“E aí, Aidan! Aqui é o Timothée Chalamet.”
Era o verão de 2024, e Chalamet se preparava para uma capa da Rolling Stone para promover seu papel como Bob Dylan no filme “Um completo desconhecido”. Ele não conhecia Zamiri pessoalmente, mas conseguiu seu número depois de investigar seu trabalho como fotógrafo e diretor de videoclipes.
Logo os dois estavam trocando mensagens sem parar, e Zamiri pegava um voo para Los Angeles para conhecer Chalamet — uma viagem que o então jovem de 28 anos já tinha marcado, depois que Billie Eilish o convidou para dirigir o videoclipe de sua música “Birds of a Feather”. (Ela o conheceu durante sua própria sessão de capa para a Rolling Stone.)
Chalamet contou, em entrevista, que não tinha certeza do que sairia desse encontro com Zamiri, ou mesmo como ele era fisicamente. Com cerca de 1,70m de altura, Zamiri, hoje com 29 anos, tem um pequeno rabo de rato trançado, uma monocelha e uma energia inquieta — características que muitos que o conhecem descrevem como “élficas”.
“Eu literalmente não fazia ideia de quem estava batendo na porta”, disse Chalamet.
Ao final do encontro na casa do ator, os dois já haviam decidido trabalhar juntos, colocando Chalamet no mesmo grupo de estrelas como Eilish, o rapper Yung Lean e a cantora Charli XCX — todos artistas que buscaram Zamiri para ajudá-los a moldar suas personas públicas.
A capa da Rolling Stone com Chalamet, fotografada por Zamiri, saiu em novembro passado, marcando o início de um ano em que sua presença se tornou onipresente na cultura pop.
Enquanto Chalamet promovia “Um completo desconhecido” em estreias e no Saturday Night Live no último inverno, vídeos provocantes feitos por Zamiri — mostrando o ator dançando diante da Torre Eiffel e dublando músicas na West Side Highway, em Manhattan — circulavam amplamente online. (Zamiri também ajudou a orquestrar a chegada de Chalamet à estreia londrina do filme, em uma bicicleta elétrica Lime.)
Agora, os dois estão pensando em formas de promover o próximo filme de Chalamet, “Marty Supreme”, que será lançado em dezembro. “Dylan foi um teste”, disse o ator, referindo-se a “Um completo desconhecido”. “Sinto mesmo que encontrei um parceiro criativo”, acrescentou.
Em fevereiro, Zamiri foi indicado ao Grammy por dirigir o videoclipe de 360, de Charli XCX — um vídeo que o New York Times chamou de “instantaneamente icônico”. Sentado na plateia da cerimônia em Los Angeles, Zamiri assistiu Charli XCX apresentar ao vivo outra música para a qual ele dirigiu o clipe, Guess.
“Recusei estar no palco com uma câmera cenográfica”, disse Zamiri. “Mas eu devia ter feito.”
O vídeo de Guess recebeu quatro indicações no MTV Video Music Awards de setembro, incluindo a de melhor direção. (Ganhou em uma categoria chamada “vídeo por uma boa causa”, introduzida em 2019.) O clipe de “Birds of a Feather”, de Eilish, dirigido por Zamiri, também foi indicado, inclusive para vídeo do ano.
Após novas equipes editoriais assumirem as revistas i-D e Vanity Fair, Zamiri foi convidado para fotografar capas recentes das publicações, marcando o início de novas fases para ambas. Ele também fotografou a cantora Chappell Roan para uma próxima edição da revista Perfect, e nos últimos meses fez campanhas para Nike, Yves Saint Laurent e Balenciaga.
Enquanto isso, Zamiri trabalha em seu projeto mais ambicioso até agora: um longa-metragem chamado “The Moment”, que será lançado no próximo ano pela A24.
Dirigido e coescrito por Zamiri, em parceria com Bertie Brandes, o filme — no estilo de falso documentário — é estrelado por Charli XCX, Alexander Skarsgård, Rosanna Arquette e Kylie Jenner, e conta a história de uma estrela pop em turnê mundial. A trama explora o desejo humano de ser “cool” e se isso realmente importa.
“O filme é sobre a Charli, com certeza”, disse Zamiri. “Mas também, quando escrevemos, é sobre como eu e Bertie nos sentimos.”
O estilo visual de Zamiri evoluiu de experimentos com feixes de luz e efeitos de falha digital para uma estética mais texturizada e granulada. Quanto maior a estrela, mais ele gosta de mostrar seu lado selvagem — como quando filmou Yung Lean com o rosto sujo de lama e usando roupas de grife. “Eu amo a sujeira e o caos”, afirmou.
Ele tem predileção por cenas evocativas: o vídeo de “Birds of a Feather” mostra Eilish sendo arremessada contra uma parede; já o de “Guess”, de Charli XCX (com participação da própria Eilish), mostra a cantora invadindo uma festa com um trator. “A combinação do banal e familiar com algo impossível tem sido o fio condutor mais constante do meu trabalho”, explicou.
Emma Reeves, ex-diretora de fotografia e criação da Rolling Stone, contratou Zamiri para fotografar Eilish para a revista. Reeves, hoje consultora criativa, trabalhou anteriormente como diretora de fotografia da Dazed e de outras revistas britânicas nos anos 2000.
Ela descreve o trabalho de Zamiri como tendo uma crueza que parece ao mesmo tempo moderna e nostálgica. “É um tipo de zeitgeist — as pessoas, a moda, o estilo — ele captura tudo isso”, disse. “Há um verdadeiro ofício ali. É algo clássico, atemporal, mas também cru.”
“Sempre achei que a estética dele se sobrepõe à estética londrina dos anos 1990”, acrescentou. “É raro alguém ser genuinamente um contador de histórias tanto na fotografia quanto no cinema. Ele tem uma estética contínua entre os dois.”
Zamiri, que vive em Londres, acompanha Charli XCX há mais de uma década. Lembra-se de estar entre apenas 15 pessoas em um show dela em um festival escocês em 2014. Mesmo tendo entrado para o círculo íntimo da cantora, continua sendo um fã que prefere ficar no meio do público. “Com a Charli, ele simplesmente ama”, disse Brandes, seu co-roteirista em “The Moment”. “Ele se joga.”
Criado por uma mãe iraniana e um pai escocês-irlandês em um subúrbio de Glasgow, Zamiri precisava atravessar um campo aberto para chegar à escola. Na infância, era um consumidor ávido de música pop — CDs como “American Idiot”, do Green Day, e “Elephunk”, dos Black Eyed Peas, foram alguns dos primeiros que teve, e ele se interessava tanto pelas capas quanto pelas músicas.
“Eles criavam mundos”, disse, com um forte sotaque escocês. “Tenho mais interesse em artistas que constroem universos completos.”
Na adolescência, passou muito tempo no Tumblr, onde percebeu que quanto mais artistas como Lana Del Rey, My Chemical Romance, Lady Gaga e Lorde compartilhavam suas vidas com os fãs, mais ele e outros se sentiam ligados a eles.
“Eu sei o que os fãs querem ver”, afirmou Zamiri, “porque eu sou um.”
“O cerne da minha abordagem é entender quem você é, o que há de especial em você, o que quer dizer — e então: como amplificar isso”, explicou.
Zamiri faz isso estando sempre disponível para seus colaboradores, atuando tanto como mente criativa quanto como ouvido atento. Certa noite, em fevereiro, enquanto trabalhava até tarde no escritório da Object & Animal, o estúdio que o representa, ele recebeu uma ligação de Charli XCX, que estava em turnê na Austrália, onde já era manhã.
“Ele é meio que mais do que meu melhor amigo neste ponto”, disse Charli XCX por e-mail. “A gente conversa MUITO”, escreveu, usando letras maiúsculas. “Ele sabe quando me dar espaço, quando me deixar liderar, quando me tratar como uma princesa e quando me incentivar.”
“Ele entende o nível de intimidade de que eu preciso”, acrescentou, “e sabe exatamente como minha cabeça funciona.”
“Quando eu digo SOMOS IGUAIS”, escreveu a cantora, “é literal, de ponta a ponta.” Ela observou que ambos têm ascendência escocesa mista e compartilham um “vício em trabalhar”.
Eilish disse que ela e Zamiri também têm essa mesma intimidade. “Gêmeos separados no nascimento”, escreveu por e-mail. “Não acredito que houve um tempo em que eu não o conhecia.”
Chalamet chamou Zamiri de “espírito afim”. “Desde o início, vi alguém cuja paixão e entusiasmo combinavam com os meus”, disse o ator, “e que também podia conversar sobre cultura, desde o Nintendo Wii até músicas como “Poker Face”, da Lady Gaga, “Fireflies”, do Owl City, e “I Gotta Feeling”, dos Black Eyed Peas.”
“Nossas referências culturais são literalmente as mesmas”, completou Chalamet. “É muito legal ver alguém que, digamos, se formou na ‘Universidade do Tumblr’ ser tão bom.”
O rapper Yung Lean também afirmou que ele e Zamiri compartilham gostos culturais parecidos — incluindo videoclipes de Blink-182, G-Unit, Dipset e Gwen Stefani.
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Em conversa, Zamiri menciona tanto artistas como Laure Prouvost e Tino Sehgal quanto filmes como “Ratatouille” ou dramaturgos escoceses como Alasdair Gray e John Byrne. Ele admira diretores como Spike Jonze, Michel Gondry e Charlie Kaufman no cinema, e Chris Cunningham e Stéphane Sednaoui nos videoclipes.
“Eu estou constantemente digerindo tudo isso”, disse Zamiri, “mantendo as comportas abertas para que arte erudita, cultura popular, vício de internet e academia fluam juntos.”
Ele estudou design gráfico na Central Saint Martins, em Londres, onde escreveu sua monografia sobre Justin Bieber e o arquétipo do ídolo adolescente masculino. (“Eu simplesmente continuava me distraindo com entrevistas do Justin Bieber”, explicou sobre a escolha do tema.) Um de seus primeiros trabalhos foi filmar Victoria Beckham viajando com a família pela Europa e Oriente Médio.
Depois vieram videoclipes para artistas britânicos como Shygirl, Raye, PinkPantheress e Kate Nash. Então, Zamiri conheceu Caroline Polachek, com quem mantém sua parceria criativa mais longa. O primeiro projeto da dupla foi um ensaio fotográfico para o álbum “Desire”, I Want to Turn Into You.
“Fizemos tanta coisa desde então, mas o destino já estava traçado naquele primeiro ensaio”, disse Polachek, cujo jantar de aniversário em 2022 foi onde Zamiri e Charli XCX se aproximaram de vez.
Ele contou que um dos aspectos mais difíceis do último ano foram os momentos de silêncio — como quando voltava para seu apartamento em reforma no East End de Londres após semanas viajando com Charli XCX. “Tudo o que eu fazia era tão extremo e intenso, tudo acontecendo ao mesmo tempo”, disse. “No apartamento, sozinho, eu ficava profundamente, profundamente deprimido.”
Com o ritmo de vida acelerado, às vezes ele evita situações que o afastariam do foco no trabalho — como ligações da mãe. “Eu não quero atender”, disse. “Fico tipo: para de me fazer lembrar que sou uma pessoa. Estou tentando ser um Tesla Cybertruck agora, um carro automático.”
Zamiri também não volta à Escócia há algum tempo. “Sinto que, não importa o quanto você faça, quando volta pra casa ainda é o mesmo garotinho”, disse. “Tive uma infância feliz. Mas há um certo desejo ali. Algo em busca.”
Ele acrescentou que, como alguém que “nunca soube realmente quem é”, seu trabalho moldando a imagem de megastars o ajuda a se aproximar dessa resposta.
“Ajudar alguém a se tornar a versão mais extrema e autêntica de si mesmo me deixa muito feliz”, afirmou.
“Você está sempre procurando um reflexo de si mesmo nos olhos dos outros”, completou. “O gratificante de ter um corpo de trabalho que as pessoas entendem é que elas me dizem quem eu sou. Se faço algo e as pessoas reagem, penso: legal, deve ser isso.”

