
A Comissão Eleitoral de Israel vetou a participação de todos os partidos árabes das eleições gerais do mês que vem, as primeiras depois dos ataques de outubro de 2023 e das guerras em Gaza e contra o Irã, mas liberou a participação de siglas de extrema direita, que hoje integram o governo. A decisão final será tomada pela Suprema Corte, mas já é alvo de críticas e questionamentos judiciais.
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Na sessão, realizada na quarta-feira, a comissão determinou o veto à Lista Árabe Unida (Ra’am), liderada por Mansour Abbas; à coalizão Lista Conjunta, formada pelos Hadash, Ta’al e Balad, de liderança árabe, além de restrições individuais a um parlamentar do Hadash, Ofer Cassif, e ao líder do Balad, Sami Abu Shehadeh.
No caso dos dois partidos, o órgão determinou que eles negam publicamente a existência de Israel como um Estado democrático e judaico, que fazem declarações de incitação ao racismo e que apoiam a luta armada de um grupo ou nação hostil contra Israel. Cassif foi condenado pela negação do caráter judaico do Estado israelense, e Shehadeh pela publicação de um artigo no qual dizia que o ataque do Hamas foi “um evento histórico importante nos âmbitos militar, político e estratégico”. O político posteriormente disse se arrepender do texto, e que buscava “interromper a escalada militar”.
— Nunca incitei a violência ou o terrorismo. Oponho-me à luta armada — afirmou ao Times of Israel.
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Os pedidos de veto foram feitos por partidos da base do premier Benjamin Netanayahu, incluindo o Poder Judaico, do ministro da Segurança, Itamar Ben-Gvir, uma das vozes mais conhecidas e virulentas da extrema direita isralense. Nomes de oposição, como Avigdor Lieberman e Yair Golan também apoiaram moções contra partidos e parlamentares árabes.
— Os pedidos de desqualificação visam alcançar a completa deslegitimação da sociedade árabe e da parceria árabe-israelense, bem como perpetuar o regime totalitário e a tirania da maioria — disse Cassif, citado pelo jornal Haaeretz.
A Comissão Eleitoral de Israel é formada, em sua maioria, por aliados de Netanyahu, e analistas davam como certas as exclusões anunciadas na quarta-feira. Havia a expectativa de que outros partidos de oposição, como os de centro-esquerda, pudessem ser barrados, o que até agora não aconteceu. Ao mesmo tempo, as queixas contra a extrema direita foram rejeitadas, apesar das numerosas declarações de teor racista e extremista de figuras como Ben-Gvir e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que em 2024 disse ser “justo e moral” deixar dois milhões morrerem de fome em Gaza.
“Não há concessões para Abu Shehadeh nem para Ben-Gvir – ambos devem ser desqualificados”, disse Golan, em comunicado.
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Em comunicado, a ONG Adalah, que presta assistência jurídica a palestinos em Israel, declarou que esse foi “um procedimento politicamente motivado, arbitrário, inflamatório e racista, desprovido de qualquer fundamento”, que seguiu “um curso de ação ilegítimo com o objetivo de perseguir ideias e atividades políticas legítimas que não contam com apoio da maioria”. O caso será analisado pela Suprema Corte, e a expectativa é de que os magistrados liberem a participação dos partidos árabes.
Em uma eleição apertada, como promete ser a do mês que vem, a exclusão dos partidos árabes pode decidir quem comandará o país pelos próximos anos. Segundo projeções, as siglas teriam até 12 assentos, e seriam fiéis da balança na formação de um novo Gabinete, embora líderes da oposição, como Gadi Eisenkot, apontado como potencial novo premier, evitem declarar a intenção de incluir os partidos em um governo. Se o veto for mantido, não está evidente para onde iriam os votos destinados aos árabes. A votação está marcada para o dia 27 de outubro.