O Ibovespa voltou a renovar sua máxima histórica de fechamento nesta quinta-feira. É o 31º recorde do ano. O principal índice da Bolsa registrou um duplo recorde, na máxima diária intraday (enquanto as negociações ainda estão abertas), aos 164.515 pontos, e ao fechamento. No ano, o indicador acumula valorização de 36%.
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A nova máxima foi motivada, de acordo com analistas, pela perspectiva de recuo dos juros no Brasil em breve. O movimento foi acelerado por conta do PIB do 3º trimestre, que foi divulgado nesta quarta-feira, e mostrou perda de tração da atividade econômica por conta da taxa de juros restritiva, atualmente em 15% ao ano.
— Fez com que investidores tomassem mais risco, porque começa a mostrar que política monetária está dando certo e provavelmente, entre janeiro e março, começa o ciclo de cortes — disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Na curva de juros, onde os investidores estimam qual será a taxa básica no futuro, já é estimado que o início da flexibilização aconteça na reunião do Copom em 29 de janeiro do ano que vem.
A expectativa de um recuo no juro americano também alimenta as previsões positivas para o índice, afirma Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos:
— Os dados mais recentes, principalmente no mercado de trabalho, mostrando desaceleração, corroborando nesse sentido. É essa tempestade perfeita, no bom sentido, nos EUA — ele diz. A reunião do Comitê de Política Monetária americana acontece na semana que vem, na mesma quarta-feira em que o Brasil decide sua taxa básica.
Uma flexibilização nos juros americanos tende a diminuir a atratividade dos rendimentos dos Títulos do Tesouro americano, considerado um investimento de grande segurança. Com essa redução, o capital global começa a buscar novas geografias, e os emergentes tendem a atrair o apetite gringo. Até o último dia 2, o saldo do investidor estrangeiro na B3 era positivo em R$ 27,65 bilhões, ante saída de R$ 32 bi em 2024.
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— Um corte de juros tem diversos efeitos na Bolsa. O primeiro deles, mais direto, é que Bolsa é lucro. É natural que as empresas possuam endividamento. Se, nos próximos doze meses não tiver nenhum corte de gastos, e ela manter o que ela gera de receita hoje, o simples fato de reduzir juros significa que elas têm menos custos com a dívida, sobrando mais dinheiro para investimento, diminuir alavancagem, e sobre mais dinheiro para distribuir para o acionista — afirma Villegas, da Genial.
Com outros efeitos, o estrategista afirma que a redução dos juros também tende a impulsionar a atividade econômica, promovendo mais consumo e melhores resultados para as companhias.
O destaque, avalia Mollo, da Daycoval Corretora, é o desempenho das empresas voltadas ao consumo cíclico, como as varejistas e as construtoras.
E o movimento deve seguir, avalia o banco americano JP Morgan. Em relatório, o banco vê o Ibovespa podendo alcançar os 230 mil pontos no fim do ano que vem diante do chamado “bull market”, isto é, se “expectativas positivas” forem alcançadas. Para o banco americano, “houve um aumento nas discussões sobre as perspectivas eleitorais, enquanto a inflação se estabilizou, levando a uma reprecificação para baixo das expectativas de juros”, diz trecho.
Para além da flexibilização, o JP aponta como fatores positivo a possibilidade de mudanças políticas que “permitam reformas estruturais que levem a maior crescimento”, além da “diversificação da alocação” do investidor estrangeiro que deve acelerar, “impulsionada por uma visão estruturalmente otimista para mercados emergentes”.
A estimativa do JP Morgan representa um avanço de 40% dos 164 mil pontos, que o índice alcançou nesta quinta-feira.
O dólar encerrou praticamente na estabilidade, aos 0,04% de queda, aos R$ 5,31. Na mínima do dia, a moeda operou aos R$ 5,28. O DXY avançava 0,14% no mesmo horário, enquanto o desempenho das moedas mais líquidas foi misto frente à moeda americana.
— Desde que o mercado voltou a estimar fortemente um corte de juro na próxima reunião do Fomc (o comitê de política monetária americana) na semana que vem, há baixa volatilidade. E, mesmo com essa expectativa de corte de juros aqui, o real continua sendo uma moeda de maior carrego, o que tem favorecido essa continuidade dos movimentos (de baixa) — afirma Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank. Para ele, eventuais surpresas sobre a deterioração do controle fiscal podem exercer pressão sobre o câmbio no curto prazo.
O Ibovespa é o principal termômetro do desempenho médio das ações mais negociadas e mais representativas da Bolsa. O índice é composto por uma carteira virtual, com 84 ações de 81 empresas brasileiras.
Só que elas são representadas por um certo peso, uma participação na composição que varia conforme sua representação de negociação na Bolsa brasileira. Há nesse conjunto papéis de companhias do setor financeiro, varejistas, de bebidas e alimentos e de commodities (como mineradoras e petrolíferas).
Quando o Ibovespa sobe, significa que as empresas que compõem o índice estão se valorizando, atraindo o interesse dos investidores. Essa valorização é medida em pontos, em que cada ponto equivale a R$ 1. A B3 realiza cálculos para entender qual é o valor do somatório daquela carteira de ações, que se torna o valor do índice.

