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outubro 16, 2026
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Começo de temporada de Vini Jr. no Real Madrid é desastroso

Por · outubro 16, 2026


O Real Madrid de José Mourinho é uma montanha-russa. É o maior clube do mundo, dono de um dos melhores elencos do planeta, mas que parece incapaz de jogar bola. A vitória de quarta-feira sobre a Roma, na Champions League, foi mais um capítulo de uma série confusa que entra na terceira temporada com um roteiro parecido com o das duas anteriores nas mãos de Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa: muito drama, dúvidas, decepções e conflitos. E nenhum título relevante.
Em Roma, o Real teve que virar duas vezes um jogo insano e venceu, agonizando, por 4 a 3, com três gols nos últimos sete minutos. Dois deles, de moleques que saíram do banco no desespero: Carlos Espí e Endrick.
Há quase 20 anos sob o comando do bilionário Florentino Pérez, o Real voltou aos tempos de glória e domínio continental, com seis títulos de Champions em pouco mais de uma década. Era um clube de régua alta e exigência máxima. Tanto que, em 2015, Florentino demitiu Ancelotti apenas um ano depois de ele ter vencido a competição só porque a temporada terminou de mãos abanando enquanto o Barcelona de Luis Enrique levava a tríplice coroa.
Ancelotti voltaria seis anos — e três Champions de Zidane — depois. Já sem Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos, conquistou mais duas orelhudas com uma mudança geracional: um time jovem e extremamente talentoso, com Vini Jr., Rodrygo, Bellingham, Tchouaméni e Militão. Prova de que o clube sabia se manter no topo da cadeia alimentar. Puro equilíbrio, ambição e estabilidade.
Mas, desde a chegada de Mbappé, tudo mudou. O capitão da França era um sonho antigo de Florentino, mas veio mais como capricho do que como necessidade. Com características muito parecidas com as de Vini, entrou num time que estava encaixado, entrosado, em transe, se curtindo… Vini, Rodrygo e Bellingham tinham encontrado seu espaço, e aquilo funcionava como música.
A chegada de Mbappé obrigou Bellingham a recuar para a posição de Kroos, fez de Rodrygo um improvisado em diversas funções e engarrafou a ponta esquerda, onde Vini tinha uma avenida. Em pouco mais de dois anos, dá pra contar nos dedos os jogos em que Vini e Mbappé se associaram de forma orgânica.
Nesse meio-tempo, chegaram Endrick, Brahim Díaz, Arda Güler, Diomande, Espí… Um monte de atacantes num time que não soube repor Kroos e Modric. Faltam meias, falta criatividade, falta química, falta jogo.
Para piorar, o começo de temporada de Vini é desastroso. Depois de uma Copa em que foi um dos poucos pontos positivos do Brasil e de uma renovação merecida, ele voltou das férias outra pessoa. Quem dera a diferença fosse só visual, depois da tal harmonização facial em Goiânia. Voltou distraído, sem explosão, sem velocidade, sem aquela faísca, aquele sangue nos olhos que sempre fizeram dele um jogador diferente.
Expulso por falta inexplicável
Agora, foi suspenso por quatro jogos na LaLiga por puxar o cabelo de um rival, uma falta inexplicável para alguém com a experiência dele, e vai perder o clássico contra o Barcelona na semana que vem. As críticas, que durante boa parte da carreira foram injustas, desta vez são mais do que merecidas.
Vinicius Junior é contido pro companheiros após ser expulso contra Villarreal
OSCAR DEL POZO / AFP
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Só Vini pode dizer o que está acontecendo. Espero que faça uma análise fria e consciente, sem as desculpas que o Mourinho adora dar. Porque, por mais injusto que pareça, num clube como o Real Madrid, só depois de se aposentar um jogador pode viver dos títulos que ganhou no passado. O esporte é momento, e o momento é voraz, insaciável e arrasador.
No Bernabéu, ninguém é grande demais para cair. Nem Vini.

Começo de temporada de Vini Jr. no Real Madrid é desastroso