No momento em que o setor mira o potencial da Margem Equatorial, a Petrobras tem encontrado óleo no litoral da Região Sudeste, que responde hoje por cerca de 95% da produção nacional. A estatal anunciou sua segunda descoberta na Bacia de Campos neste ano, além de outras duas já registradas no mesmo período na Bacia de Santos.
As descobertas reforçam os investimentos da petroleira na região e dão mais fôlego para novos aportes e distribuição de royalties e participação especial, segundo fontes e especialistas. E ocorrem no momento em que o barril do petróleo está pouco acima dos US$ 60, o que tem levado empresas a racionalizar projetos e dar prioridade aos mais rentáveis.
No mês passado, a companhia iniciou a perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, que tem potencial para se tornar o novo pré-sal na próxima década.
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Uma preocupação da companhia é justamente garantir a exploração de novas reservas para evitar que a produção entre em declínio no começo da próxima década, quando os campos do pré-sal devem atingir o pico de produção.
Ontem, a estatal disse que identificou a presença de petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, no poço exploratório do bloco Sudoeste de Tartaruga Verde. O poço está localizado a 108km da costa da cidade de Campos dos Goytacazes, no Rio, em uma profundidade de 734 metros. Segundo uma fonte, a descoberta foi comemorada e classificada como importante.
Segundo a estatal, as amostras vão passar por análises laboratoriais “que permitirão caracterizar as condições dos reservatórios e dos fluidos encontrados, possibilitando a continuidade da avaliação do potencial da área”. A Petrobras é a operadora do bloco, com 100% de participação. O bloco Sudoeste de Tartaruga Verde foi adquirido em setembro de 2018 durante a 5ª Rodada de Partilha de Produção.
Segundo fontes, as mais recentes descobertas têm óleo de qualidade “excelente”.
O mercado agora já espera uma quinta descoberta em breve pela Petrobras. Trata-se do bloco Água Marinha, no pré-sal da Bacia de Campos, que será operado pela estatal em parceria com a TotalEnergies e a QatarEnergy. A área está ao sul do campo de Marlim Sul e, segundo fontes, a perfuração vem indicando ótimos resultados.
Para o geólogo Pedro Zalan, a descoberta de ontem é uma espécie de continuação do campo de Tartaruga Verde, onde já existe produção. A Petrobras, em comunicação à Agência Nacional do Petróleo (ANP), estimou originalmente, na declaração de comercialidade, cerca de 230 milhões de barris de óleo equivalente para Tartaruga Verde.
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— Esse poço revelou uma estrutura nova na parte Sudoeste, onde não se conhecia petróleo. Para a Petrobras é uma ótima notícia. É descoberta relevante — afirmou.
Em março , a estatal já havia informado a presença de óleo em outro poço na Bacia de Campos, mas no pré-sal, no bloco Norte de Brava. O bloco foi adquirido em dezembro de 2022, no 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, no qual a Petrobras detém 100% de participação. Além da Bacia de Campos, a estatal informou neste ano descobertas na Bacia de Santos.
Em fevereiro, a companhia constatou a presença de óleo em um poço na região oeste do campo de Búzios, onde a estatal opera com participação de 88,98%, em parceria com as chinesas CNOOC (7,34%) e a CNPC (3,67%).
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Em maio, a estatal informou descoberta após perfurar um poço no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos. Na ocasião, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que Aram já tem duas descobertas. O bloco foi adquirido em março de 2020 na 6ª Rodada de Licitação da ANP pela estatal em parceria com a CNPC (20%).
A estimativa é que Aram tenha ao todo 29 bilhões de barris de petróleo. Aram é vizinho de Bumerangue, do grupo britânico BP. Foi lá, em Bumerangue, que a petroleira anunciou sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos, na Bacia de Santos.
Para Rivaldo Moreira Neto, diretor sênior da A&M Infra, a descoberta da Petrobras no Sudoeste de Tartaruga Verde representa uma continuação da tentativa de descobrir novas áreas. Ele lembra que a Bacia de Campos vem recebendo investimentos de empresas privadas que buscam comprar campos maduros, pois o potencial ainda é elevado:
— Empresas privadas vêm comprando campos para revitalizar no entorno de Tartaruga Verde, como a PRIO e a BW, por exemplo. A partir da revitalização desses campos maduros, elas têm conseguido ótimos resultados. A própria Petrobras, além de Tartaruga Verde, também investe em Marlim e Albacora, que são campos que vêm recebendo aportes em revitalização e que em nada competem com a Margem Equatorial. São projetos que andam em paralelo.
A Petrobras pretende até 2029 investir US$ 23 bilhões em projetos para estimular a produção na Bacia de Campos, incluindo a instalação de novas unidades de produção. Especialistas lembram ainda que as áreas, por já terem infraestrutura, acabam representando custos menores em relação a áreas novas.
— As descobertas reforçam o papel que a Bacia de Campos ainda pode ter no longo prazo da produção de petróleo e gás no Brasil. Trata-se de região em que a Petrobras está explorando e buscando revitalizar seus campos históricos — disse Neto.
Segundo Cleveland Prates, mestre em Economia de Empresas pela FGV de São Paulo, as descobertas podem se refletir em mais investimentos e royalties:
— Só o tempo vai dizer o potencial de petróleo.
A evolução da produção no Brasil
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A primeira descoberta foi no Campo de Garoupa, em 1974. Entre 2010 e 2011, a Bacia atingiu seu ápice de produção, com 1,8 milhão de barris diários, somando 80% do total extraído.
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O pré-sal da Bacia de Santos foi descoberto em 2006 com o campo de Tupi/Lula. A produção começou em 2010 e hoje é a principal área do país. Hoje, são 173 poços na região, diz a ANP.
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A área é tida como o novo pré-sal. A Petrobras iniciou a perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas. A estatal vai perfurar outro poço no litoral do Rio Grande do Norte.

