Morador da divisa entre Maracanã e Tijuca, nas redondezas do Renascença Clube, o historiador e professor Luiz Antonio Simas será o responsável por conduzir uma aula especial em comemoração aos 75 anos do espaço, um dos redutos mais tradicionais do samba na Zona Norte. Hoje, a partir das 16h, ele ministra no Andaraí a aula “O samba como invenção de mundo”. Depois, a programação segue com roda de samba comandada por nomes conhecidos do carnaval carioca: Talarico, Wantuir e Serginho do Porto. Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.
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Simas reforça que a aula é sobre o que ele considera muito além de um gênero musical ou coreografia.
— Gosto de pensar o samba como sistema de organização do mundo. Em torno do samba, a gente tem as maneiras como as pessoas brincam, dançam, comem, bebem, lembram os seus mortos, celebram os seus vivos. O samba, portanto, é um complexo de saberes — reitera o historiador.
Outra função social muito importante, reforça Simas, é a de promover sociabilidade coletiva. E, nisso, o Renascença teve um papel fundamental, principalmente, diz, “pensando na construção de sociabilidades negras no Rio de Janeiro”. Segundo ele, essa investigação será um dos focos da aula.
— É uma cidade profundamente marcada pela cultura de origem africana que, entretanto, é também a cidade que mais recebeu gente escravizada na história moderna. Isso é muito impactante. Então, entender o papel que o Renascença teve e tem como um construtor de sociabilidades urbanas e, sobretudo, como construtor de sociabilidades a partir do samba, vai ser o meu objetivo — pontua.
Por fim, Simas destaca também a importância de valorizar as produções culturais que nascem fora do imaginário associado ao cartão-postal da cidade:
— O imaginário da nossa cidade está muito vinculado ao balneário, à Zona Sul, à orla, aos pontos turísticos. Então, valorizar também as construções fora desse imaginário da cidade maravilhosa é muito importante e passa muito pela cultura do samba. Se a Zona Norte não tem a paisagem exuberante que a orla da Zona Sul tem, afirmo para você, com a maior tranquilidade, que grande parte do que há de melhor na cultura do Rio foi produzido na Zona Norte, nos subúrbios e nos morros.

