Entre a cobrança para voltar à forma e o desejo de se sentir bem, muitas mulheres vêm repensando a relação com o corpo depois da maternidade. O termo médico “Mommy Makeover”, antes associado principalmente a cirurgias plásticas pós-parto, passou a representar também um movimento mais amplo de reconexão com a autoestima e o autocuidado.
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A bailarina Brunna Gonçalves é um dos exemplos recentes dessa discussão. Seis meses após o nascimento da filha Zuri, fruto do casamento com a cantora Ludmilla, ela revelou ter feito uma lipoaspiração abdominal depois de encerrar a amamentação. “Como não estava produzindo leite suficiente, senti que era o momento de voltar a cuidar de mim”, contou nas redes sociais.
O relato repercutiu por abordar, de forma honesta, um tema que por muito tempo foi tratado com culpa: o desejo de uma mulher de se reconectar com o próprio corpo após ser mãe.
Para a cirurgiã plástica Thamy Motoki, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em contorno corporal, esse tipo de decisão reflete uma mudança de percepção social. “Durante muito tempo, o querer se sentir bem depois da maternidade era interpretado como vaidade. Hoje, sabemos que faz parte do bem-estar físico e emocional”, explica.
A influenciadora Viih Tube também compartilhou publicamente seu processo de recuperação física após o nascimento dos filhos, Lua e Ravi. Meses depois do parto do caçula, a ex-BBB passou por uma abdominoplastia com correção de diástase e lipoaspiração. “Mesmo com treino e dieta, acabei ficando com sobra de pele e hérnia. Foi uma escolha pensada, não apenas estética”, afirmou.
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O tema também tem ganhado força entre mães mais jovens, como Duda Reis. Recentemente, a atriz revelou ter se submetido a três procedimentos cirúrgicos (mastopexia, lipoaspiração e retirada de excesso de pele) com o objetivo de se sentir melhor após as transformações do corpo durante a gestação da filha, Aurora.
“Eu contei para vocês que, na minha gestação, engordei 27 quilos, e foi muito. Eu estava abaixo do peso quando engravidei. Meu peito, para vocês terem uma noção, caiu 10 centímetros, é uma medida que a gente faz nas consultas com o médico. Quando eu puxava meu peito, vinha pele até aqui. Eu estava muito insegura com isso. Não estou incentivando nada, só compartilhando a minha experiência. Não existe certo ou errado, mas sim o que funciona para cada pessoa”, destacou.
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Casos como os de Viih, Brunna e Duda exemplificam como algumas mulheres têm recorrido a cirurgias e tratamentos corporais como parte de um processo de autocuidado e resgate da autoconfiança. De acordo com Dra. Thamy, essas intervenções não seguem um padrão fixo, mas consistem em abordagens personalizadas, que levam em conta as particularidades e transformações de cada paciente.
“A gestação muda a estrutura física e hormonal da mulher. O objetivo é devolver proporção e firmeza, mas sempre respeitando o tempo do corpo”, orienta. A médica reforça que o ideal é aguardar pelo menos seis meses após o fim da amamentação antes de qualquer procedimento, para garantir segurança e resultados previsíveis.
O aumento do interesse por tratamentos pós-parto acompanha a expansão das conversas sobre maternidade real nas redes sociais. Influenciadoras que mostram estrias, cicatrizes e flacidez têm ajudado a reduzir o estigma em torno do corpo materno. “Nem toda mulher quer ou precisa fazer uma cirurgia. O importante é que cada uma tenha liberdade para decidir o que a faz bem, sem culpa”, diz Thamy.
Para a especialista, cuidar da própria imagem pode representar, para algumas mães, um gesto de autonomia. Ao escolher olhar para si, cada mulher redefine o próprio conceito de beleza, não necessariamente para atender a padrões, mas para se sentir bem consigo mesma. “Recuperar o corpo é importante, mas o mais essencial é resgatar a confiança. Esse é o verdadeiro makeover”, conclui.

