e orientar a construção de planos individualizados. Em 2025, a rede municipal realizou 2,6 milhões dessas avaliações.
Há também iniciativas voltadas à redução de quedas – uma das principais causas de lesões e perda de autonomia na terceira idade. Entre 2021 e fevereiro de 2026, foram contabilizados mais de 665 mil atendimentos relacionados a esse tipo de cuidado.
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Para os que necessitam de acompanhamento em domicílio, o programa Melhor em Casa reúne 83 equipes multiprofissionais e acompanha cerca de 6 mil pacientes por mês. De 2020 a 2025, a oferta desse atendimento cresceu mais de 15 vezes, passando de 965 para 15.378 procedimentos realizados.
Criado em 2023, o Fralda em Casa já distribuiu mais de 170 milhões de fraldas para pessoas com necessidade permanente de cuidados, por meio de entrega domiciliar realizada pelos Correios. Atualmente, o serviço atende a 48 mil beneficiários.
Outra frente é o Avança Saúde Auditiva, que entregou mais de 90 mil aparelhos auditivos entre 2021 e janeiro de 2026, com atendimento realizado em Centros Especializados em Reabilitação (CERs), no Núcleo Integrado de Saúde Auditiva (Nisa) e em serviço conveniado.
Rede de acolhimento e convivência
Uma estrutura de assistência social voltada à população idosa é outro eixo da política municipal. São 162 serviços exclusivos, com mais de 18 mil vagas distribuídas entre espaços de convivência, acolhimento e fortalecimento de vínculos.
Nos últimos cinco anos, foram entregues 42 novos espaços destinados a esse público, incluindo Centros Dia para Idosos, Núcleos de Convivência do Idoso e Instituições de Longa Permanência.
Os dados da rede municipal mostram que cerca de 17% das pessoas acolhidas nos serviços socioassistenciais da capital são idosas. Entre os fatores mais frequentes estão situações de negligência, rompimento de vínculos familiares e ausência de condições adequadas de cuidado.
Também integram essa rede o Centro de Referência de Direitos Humanos e Cidadania da Pessoa Idosa, inaugurado em 2024, e o Polo Cultural da Terceira Idade, que registrou mais de 68 mil atendimentos até abril deste ano.
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Mobilidade, trabalho e qualidade de vida
O ecossistema voltado à longevidade alcança ainda diferentes dimensões da vida urbana. Hoje, a cidade tem 1,5 milhão de Bilhetes Únicos da Pessoa Idosa ativos. Apenas entre janeiro e março deste ano, pessoas com mais de 60 anos realizaram 72,8 milhões de viagens gratuitas no transporte público municipal. A cidade também conta com 100% da frota municipal de ônibus acessível.
Entre as iniciativas habitacionais destacam-se a Vila dos Idosos, empreendimento com 145 unidades adaptadas, além da reserva para esse público de 5% das moradias produzidas ou comercializadas pelo programa Pode Entrar.
A educação é outro campo que acompanha essa transformação. Atualmente, 7,5 mil pessoas com mais de 60 anos estão matriculadas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), retomando os estudos em diferentes etapas da vida.
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Vale destacar as políticas de inclusão produtiva. O Programa Longevidade Ativa, que já realizou uma média de 13 mil atendimentos, prevê atender até 50 mil microempreendedores individuais com mais de 60 anos até 2028.
Na área esportiva, os centros esportivos municipais recebem, em média, 6,2 mil alunos idosos por mês, enquanto as 1.477 academias da terceira idade espalhadas pela cidade oferecem atividades voltadas ao fortalecimento muscular, condicionamento físico e mobilidade.
A programação cultural passou a incorporar eventos como o Festival 70+ e a Semana da Longevidade, além de oficinas, cursos e atividades gratuitas promovidas regularmente em centros culturais, bibliotecas e casas de cultura.
O conjunto de iniciativas busca responder a uma mudança que tende a se intensificar nas próximas décadas. Com uma população cada vez mais longeva, São Paulo enfrenta o desafio de adaptar serviços, espaços urbanos e políticas públicas a uma nova realidade demográfica.
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