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setembro 23, 2026
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Como a IA está transformando pessoas e negócios na educação corporativa

Por · setembro 23, 2026
Como a IA está transformando pessoas e negócios na educação corporativa


O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades exigidas pelo mercado de trabalho vão mudar até 2030. Dentro das empresas, a projeção se traduz em uma tarefa concreta e pouco visível. Alguém precisa transformar o que muda em curso, e fazer isso antes que o próprio curso envelheça.
Esse foi o pano de fundo da trilha “Impacto, Pessoas e Experiência” do Campinas Innovation Week, dedicada a inclusão, educação e futuro do trabalho. Entre os embaixadores da trilha estava Cristiano Franco, CEO da Inspand. O evento foi organizado pela Prefeitura e pela Associação Comercial e Industrial de Campinas. De 14 a 18 de setembro, ocupou o Prédio do Relógio, no antigo pátio ferroviário da cidade, e reuniu mais de 23 mil pessoas, segundo a organização. Ali, a empresa, dona da plataforma de educação corporativa Neolude, lançou o CRIAR, ferramenta de produção de treinamentos por inteligência artificial.
A ordem entre tecnologia e pessoas
O tema que Franco levou a Campinas foi a relação entre inteligência artificial, pessoas e negócios. Nessa relação, ele faz questão de manter uma ordem: a tecnologia amplia possibilidades, e são as pessoas que dão propósito a elas.
“A IA pode acelerar processos, ampliar nossa capacidade e nos permitir produzir muito mais. Mas tecnologia, sozinha, não transforma pessoas. O que faz diferença é o que fazemos com ela. E acredito que o resultado de uma pessoa trabalhando com IA será sempre melhor do que o da IA trabalhando sozinha”, afirma.
O CRIAR leva essa ideia para um fluxo de trabalho. A ferramenta organiza em uma esteira as etapas de um treinamento, com agentes de IA apoiando cada uma delas. O gestor define o assunto e anexa o material de base, como um manual em PDF. A assistente pesquisa, lê o documento e escreve o roteiro. O gestor revisa, ajusta e decide seguir. Só então o vídeo é gerado, com apresentador virtual e narração em português ou em outro idioma. Segundo a Inspand, o processo consome cerca de 10% do orçamento e 10% do tempo de uma produção tradicional.
O saber que já está dentro de casa
A escassez que a ferramenta tenta contornar é documentada. A Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), registrou 26 horas de treinamento por funcionário em 2025, acima da média de 21 horas dos dez anos anteriores. O orçamento ficou em torno de 1,7% da folha, com um profissional de T&D (treinamento e desenvolvimento) para cada 648 funcionários. Nessas condições, boa parte do conhecimento de uma organização continua com quem executa o trabalho, sem chegar a quem precisa aprendê-lo.
A proposta é que esse especialista transforme o que sabe em conteúdo sem deixar a própria rotina para enfrentar roteiro, gravação, estúdio e edição. “Toda vez que uma empresa vai produzir um conteúdo, ela precisa de roteirista, de designer instrucional, de revisor, de designer gráfico. Se for vídeo, precisa contratar ator e estúdio. A empresa que já tem esse time passa a produzir muito mais com ele. A que não tem passa a ter, com um agente virtual ali para atender cada demanda”, diz Franco.
Uma camada de análise
A ferramenta ganhou recentemente o que a Inspand chama de Inteligência Cognitiva. O recurso examina imagem, áudio e linguagem do conteúdo e oferece informações sobre os estímulos cerebrais presentes naquela experiência. Assim, a IA também passa a apoiar o refinamento do material, e a decisão de publicar continua com uma pessoa.
A Inspand tem 31 anos. Nasceu como provedora de internet no interior paulista e desenvolveu o Neolude, uma das maiores plataformas de educação corporativa da América Latina, com mais de 7 milhões de usuários e clientes como Natura, GOL Linhas Aéreas, FEBRABAN, Amil e Ipiranga. O CRIAR saiu do INLab, núcleo de inteligência artificial que a empresa criou em 2026.
Quando produzir deixa de ser o gargalo, a escassez se desloca para o critério: o que merece ser ensinado, e de que forma. Nenhuma esteira responde a essa pergunta sozinha.

Como a IA está transformando pessoas e negócios na educação corporativa