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Como foram bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, há 80 anos

BRCOM by BRCOM
junho 26, 2025
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Explosão da bomba em Hiroshima vista do céu — Foto: Reprodução

“Sabíamos que o mundo não seria mais o mesmo. Algumas pessoas riram. Algumas pessoas choraram. A maioria das pessoas ficou em silêncio. Eu lembrei de uma passagem do texto hindu ‘Bagavadeguitá’. Vishnu tentava persuadir o príncipe de que ele precisava cumprir seu dever e, para impressioná-lo, assume a sua forma com múltiplos braços e diz, ‘agora, eu me torno Morte, o destruidor dos mundos’. Suponho que todos nós pensamos assim de um jeito ou de outro”.

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As palavras acima foram ditas pelo físico Robert Oppenheimer no documentário “A decisão de lançar a bomba”, exibido em 1965 pela emissora americana NBC. No trecho, o cientista descrevia a reação dos integrantes do Projeto Manhattan diante da primeira explosão de uma bomba atômica construída pelo governo americano, durante um teste no dia 16 de julho de 1945, em Los Alamos, nos Estados Unidos. Três semanas depois, duas cidades japonesas seriam obliteradas por armas como aquela.

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Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, há 80 anos, Hiroshima e Nagasaki foram devastadas por ordem do então presidente americano, o democrata Harry Truman. De acordo com estimativas, mais de 200 mil pessoas morreram. Se, por um lado, as bombas colocaram fim na Segunda Guerra, obrigando o Japão a se render, por outro, o ataque cobriu o mundo com uma névoa de horror e medo, inaugurando uma perigosa corrida armamentista que moldou a comunidade global e segue viva até hoje.

Explosão da bomba em Hiroshima vista do céu — Foto: Reprodução

A posse de armas nucleares se tornou um dos principais fiéis da balança política internacional. Países com esse poderio bélico (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte) têm mais poder de barganha num conflito ou até na possibilidade de um conflito.

Passadas oito décadas, os Estados Unidos, agora com Donald Trump na presidência, bombardearam instalações nucleares do Irã com o alegado objetivo de impedir que o regime dos aiatolás tenha uma bomba atômica. O ataque ocorreu em meio à guerra entre Israel e o país islâmico, após a divulgação de sinais de que a própria Casa Branca não descartaria lançar mão de armas nucleares táticas contra o seu inimigo em comum com o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

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Horas antes do ataque americano, no último sábado, o canal Fox News noticiou que, de acordo com um integrante do gabinete de Trump, o uso de armas nucleares “táticas” contra o Irã não está “off the table” (fora da mesa, em inglês). Dias antes, o próprio presidente divulgou na rede Truth Social um texto enviado a ele por Mike Huckabee, o embaixador americano em Israel, dizendo que “nenhum presidente na história esteve em uma posição como a sua. Não desde Truman em 1945”.

A trégua entre Israel e Irã, anunciada por Trump, reduziu a tensão no Oriente Médio, mas os 12 dias de guerra reacenderam e espalharam pelo mundo o medo de viver um novo pesadelo nuclear.

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Antes de 1945, esse receio não existia. O governo americano criou o Projeto Manhattan no dia 13 de agosto de 1942, mas foi somente depois do teste em Los Alamos, no dia 16 de julho de 1945, que o presidente Truman teve certeza de que tinha uma bomba atômica a sua disposição. Àquela altura, a Alemanha tinha capitulado, Adolf Hitler e Benito Mussolini estavam mortos e já não havia guerra na Europa. Mas o conflito entre os Aliados e o Japão continuava a todo vapor no Oceano Pacífico.

A bomba Little Boy, em fotografia divulgada pelo governo americano — Foto: Reprodução/Wikipedia
A bomba Little Boy, em fotografia divulgada pelo governo americano — Foto: Reprodução/Wikipedia

Os Estados Unidos haviam entrado na guerra depois do ataque japonês à base de Pearl Harbor, no Havaí, em dezembro de 1941, quando foram mortos mais de 2400 americanos e destruídos navios e aviões. A partir de então, teve início uma batalha que abrangeu o Pacífico Sul, o Sudeste Asiático, a China e várias ilhas do oceano. Mais de 2 milhões de pessoas foram mortas, entre civis e militares. Filmes como “Além da Linha Vermelha”, “Iwo Jima” e outros ajudam a contar essa história.

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Quando a bomba foi explodida em Los Alamos, Truman estava na Conferência de Potsdam, na Alemanha, com o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, e o líder soviético, Josef Stalin. Eles estavam discutindo como a Alemanha seria administrada no pós-guerra. Ao saber do êxito no teste, Truman exigiu a rendição total do Japão na Declaração de Potsdam, assinada também por Churchill e o presidente da China, Chiang Kai-shek (a União Soviética não estava em guerra com o Japão).

A declaração era um ultimato. O documento afirmava que se o governo nipônico não se rendesse, o país enfrentaria “destruição imediata e total”, mas não mencionava a bomba nuclear. O texto foi divulgado na imprensa no dia 26 de julho e descrito em cerca de 3 milhões de panfletos lançados de bombardeiros americanos sobre o território do Japão. Mas ouvir transmissões de rádio inimigas e até mesmo pegar folhetos elaborados por países rivais era considerado um crime no país asiático.

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O Conselho de Guerra no Japão não chegou a um consenso, e imperador Hirohito nem se pronunciou sobre a Declaração de Potsdam. O primeiro-ministro do país, almirante Kantarō Suzuki, se reuniu com a imprensa e disse que o governo decidira ignorar mesmo o ultimato rival.

O coronel Paul Tibbets no bombardeiro Enola Gay antes de atacar Hiroshima — Foto: Força Aérea dos Estados Unidos
O coronel Paul Tibbets no bombardeiro Enola Gay antes de atacar Hiroshima — Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Com isso, Truman autorizou o uso das bombas nucleares. No dia 6 de agosto de 1945, o bombardeiro Enola Gay, batizado com o nome da mãe do piloto, o coronel Paul Tibbets, decolou às 2h45 de Tiniã, nas Ilhas Marianas, carregando uma bomba de urânio de 4 toneladas friamente batizada de Litte Boy (pequeno garoto). Acompanhado por outros dois bombardeiros, a tripulação do Enola Gay lançou a terrível arma nuclear sobre a cidade de Hiroshima às 8h15 daquela segunda-feira.

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A bomba foi lançada a uma altitude de 9.400 metros e explodiu a 580 metros do chão. Hiroshima era, então, uma das maiores cidades japonesas, com cerca de 340 mil moradores, além de um importante reduto militar, de onde se comandava a defesa de todo o Sul do país. A explosão causou uma onda de calor com mais de 4 mil Celsius em um raio de cerca de 4km. Uma área de 10km² ficou totalmente devastada. O inferno resultante causou uma série de incêndios durante três dias na cidade.

Mais de 140 mil pessoas morreram de formas terríveis, instantaneamente, com a explosão, e até o fim daquele ano, devido a ferimentos diversos ou à exposição a material radioativo espalhado no ar.

Dezesseis horas após o ataque, Harry Truman, em discurso no rádio, revelou detalhes sobre o Projeto Manhattan, até então um segredo de estado. Ele celebrou o fracasso alemão na tentativa de fabricar uma arma nuclear e destacou o êxito americano, dizendo: “Gastamos US$ 2 bilhões na maior aposta científica da História e vencemos”. O líder americano também voltou a ameaçar o Japão. “Se eles agora não aceitarem nossos termos, podem esperar uma chuva de ruína caindo do ar”.

Mortos e feridos após bombardeio de Nagasaki, em 1945 — Foto: Reprodução/ Yosuke Yamahata
Mortos e feridos após bombardeio de Nagasaki, em 1945 — Foto: Reprodução/ Yosuke Yamahata

Não houve rendição, e o segundo ataque ocorreu três dias após a devastação de Hiroshima. Quando o bombardeiro Bockscar alçou voo de Tiniã, nas Ilhas Mariana, carregando a bomba de plutônio Fat Man (“homem gordo”), o alvo prioritário era a cidade de Kokura. Entretanto, atrasos ocorridos na missão, a falta de combustível suficiente e um acumulo de nuvens e fumaça atrapalhando a visão levaram os militares a rumar para Nagasaki, uma importante cidade portuária mais ao Sul do país.

Acompanhado por outros dois bombardeiros, o Bockscar lançou a Fat Man precisamente às 11h01 daquela quinta-feira. A bomba explodiu 500 metros acima de uma quadra de tênis, entre duas fábricas de armamentos, numa área industrial de Nagasaki. A Fat Man era ainda mais poderosa do que a Little Boy, usada contra Hiroshima, mas a detonação não causou tanta destruição porque foi parcialmente contida pelas montanhas do Vale Urakami. Ainda assim, grande parte da cidade foi arrasada.

Segundo estimativas do governo americano, cerca de 40 mil pessoas morreram na explosão. Algo em torno de 30 mil sucumbiram nos dias e meses seguintes, devido a ferimentos e exposição a radiação.

O governo japonês se rendeu no dia 15 de agosto de 1945. Truman foi celebrado como o homem que pôs fim à Segunda Guerra ao lançar as bombas atômicas, evitando a invasão do Japão por forças aliadas, o que teria, em tese, causado mais mortes. Historiadores, porém, observam que o uso das armas também teve o objetivo de intimidar a União Soviética. O país comunista, outro que emergiu do conflito como potência, seria o arquirrival dos Estados Unidos na bipolarização global.

Semana passada, a organização Nihon Hidankyo, que representa sobreviventes das bombas de 1945, condenou ataques israelenses a instalações nucleares no Irã, definindo a ofensiva como inaceitável e questionando: “O mundo se esqueceu das tragédias de Hiroshima e Nagasaki?”. No dia seguinte, o imperador japonês, Naruhito, visitou o monumento em homenagem às vítimas das bombas atômicas em Hiroshima, como parte dos eventos que relembram o terror nuclear, 80 anos depois.

Nagasaki destruída após bombardeio nuclear americano — Foto: Yosuke Yamahata
Nagasaki destruída após bombardeio nuclear americano — Foto: Yosuke Yamahata

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