A inclusão de crianças com deficiência tem conquistado novos espaços além da escola. Modalidades como o judô e o jiu-jitsu — praticadas por celebridades como Kyra Gracie, Malvino Salvador e José Loreto — vêm sendo utilizadas em projetos que promovem autoestima, socialização e senso de pertencimento entre alunos com Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH.
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Em São Paulo, iniciativas como o projeto CDC Ipasure, na Zona Sul da cidade, transformam centros comunitários em ambientes de prática esportiva adaptada. Lá, crianças com e sem deficiência treinam juntas, trocando experiências que vão além da técnica. O projeto é coordenado por Bruno William Farias de Mattos, professor de Educação Física e Pedagogia, faixa-preta de judô e bicampeão mundial de jiu-jitsu.
Com passagens por escolas como Miguel de Cervantes, EMECE e Claritas, Bruno também atua na formação de educadores voltada à inclusão. “A criança que aprende a vestir um kimono, cumprimentar o colega ou levantar sozinha depois de uma queda está treinando mais do que o corpo. Está construindo uma imagem positiva de si mesma”, diz o professor, que defende o esporte como ferramenta de empoderamento e integração.
Segundo dados do IBGE, cerca de uma em cada 44 crianças no Brasil tem algum tipo de deficiência intelectual ou sensorial. Embora políticas públicas tenham ampliado o acesso à educação, especialistas apontam que barreiras como o isolamento social, a baixa autoestima e a dificuldade de convivência ainda estão presentes, e podem ser enfrentadas por meio de atividades físicas adaptadas e ambientes acolhedores.
No tatame do CDC Ipasure, a chamada “pedagogia do respeito” busca valorizar pequenas conquistas. Crianças com deficiência treinam lado a lado com colegas sem diagnóstico, em aulas que estimulam empatia e colaboração. “A criança com deficiência aprende a participar; a outra aprende a respeitar. E isso se reflete também fora do tatame”, afirma Bruno.
O trabalho realizado no local rendeu ao professor, em 2024, o Certificado de Honra ao Mérito da Liga Paulista de Lutas Associadas (LPLA) e da equipe RK BJJ Team, reconhecendo o impacto social do projeto.
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Inspirado pelos resultados, Bruno pretende levar o modelo para outras regiões e acredita que as artes marciais têm potencial universal. “Nem toda criança fala ou escreve, mas todas entendem o que é ser acolhida. E o esporte pode ensinar isso com muita força”, declara.
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