A seleção brasileira chegou desacreditada a Buenos Aires para encarar a Argentina naquela edição da Copa Roca, em março de 1940. A superioridade da equipe de azul e branco era quase inegável. “Não falta aqui quem encontre com irônico scepticismo as declarações confiantes dos cracks brasileiros”, destacou o Jornal O GLOBO no português da época. “Mesmo entendidos não admittem a hypóthese de um revés da seleção argentina após a indiscutível victória em São Paulo”, continuou o periódico.
Aquela era a quinta edição da Copa Roca, uma antiga competição disputada entre Brasil e Argentina. O torneio anterior, terminado apenas uma semana antes, no Estádio Palestra Itália, em São Paulo, havia sido vencido pela equipe visitante, com direito a uma goleada de 5 a 1 sobre o elenco da casa no jogo de abertura, em São Januário, no Rio, e a um 3 a 0 na partida de encerramento. Foi o quadro mais ágil, mais harmonioso, que fez prevalecer a sua melhor classi“, reconheceu O GLOBO no dia seguinte.
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Mas o pior estava ainda por vir. Dias depois, foi a vez de o Brasil ir à casa do adversário para tentar dar o troco. Com um time pior e com o seu maior craque, Leônidas da Silva, enfrentando um mal-estar que o deixara de cama durante um dia inteiro em seu quarto no hotel Savoy, a vitória na revanche parecia algo bem difícil de se obter, mas os jogadores brasileiros prometiam correr 90 minutos sem parar. Os nossos footballers, mais do que ninguém, anseiam pela reabilitação”, informou o jornal carioca.
Havia esperança de que Leônidas, o “Diamante Negro”, entrasse em campo no antigo estádio do San Lorenzo. Mas o “Homem de Borracha” não se recuperou a tempo. Assim como nesta terça-feira, sem Neymar, o Brasil de Dorival Júnior sucumbiu vergonhosamente diante da Argentina, no dia 5 de março de 1940, a esquadra do treinador Jayme Barcellos, sem um dos maiores atacantes da história do país, sofreu a maior goleada da história dos confrontos entre os dois rivais: 6 a 1.
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O primeiro gol argentino saiu logo aos 2 minutos do primeiro tempo e deixou o Brasil desnorteado. Dali em diante, o time da bandeira verde e amarela deixou-se envolver pelo adversário. Fracassou de forma retumbante o esquema de “defesa cerrada” da seleção de Barcellos, que priorizou a marcação dos meias, mas deu liberdade aos ponteiros, que foram a origem de quase todos os gols. Destaque para o atacante argentino Carlos Peucelle, que guardou a bola três vezes nas redes do goleiro Aymoré.
“Os argentinos voltaram a impressionar com um actuação sólida nas acções conjuntas e individuaes, repetindo a brilhante performance apresentada no Parque Antártica”, publicou O GLOBO.
Nas outras duas partidas daquela Copa Roca, Leônidas voltou ao time, o que não impediu o título da seleção da casa. Na segunda partida, o elenco de Barcellos derrotou a equipe local por 3 a 2, mas, no confronto seguinte, outra goleada, repetindo o placar de 5 a 1 registrado em São Paulo, selou o título argentino. O torneio entre as duas seleções foi disputado até 1976, com sete vitórias do Brasil, três dos rivais e um empate. Entre 2011 e 2014, houve mais três edições, todas vencidas pelo Brasil.
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