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Como a guerra chega na eleição

BRCOM by BRCOM
abril 19, 2026
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Pesquisa Genial/Quaest — Foto: Editoria de Arte

A guerra contra o Irã atingiu diretamente o Brasil, por isso, a perspectiva de fim do conflito, que se abriu na sexta-feira, é uma excelente notícia também para o governo brasileiro. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, apenas 16% dos brasileiros não se sentem afetados pela alta dos combustíveis. O evento bagunça o cenário e aumenta a distância entre percepção e fato na economia. O país tem bons indicadores, mas o eleitor não sente isso. Para 38%, o principal causador dos preços dos combustíveis é a guerra do Irã e a situação internacional, porém o segundo vilão escolhido, com 25%, é o “governo Lula e suas decisões na economia”.

As pesquisas mostram que não têm melhorado nem a avaliação do presidente Lula nem a do governo, apesar dos bons números. Na atual administração, a inflação caiu, o desemprego despencou, a renda subiu, os trabalhadores do mercado formal, da base da pirâmide salarial, deixaram de pagar Imposto de Renda ou pagam menos. São fatos que indicam o avanço, mas o importante no mercado político é a percepção. O governo já tinha dificuldades e a guerra aumentou ainda mais seus problemas.

Os que se dizem mais atingidos pela alta dos combustíveis são homens, de 35 a 59 anos, do Sudeste e do Sul do país, com ensino médio ou ensino superior, com renda superior a dois salários mínimos e evangélicos. Alguns desses segmentos são particularmente desafiadores para a campanha do presidente Lula. As clivagens na sociedade brasileira se repetem na hora de avaliar quem é o causador do problema. Entre os católicos apenas 19% acham que é a culpa do governo Lula. Entre os evangélicos, 34% têm esta opinião.

O governo Bolsonaro enfrentou o mesmo problema, a disparada dos preços dos combustíveis em ano eleitoral causada por uma crise internacional. Em 2022, foi a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Os dois governos decidiram suspender impostos federais sobre derivados de petróleo. Bolsonaro impôs aos estados a suspensão do imposto estadual. O governo Lula chamou os governadores para um pacto.

Pesquisa Genial/Quaest — Foto: Editoria de Arte

A Quaest perguntou aos eleitores: “Soube que o governo federal reduziu impostos e articulou com governadores?”. Entre os entrevistados, 63% disseram que não souberam e 37% souberam. No Nordeste, 70% desconheciam que houve redução de impostos sobre combustíveis. Entre as mulheres, 74%.

Quando perguntados o que acham das ações do governo sobre combustíveis, 55% aprovam e 31% desaprovam. A aprovação chega a 63% entre os eleitores do Nordeste, 60% entre os homens, mais do que os 52% das mulheres que aprovam. Tem aprovação até entre os bolsonaristas (40%) e direita não bolsonarista (50%).

Há uma divisão fiscalista interessante na pesquisa. Quando a pergunta é sobre o que o governo deve fazer agora, 49% disseram que é “manter a redução de impostos, mesmo que isso piore as contas públicas” e 39% acham que deve “priorizar o equilíbrio das contas, mesmo que o preço fique mais alto”. Dos que aprovam o governo, 52% defendem a manutenção da política, enquanto 37% consideram que o foco deve ser o ajuste fiscal. Já entre os que desaprovam, 46% apoiam a continuidade da medida, e 42% avaliam que a prioridade deve ser o fiscal.

O que a pesquisa mostra em todas as suas nuances é que nada é automático nessa relação entre economia e política. O fim da guerra, contudo, seria um alívio. A guerra é inflacionária, e isso eleva o mau humor que se vira contra a presente gestão. Ao longo da campanha, a aprovação do governo sempre melhora. Na pesquisa espontânea, 62% ainda não se decidiram. Ou seja, há muito chão pela frente, mas o incumbente tem sempre o terreno mais acidentado. O fim da guerra seria um solavanco a menos.

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