Por muito tempo, discutir longevidade significava projetar um tempo distante, onde a única preocupação era garantir segurança para a aposentadoria. Uma nova abordagem, no entanto, vem ganhando espaço: pensar o amanhã a partir das escolhas e dos investimentos feitos hoje. E não estamos falando apenas de ter uma reserva financeira. Mas de gastos com a saúde e o bem-estar, essenciais para um presente mais leve e, possivelmente, um futuro longevo.
Quem levanta essa bola é a educadora financeira Dina Prates, que sugere expandir o conceito de investimento para além das finanças tradicionais. Segundo ela, olhar para as saúdes física e mental desde cedo é tão fundamental quanto montar uma reserva de emergência.
— Muitas vezes, negligenciamos esse cuidado e pagamos um preço alto mais tarde — afirma.
Sua teoria é respaldada na prática.
— Tem me chamado muita atenção o quanto a saúde impacta no orçamento de pessoas maduras.
Em sua opinião, quanto antes começarem os investimentos em planos de saúde, seguros e nos cuidados com a saúde mental, maior a economia em longo prazo.
— Manter um estilo de vida saudável significa reduzir gastos com medicações, acompanhantes, enfermeiros e mais um monte de coisas que se fazem necessárias com o passar dos anos — aponta Dina.
Vale, portanto, revisar o orçamento antes de afirmar que não tem dinheiro para fazer a terapia recomendada ou frequentar a academia de musculação perto de casa.
Manter um estilo de vida saudável significa reduzir gastos com medicações, acompanhantes, enfermeiros e mais um monte de coisas que se fazem necessárias com o passar dos anos”
— Dina Prates, educadora financeira
— Isso tudo trará um retorno monetário importante no futuro, prevenindo problemas que vão impactar diretamente seu planejamento econômico.
A dica aqui é olhar estrategicamente para as contas e entender que gastos podem ser reduzidos.
Antes de tudo, é fundamental conhecer os próprios limites. Para isso, a principal estratégia é fazer um levantamento detalhado de receita e despesas.
— Grande parte das pessoas faz compras por impulso, sem calcular o impacto que isso vai gerar no próximo mês — avalia a especialista.
Outro ponto que faz toda a diferença na forma como consumimos é ter nitidez das prioridades. Para quem convive com essa dificuldade, Dina sugere botar tudo no papel e criar uma “lista de desejos”. A ideia é anotar tudo o que gostaria de comprar e, com o tempo, refletir se esses itens continuam sendo relevantes.
— Se eu fizer uma lista dos meus desejos consigo ver com mais clareza se aquela compra faz sentido para mim — explica.
Até porque o que é dispensável para um pode ser essencial para outro.
— Para algumas mulheres, fazer as unhas ou cortar o cabelo não é luxo, é autocuidado. E o autocuidado impacta diretamente na autoestima e na saúde mental — sinaliza.
Outra sugestão é elencar as próprias necessidades. Como exemplo, ela lembra de uma cliente que precisava de uma mesa e um celular novos, mas, naquele mês, só tinha dinheiro para comprar um dos itens. O algoritmo percebeu e começou a enviar a ela promoções de mesas.
— Antes, a gente até conseguia driblar as informações que chegavam até nós. Hoje, não adianta mais desligar a notificação porque você está arrastando o seu dedo no feed, você liga a TV e tem uma propaganda dizendo ‘clique aqui’ ou ‘escaneie o QR Code’ — observa.
Por isso, a importância de conhecer seu comportamento.
Conversando com Dina, a pessoa entendeu que o smartphone era mais urgente, já que impactava seu trabalho e seus rendimentos.
— Se ela não tivesse essa noção, teria levado a mesa, que poderia tranquilamente durar mais uns meses, na primeira oferta.
O foco, portanto, deve ser avaliar se o consumo está em sintonia com a realidade econômica e os objetivos de vida de cada um.
— Nesse contexto, longevidade financeira deixa de ser apenas sobre “quanto guardar” e passa a incluir “como quero viver”.
E essa conta só vai fechar quando a projeção de futuro conversar com os hábitos do presente.
