Em mais uma tentativa de colocar ordem no espaço mais democrático da cidade, a prefeitura do Rio começou a instalar, pela orla de Copacabana, as primeiras das 250 placas que detalham as proibições em vigor, ainda amplamente burladas por comerciantes e frequentadores. A sinalização, que contém um QR Code que leva a um site com uma lista das regras válidas para as praias, estreia no mesmo momento em que passa a valer a flexibilização do uso de recipientes de vidro. Segundo decreto assinado pelo prefeito Eduardo Paes, publicado na última quarta-feira, os barraqueiros podem usar garrafas de vidro de bebidas destiladas para preparar caipirinhas, caipifrutas e caipivodcas, desde que dentro das tendas. Até então, a permissão valia apenas para os quiosques.
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Do alto, a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) conta com pelo menos dois drones e 21 câmeras de longo alcance (chamadas de “superzoom”), para acompanhar o fluxo de pessoas nas praias, assim como fiscalizar irregularidades. A estrutura integra o aparato da Operação Verão, iniciada em setembro.
— A gente traz este ano tecnologia para as fiscalizações necessárias, como por exemplo ambulantes ilegais na areia, flanelinhas. Vamos utilizar drones, que vão ajudar bastante — detalha Marcus Belchior, secretário de Ordem Pública, sobre a atuação do Leme ao Pontal. — A operação acontece todos os dias, mas é intensificada e dimensionada nos fins de semana e feriados.
Em dias de praias cheias, a pasta conta com mil agentes. Duzentos deles ficam em Copacabana, para, por exemplo, acompanhar no local o cumprimento (ou não) das regras estabelecidas pelo município.
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Apesar do reforço dos equipamentos e dos agentes, O GLOBO percorreu, nesta sexta-feira, praias da Zona Sul e viu que, a poucos metros das placas recém-instaladas, não é difícil encontrar consumo em garrafa de vidro, caixas de som e comércio não-autorizado, justamente as proibições mencionadas na sinalização, como no Posto 6 de Copacabana. Por lá, um grupo de turistas paulistas — composto por Everton Vieira, Bruna Barreto, Cauêt Ramos, Maria Eduarda Ximenes e Alan Machado — consumia cerveja no recipiente proibido.
— Não vimos as placas, e ninguém nos avisou. Agora vamos evitar trazer garrafas de vidro — conta Everton, que também se diz surpreso com a proibição dos espetinhos. — Nós compramos ontem (quinta-feira), estamos zerando a cartela do “bingo de vacilos” (risos).
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Enquanto o público se acostuma com as regras, tem gente com motivos para comemorar, como Ivan Andrade, proprietário da Barraca da Paz 169, em Copacabana. Durante o período de proibição, ele revela que recorreu a cachaças em embalagem PET, mas precisou suspender o uso de gim e uísque por só encontrá-los em garrafas de vidro.
— Os clientes pediam e, como não tinha, eles ligavam para o delivery e bebiam (em garrafas de vidro). Só proibiram a gente, o banhista seguia igual — reclama Ivan.
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Segundo a prefeitura, a permissão do vidro nas barracas tem relação com um alerta em relação à contaminação por metanol. As garrafas de vidro facilitariam a fiscalização. A nota fiscal das bebidas deve ser guardada pelos barraqueiros, para controle de clientes e da Seop.
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Mesmo diante da proibição, o vendedor Luiz Cláudio Gomes percorre a areia oferecendo caixinhas de som.
— É só um “sonzinho”, não agride tanto o ouvido — argumenta o ambulante. — Som ambientezinho não faz mal a ninguém.
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Também pela areia, os banhistas se deparam com a oferta de camarão em espetos, o que não é permitido. Carlos Pereira, que se identifica como porta-voz dos vendedores de camarão da região e sonha com o reconhecimento da prática como patrimônio da cidade, calcula que a proibição prejudique 4 mil famílias. E reclama de abordagens da fiscalização:
— A prefeitura implicou por causa do palito. O nosso é feito de bambu e não tem ponta. Mesmo assim, a gente recolhe e descarta da forma correta.
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Turista de Curitiba, Mara Ribeiro conta que quase pisou em um espetinho fincado na areia. Ela lamenta a falta de educação dos consumidores.
— A questão é da população mesmo, que não tem a consciência de recolher o que consumiu. Quando vamos à praia, sempre levamos uma sacolinha para o lixo — detalha.
Sem conseguir acabar com essa farra, a Seop informa que vem criando regras e decretos, além de fiscalizar de forma contínua. Nos dois primeiros meses de Operação Verão, 394 multas foram aplicadas aos barraqueiros por alguma irregularidade. Mais de 2 mil garrafas de vidro foram recolhidas. Nesta sexta, em Ipanema, O GLOBO flagrou o momento em que agentes apreenderam garrafas de vidro do ambulante Alex Gomes, que vendia bebidas em um carrinho no calçadão.
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Em caso de desrespeito às regras, as mercadorias podem ser apreendidas. Para barraqueiros e ambulantes autorizados, pode haver ainda multa e perda da licença. O consumidor, por sua vez, recebe orientações dos agentes se desrespeitar as regras.
A partir deste sábado, a prefeitura passa a controlar o acesso de carros à Praia de Grumari e à Prainha, na Zona Sudoeste, no horário de pico (entre 8h e 15h). Nesse período, após o total de 800 vagas disponíveis ser ocupado, a entrada de veículos será fechada nos cruzamentos entre as estradas da Guanabara e do Pontal, e entre as estradas de Grumari e Roberto Burle Marx.
Já em Copacabana, haverá proibição de estacionamento na faixa da esquerda da Avenida Nossa Senhora de Copacabana aos fins de semana. A medida vale até 6 de março de 2026. Segundo a CET-Rio, o objetivo é aumentar a capacidade de escoamento da via. Nos dias úteis, o estacionamento no local segue autorizado entre 21h e 6h do dia seguinte.
Com aviso de ressaca para esta sexta-feira, a ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, foi fechada: as ondas passaram dos dois metros de altura. Ao longo do dia, no estado, os bombeiros fizeram 17 resgates no mar.
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- Vendedores ambulantes licenciados;
- Apresentações com música em quiosques (entre 12h e 22h);
- Faixa padronizada com nome e número das barracas. Elas devem ter 3 metros de largura, por 0,4 metro de altura, no alto das barracas;
- Venda de garrafas de vidro nos quiosques;
- Uso de garrafas de vidro de bebidas destiladas para preparar caipirinhas, caipifrutas e caipivodcas, desde que dentro das barracas;
- Uso de guarda-sóis e cadeiras de praia;
- Prática de atividades físicas;
- Práticas esportivas nas áreas designadas;
- Escolinhas e atividades esportivas autorizadas.
- Comércio ambulante sem autorização da prefeitura;
- Utilização de caixas de som;
- Venda e consumo em garrafas de vidro na areia;
- Circulação e estacionamento de ciclomotores (como são nomeadas aquelas bicicletas motorizadas) no calçadão;
- Comercialização de alimentos em palitos, como churrasquinho, camarão e queijo coalho, assim como de outros que necessitem de gás (como o milho cozido) ou carvão para o preparo;
- Uso de estruturas móveis de comércio ambulante, como carrocinhas de alimentos, sem autorização expressa do município;
- Acampamentos improvisados;
- Hasteamento de bandeiras em mastros;
- Praticar comércio abusivo ou enganoso, como abordagens insistentes e constrangedoras;
- Exploração de marcas, logotipos, slogans ou qualquer outra forma de identidade mercadológica pelas barracas.
*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef.

