Um drone autônomo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, demonstrou ser capaz de acompanhar uma pessoa em meio a uma floresta sem depender de GPS ou de um mapa prévio do terreno. Em um vídeo de 44 segundos divulgado pelo professor de ciência da computação Aniket Bera em 23 de outubro, o equipamento percorre uma área arborizada, desvia de árvores e tenta prever para onde o alvo se deslocou quando desaparece atrás dos troncos.
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O sistema realiza os cálculos a bordo, sem depender de servidores remotos para orientar o voo. A capacidade pode ser útil em locais onde o sinal de satélite é fraco ou inexistente, como florestas densas e regiões afetadas por desastres. O vídeo, no entanto, registra uma demonstração específica, e ainda não foram publicados resultados científicos que permitam avaliar a precisão ou a confiabilidade do equipamento em diferentes condições.
Quando a pessoa sai do campo de visão, o drone utiliza um recurso de previsão de trajetória para estimar onde ela poderá reaparecer. Ao mesmo tempo, sensores ajudam a construir uma representação tridimensional do ambiente, permitindo que o equipamento calcule rotas para evitar obstáculos. Essa combinação é importante em áreas de vegetação fechada, nas quais troncos e galhos podem bloquear repetidamente a visão da câmera.
Veja vídeo:
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A divulgação chamou a atenção também pela origem de parte dos programas aparentemente utilizados no teste. Uma análise técnica do site especializado DroneXL identificou na interface do vídeo referências ao SUPER, sistema de planejamento de movimentos, e ao FAST-LIO, ferramenta de estimativa de posição. Ambos foram desenvolvidos pelo laboratório MaRS, da Universidade de Hong Kong, e disponibilizados como softwares de código aberto.
Bera afirmou que sua equipe desenvolveu todas as camadas do drone do zero. A presença dos nomes dos programas na telemetria, porém, levanta dúvidas sobre quais componentes foram criados originalmente em Purdue e quais foram adaptados de ferramentas existentes. Até agora, não foi divulgado um artigo científico que descreva integralmente a arquitetura do protótipo ou esclareça essa divisão.
A navegação autônoma sem GPS não é inédita. Em 2025, pesquisadores da Universidade de Hong Kong publicaram na revista Science Robotics um estudo sobre o SUPER, sistema capaz de orientar drones em ambientes desconhecidos e planejar movimentos com base em sensores. A demonstração de Purdue combina esse tipo de navegação com o acompanhamento de uma pessoa e a estimativa de sua trajetória durante perdas temporárias de visibilidade.
A tecnologia pode ter aplicações em operações de busca e resgate, monitoramento ambiental e inspeções em áreas remotas. Drones capazes de navegar sem sinais de satélite também despertam interesse militar, pois podem operar em terrenos onde sistemas convencionais de posicionamento são comprometidos. Em novembro de 2025, Purdue anunciou um acordo de cinco anos, no valor de US$ 1,5 milhão, com o Laboratório de Pesquisa do Exército americano para desenvolver robôs aéreos e terrestres capazes de mapear terrenos e se deslocar sem GPS. Não há confirmação de que o financiamento tenha sido utilizado no teste divulgado em outubro.
Como é o drone com IA desenvolvido nos EUA que segue pessoas em florestas sem GPS; vídeo
