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A avaliação predominante é que Israel não consegue destruir Fordow sozinho. Apenas o bombardeiro furtivo B-2 é capaz de carregar essa bomba dado o seu tamanho: 6 metros de comprimento e 13.600 quilos. A munição tem um revestimento de aço muito mais espesso e contém uma quantidade menor de explosivos do que explosivos de uso geral de tamanho semelhante.
As carcaças pesadas permitem que a munição permaneça intacta ao atravessar solo, rocha ou concreto antes da detonação. A bomba é conhecida como “bunker buster” porque foi projetada para destruir bunkers subterrâneos profundos ou armas bem enterradas. Acredita-se, com isso, que seja a única arma lançada por via aérea com alguma chance de destruir Fordow.
Os EUA bloquearam o fornecimento do bunker buster a Israel e passaram a vê-la principalmente como um elemento de dissuasão, um ativo de segurança nacional exclusivo — mas que, se disponibilizado, poderia incentivar Israel a iniciar uma guerra com o Irã.
Embora Israel tenha caças, não desenvolveu bombardeiros pesados capazes de transportar essa arma. Sem esse suporte americano, Tel Aviv poderia afetar o programa nuclear iraniano ao atacar usinas de geração e transmissão de energia mais acessíveis que ajudam a operar a instalação, que abriga as centrífugas mais avançadas do Irã, segundo autoridades militares.
Atacar Fordow é central para qualquer esforço de destruir a capacidade do Irã de produzir armas nucleares. Em março de 2023, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que havia detectado urânio enriquecido a 83,7% de pureza em Fordow — próximo ao nível de 90% necessário para armas nucleares. O Irã, signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, mantém que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Trump deixou claro que tem pouco interesse em novas aventuras militares na região e busca não alienar uma ala não intervencionista de apoiadores fortemente contrários a maior envolvimento dos EUA em uma guerra no Oriente Médio. Além disso, mesmo que o presidente autorizasse bombardeiros furtivos B-2 americanos a lançarem as bombas de 13.600 quilos, segundo especialistas, haveria vários desafios técnicos e altamente sigilosos na coordenação de tal ataque. Uma preocupação, por exemplo, seria a possível contaminação nuclear decorrente do bombardeio, colocando civis em risco.
Segundo informações da “CNN”, a partir de acesso a documentos iranianos roubados ao longo dos últimos anos, a área principal da usina fica entre 80 e 90 metros abaixo do nível do solo. Não há informações exatas sobre quando a instalação começou a ser construída, mas é especulado que isso teria acontecido entre 2002 e 2004.
Localizada perto da cidade de Qom, no centro do Irã, essa usina é uma das instalações mais sensíveis e estratégicas do programa nuclear iraniano. Construída numa montanha, foi projetada para resistir a ataques aéreos, o que a torna extremamente difícil de ser neutralizada militarmente. A existência do complexo foi revelada ao público em 2009, gerando fortes reações da comunidade internacional e aumentando as tensões sobre as intenções nucleares do Irã.
Originalmente desenvolvida para enriquecer urânio, Fordow abriga cerca de 3.000 centrífugas do modelo IR-1, embora o Irã já tenha iniciado o uso de modelos mais avançados, como o IR-6. Um acordo em 2015 previa que a instalação fosse convertida em um centro de pesquisa científica e médica, com atividades limitadas e sob monitoramento rigoroso da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). No entanto, após a escalada das tensões, o Irã restringiu o acesso dos inspetores internacionais e ampliou sua capacidade de enriquecimento na planta.
Além de seu papel técnico, Fordow tem grande importância simbólica e estratégica para o Irã. O fato de estar protegida por uma estrutura geográfica reforçada e de operar centrífugas avançadas faz com que ela seja vista como uma infraestrutura crítica por potências como os Estados Unidos, Israel e aliados europeus.
O Irã construiu a instalação de centrífugas em Fordow ciente de que precisava enterrá-la profundamente para evitar ataques. Em 1981, usando caças F-15 e F-16, Israel bombardeou uma instalação nuclear perto de Bagdá como parte de seu esforço para impedir que o Iraque adquirisse armas nucleares. Aquela instalação era acima do solo.
Ao longo dos anos, os israelenses elaboraram diversos planos para atacar Fordow na ausência dos bunker busters fornecidos pelos EUA. Um desses planos, apresentado a altos funcionários do governo de Barack Obama, envolvia helicópteros israelenses com comandos a bordo voando até o local. Os comandos então lutariam para entrar na instalação, instalariam explosivos e a destruiriam, segundo ex-funcionários dos EUA.
Israel montou com sucesso uma operação semelhante na Síria no ano passado, quando destruiu uma instalação de produção de mísseis do Hezbollah. Mas Fordow seria uma empreitada muito mais perigosa, segundo militares.
