A unidade de computação em nuvem da Microsoft cresceu no ritmo mais acelerado em quatro anos, indicando que a infraestrutura computacional e os serviços de inteligência artificial (IA) da empresa continuam ganhando espaço entre as companhias.
A receita total da companhia cresceu 18%, para US$ 90 bilhões, superando a estimativa média de US$ 87,7 bilhões. O lucro foi de US$ 4,81 por ação, ante uma projeção de US$ 4,25 por ação.
Considerando apenas a plataforma de computação em nuvem Azure, as vendas aumentaram 43% no quarto trimestre fiscal da Microsoft, que corresponde ao período entre abril e junho, informou a empresa hoje, em comunicado divulgado após o fechamento das Bolsas nos EUA.
Foi o maior crescimento trimestral nessa área, fortemente influenciada pelas inovações de IA, desde o início de 2022 e superou a estimativa média dos analistas, de cerca de 40%. As vendas do Azure ultrapassaram US$ 100 bilhões pela primeira vez no ano fiscal encerrado em junho.
O resultado contrasta com o do trimestre anterior, quando a expansão do negócio de “nuvem” ficou apenas um pouco acima das estimativas dos analistas, decepcionando investidores preocupados com a possibilidade de a empresa não estar aproveitando plenamente a demanda por serviços de inteligência artificial. A visão dos resultados de hoje foi no sentido contrário.
As ações subiram cerca de 3% nas negociações após o fechamento do mercado, depois de encerrarem o pregão cotadas a US$ 390,54.
Surfando a IA
Enquanto outras empresas de software têm enfrentado dificuldades, como a IBM, a Microsoft tem mantido uma participação relevante no boom da inteligência artificial com sua estreita parceria com a OpenAI desde que a startup apresentou o ChatGPT, em 2022. Desde então, a Microsoft aumentou seus investimentos na OpenAI e direcionou seu foco para modelos e softwares de IA capazes de seguir instruções em linguagem natural e agir de forma autônoma.
Esses produtos exigem enorme capacidade computacional, e a empresa aderiu a uma onda de investimentos em todo o setor para construir novos data centers e comprar os caros chips necessários ao desenvolvimento de ferramentas de IA.
Esse movimento tem aumentado o volume de investimentos da companhia. As despesas de capital — um indicador importante dos investimentos em data centers — aumentaram 70% no trimestre passado, para US$ 41 bilhões entre abril e junho. Os analistas esperavam US$ 42 bilhões.
Copilot supera 30 milhões de assinantes
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou no comunicado que a empresa já contabilizava mais de 30 milhões de usuários pagantes do Microsoft 365 Copilot, assistente de IA vendido como complemento ao amplamente utilizado pacote de softwares Office. O número representa uma alta em relação aos cerca de 20 milhões registrados três meses antes.
O aumento no número de usuários pagantes do Copilot é um bom resultado, afirmou Mandeep Singh, analista da Bloomberg Intelligence, em entrevista à Bloomberg TV:
— A estratégia de venda em pacotes adotada pela Microsoft continua funcionando.

