Da destruição causada por uma tragédia ambiental ao flagrante de uma morte trágica. Das belezas proporcionadas pela natureza a um retrato do cotidiano nas metrópoles. Fotógrafos com mais de três décadas atuando no jornal O GLOBO, com diversos prêmios em suas trajetórias, Márcia Foletto, Custodio Coimbra, Domingos Peixoto e Gabriel de Paiva comentam, no vídeo abaixo, suas fotos marcantes que fazem parte de uma exposição permanente na Redação.
Fotógrafos do GLOBO revelam histórias por trás de imagens marcantes
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As imagens comentadas pelos fotógrafos são parte da exposição “Um século de histórias”, uma das ações que celebraram o centenário do GLOBO, completado em 2025. Algumas das 213 fotografias selecionadas para a mostra, que esteve em cartaz na Casa Roberto Marinho entre julho e agosto daquele ano, estão agora permanentemente expostas na Redação.
Márcia Foletto, gaúcha de Santa Maria que chegou ao GLOBO em 1991, tem uma trajetória profissional marcada pelo olhar que capta, com sensibilidade e precisão, temas dolorosos como violência urbana, desigualdades sociais e tragédias ambientais, entre elas a do rompimento da barragem do Fundão, em 2015, que cobriu de lama o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), e deu a ela um de seus numerosos prêmios (o Petrobras de Fotojornalismo). “Essa imagem me impressiona bastante porque mostra que, mais do que perder o território e a área em que essas pessoas moravam, elas perderam também muito da sua memória”, diz Márcia sobre a foto. No currículo da fotógrafa estão ainda séries impactantes como “Os miseráveis”, sobre a pobreza no estado do Rio de Janeiro, e “Mutilados”, que traz retratos de vítimas que sobreviveram à violência armada. O prêmio mais recente de Márcia é o Vladimir Herzog, conquistado com a imagem intitulada “Antes que ela veja”, que mostra uma adolescente tapando os olhos da irmã menor diante da cena de um corpo de uma pessoa sendo retirado após operação policial na Ladeira dos Tabajaras.
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Custodio Coimbra, no GLOBO desde 1989, também é um colecionador de prêmios, como o que conquistou em 2012 (pela CNT) com a foto acima, batizada de “Sono profundo”, feita ao final de uma vigília na madrugada para registrar o engarrafamento gigantesco que tomava diariamente a Via Dutra. O olhar treinado de Custodio encontrou, na Avenida Brasil, o outdoor com a imagem de uma modelo dormindo abraçada ao travesseiro, e na hora ele percebeu o contraste possível com o interior de um ônibus lotado de passageiros dormindo, algo corriqueiro pelo horário e em engarrafamentos. Foram muitas as fotos feitas, mas Custodio só entendeu a perfeição do conjunto quando chegou à Redação. “Só quando estava olhando as fotos depois, com a lupa, vi que estava todo mundo dormindo”, conta ele. Um do ícones da fotografia brasileira, o carioca Custodio é conhecido igualmente por seus trabalhos sobre o meio ambiente, já tendo documentado tanto boas notícias como más notícias sobre rios, florestas e animais, entre eles o famoso registro de golfinhos brincando com lixo na Baía de Guanabara, pelo qual ganhou o Prêmio Petrobras em 2015.
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Gabriel de Paiva começou a trabalhar no GLOBO em 1992. Em 2026 completou 34 anos no jornal, onde destaca ter participado da cobertura de todas as eleições, de debates ao corpo-a-corpo dos políticos nas ruas do Rio. Mas não só. Foi após uma pauta de cobertura de carnaval que Gabriel conseguiu captar, por exemplo, a imagem impressionante da chuva de raios sobre a Igreja da Penha, em 1999. Ele conta que teve que apoiar a câmera num carro e, como se diz no jargão do fotojornalismo, “soltar o dedo”. “Fiquei disparando a máquina até ver se pegava um raio. Muitas fotos saíram tremidas, essa por sorte ficou gravadinha”, lembra ele. A sorte ajudou, claro, mas não seria nada sem a técnica. Em 2024, com outra tecnologia à mão, aliás, Gabriel fotografou com o próprio celular, após um dia de trabalho, a pesada nuvem sobre a praia de Copacabana. “Dali mesmo eu já mandei para o jornal, e foi para a primeira no dia seguinte”.
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Domingos Peixoto é o autor de uma das imagens mais conhecidas, relevantes e premiadas do fotojornalismo brasileiro dos últimos anos. O fotógrafo, que está há 32 anos no GLOBO, registrou o momento exato em que um rojão, disparado por um manifestante durante um protesto contra aumento das tarifas de ônibus, atingiu Santiago Andrade, cinegrafista da Bandeirantes, em fevereiro de 2014, provocando sua morte. A foto, que ajudou inclusive na identificação dos responsáveis pelo crime, deu a Domingos alguns dos muitos prêmios conquistados dentro e fora do país com seu trabalho. “É uma foto que acompanha minha carreira, minha vida. É uma foto de muita dor”, diz Domingos, que recebeu o reconhecimento também da filha de Santiago. “Ela falou que minha foto era um registro dizendo que o pai dela não era um irresponsável, e sim um trabalhador como nós, estava na função dele e foi brutalmente assassinado”.

