As mudanças promovidas pelo técnico Renato Gaúcho do primeiro para o segundo jogo da Copa do Mundo de Clubes levantaram o questionamento: qual Fluminense vai a campo hoje, às 16h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami, contra o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, para carimbar a classificação às oitavas de final? O da estreia, que se defendeu melhor contra o Borussia Dortmund e empatou ou o da segunda partida, que fez quatro gols e virou sobre o Ulsan, mas foi desorganizado e reativo? A resposta passa diretamente pelas peças em campo e pelo dilema sobre como funciona o time com e sem o atacante Everaldo.
Pivô de críticas da torcida pela dificuldade de marcar gols, ele deu lugar a Cano depois da estreia e viu o argentino finalizar mais. Contudo, voltou a campo no segundo tempo do último jogo e ajudou taticamente na reação da equipe. Everaldo teve 19 movimentações para receber a bola nos poucos minutos em campo. No primeiro jogo, foram 44, atrás apenas de Nonato (63), Árias (48) Martinelli e Hércules (47). Cano, que chutou três vezes a gol, teve apenas seis ações.
— Everaldo chegou ao Fluminense fazendo gols, não desaprendeu. Todo jogador tem aquela má fase em que a bola não entra. Se não me engano, o Gabigol ficou oito, dez jogos sem marcar no Flamengo. E ninguém discute as qualidades do Gabigol. Com o Everaldo, daqui a pouco a bola entra, mas tem que ver pelo outro lado também: as jogadas que tem feito, a entrega em campo — pontuou Renato.
Praticamente um meia-ponta que joga de atacante, Everaldo entrou ao lado do argentino e atuou na vaga de Ganso, que teve as mesmas movimentações que Cano no jogo e saiu no intervalo, com poucos passes trocados e um erro fatal. O atacante teve 14 movimentos de pressão indireta sobre a defesa adversária quando a equipe não tinha a bola, igualando Hércules, o líder no quesito. Cano não fez nem metade (6). No primeiro jogo, em que foi titular, Everaldo teve impressionantes 42 ações de pressão indireta. O segundo colocado foi Canobbio, com 32. Cano teve 14. Isso com os dois centroavantes (Everaldo e Cano) percorrendo distâncias parecidas, cerca de 8 km.
Diante do Ulsan, essa pressão despencou, mas mesmo assim Everaldo se destacou. Com a bola, Arias precisou se desdobrar mais por dentro, já que Ganso pecou no quesito. O colombiano foi o jogador com mais movimentações, 46, enquanto o camisa 10 teve apenas 10. O Fluminense teve dificuldade de jogar no campo do adversário e sempre funcionou melhor em transição. Nos dois jogos, as principais associações entre jogadores foram de laterais e meias.
Chamou a atenção também a queda na capacidade de finalização. Contra o Borussia, foram 14 chutes a gol, contra nove diante do Ulsan. Titular no primeiro jogo, Everaldo só fez um arremate. Arias e Martinelli finalizaram três vezes.
No segundo jogo, Keno teve esse número com poucos minutos em campo. E Cano, que jogou a partida quase completa, também atingiu a marca. Everaldo entrou no fim e não chutou a gol quando teve chance. O Fluminense apostou demais no jogo aéreo, com 31 tentativas, mais que o dobro do primeiro jogo, quando alçou a bola na área 14 vezes. O problema é que o Ulsan teve as mesmas nove chances do Fluminense no jogo, duas a mais que o Borussia.
Da primeira para a segunda rodada, a troca de laterais não resultou em mudança de postura ofensiva. Tanto Guga e Fuentes como Samuel Xavier e Renê tiveram boas ações com bola, para quebrar as linhas de marcação, e também foram bem nos desarmes. O problema foi a recomposição. Fuentes não estava na bola nos dois gols que saíram pelo lado dele. E Guga não cortou cruzamento depois de bater lateral com Hércules pressionado, iniciando contra-ataque do Ulsan.
O apagão sofrido pelo Fluminense no primeiro tempo resultou em fortes cobranças do técnico Renato Gaúcho aos jogadores no vestiário. Ele não gostou da postura dos atletas depois do gol tricolor e disse isso claramente, sem filtro.
Em busca de não repetir os mesmos erros, o Fluminense precisa vencer ou empatar com o Mamelodi Sundowns para se classificar às oitavas de final sem depender de outros resultados. Em caso de vitória do Borussia Dortmund diante do Ulsan HD, a liderança do Grupo F pode ser decidida pelo saldo de gols. Se perder para a equipe sul-africana e o time alemão vencer os sul-coreanos, o tricolor estaria eliminado. Quem se classificar encara os dois primeiros do grupo E, que conta com Inter de Milão, River Plate, Urawa Reds e Monterrey.
— A partida é às 15h, no calor. Estudamos bastante o adversário, apesar do pouco tempo. Temos essa pequena vantagem de jogar pelo empate. Vamos esquecer e ir em busca do gol, para que a gente não sofra tanto. Nessa dinâmica, fica perigoso chegar ao final do jogo no 0 a 0 — ressaltou o treinador.
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Do outro lado, os sul-africanos contam com os brasileiros Lucas Ribeiro e Arthur Sales para surpreender o Fluminense. Campeão nacional 15 vezes e finalista da Champions da África, a equipe do técnico português Miguel Cardoso é conhecida por ter um jogo ofensivo, tanto que teve posses de bola de 62% e 55% contra Ulsan HD e Borussia Dortmund.