Conquistar independência financeira após os 60 anos vai além de juntar dinheiro. É construir fontes de renda que sustentem a qualidade de vida sem depender exclusivamente do trabalho. Investimentos que geram renda passiva — aqueles que continuam produzindo dinheiro sem ninguém precisar trabalhar para isso — oferecem um fluxo contínuo de recursos e permitem que a pessoa siga ativa, cuide da saúde e realize projetos pessoais após a aposentadoria.
— É o famoso “fazer dinheiro dormindo” — simplifica a educadora financeira Ana Oliveira.
Essa renda pode vir de produtos financeiros, como ações que pagam dividendos, fundos imobiliários, previdência privada ou títulos de longo prazo, e também de patrimônio físico, como imóveis para aluguel ou participação em empresas.
— Não é sobre ter lucros imediatos, e sim sobre pensar em longo prazo — explica a especialista.
Segundo relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), muitos investidores buscam retorno imediato em vez de um planejamento de longo prazo. E esse, observa Ana, é o principal obstáculo para construir um futuro financeiramente estável.
— O problema é a falta de planejamento — afirma.
Lidar com dinheiro não é matemática, é comportamento. Setenta por cento das decisões financeiras são emocionais”
— Ana Oliveira, educadora financeira
O primeiro passo é o mais básico e, paradoxalmente, o mais difícil: gastar menos do que se ganha. Para funcionar, é preciso, antes de tudo, ajustar a relação emocional com o dinheiro.
— Lidar com dinheiro não é matemática, é comportamento. Setenta por cento das decisões financeiras são emocionais — diz.
Foi assim com a aposentada Selma Molina, 64 anos. Gastadora compulsiva, nem os imóveis que recebeu como herança do pai faziam com que sua conta fechasse no fim do mês. Ela então decidiu saber mais sobre educação financeira. E sua vida mudou.
— Vivia sozinha em um apartamento de quatro quartos em São Paulo e gastava desenfreadamente. Com roupas, sapatos de que não precisava, festas, bebidas. Não via o preço de nada — conta.
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Vivia sozinha em um apartamento grande em São Paulo e gastava desenfreadamente. Não via o preço de nada”
— Selma Molina, aposentada
Em 2022, depois de dois anos sem trabalhar, Selma começou a participar de workshops sobre educação financeira e entendeu que aquela situação não era sustentável. Já no meio do primeiro curso, mudou-se para um imóvel de dois dormitórios em Florianópolis, trocou as festas por programas ao ar livre e viu sua conta bancária engordar.
Hoje, sobra dinheiro para as viagens que ela tanto gosta de fazer — agora mais baratas, porque são planejadas — e até para investir.
— O melhor de tudo é que sou muito mais feliz — diz.
Para gerar uma renda passiva, Ana recomenda um exercício simples: manter duas contas, uma “de movimento”, destinada aos gastos do dia a dia, e outra “cofre”, apenas para guardar pequenas quantias regularmente.
— A mente precisa ser treinada para viver com o que sobra e não para investir o que sobra. E não importa quanto você vai guardar, o ponto é criar o hábito — ensina.
Quanto mais cedo se começa, menor será o esforço.
— Se tenho 30 anos, posso guardar pouco e deixar o tempo trabalhar. Aos 50, é preciso colocar mais fermento para o bolo crescer.
Outra dica importante é descomplicar o destino dos aportes. O medo de investir, especialmente para quem está perto da aposentadoria, é um obstáculo considerável, especialmente para quem está começando.
— As opções são tantas que assustam. Por isso, a importância de começar pelo simples. Aos poucos, dá para subir os degraus — orienta a especialista.
Para ela, educação financeira é uma forma de autocuidado e preparo para o envelhecimento.
— O futuro é certo. A dúvida é o que você vai colher lá. Quando você poupa e investe com consciência, está cuidando não só do dinheiro, mas da sua saúde, da sua mente e da tranquilidade que vai ter aos 60, 70, 80 anos — afirma.
Planejar o amanhã, portanto, é mais do que uma meta financeira. É uma forma de garantir liberdade, tempo e serenidade para aproveitar o que o dinheiro (e a disciplina) ajudaram a construir ao longo da vida.
