Os conflitos violentos na província de Sweida, no sul da Síria, deixaram mais de 1.260 mortos antes da entrada em vigor de um cessar-fogo no domingo, de acordo com um novo balanço divulgado nesta segunda-feira pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A organização afirmou ter documentado outras mortes ocorridas antes da entrada em vigor da trégua. Entre os mortos estavam 505 combatentes drusos e 298 civis drusos, dos quais 194 foram “sumariamente executados por membros dos Ministérios da Defesa e do Interior”.
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O balanço também inclui 408 membros das forças de segurança do governo e 35 beduínos sunitas, incluindo três civis “sumariamente executados por combatentes drusos”. Além disso, 15 soldados do governo morreram em ataques israelenses, segundo o OSDH.
Como parte do acordo, o governo sírio disse que estava retirando centenas de famílias tribais beduínas da área nesta segunda, após mais de uma semana de confrontos mortais. Além disso, o governo disse que havia destacado forças de segurança por toda a província para proteger a área e os civis.
Os confrontos entre grupos armados de tribos beduínas e a minoria religiosa drusa eclodiram no início deste mês e renovaram os temores de violência sectária generalizada e ataques contra minorias religiosas. A violência também atraiu o vizinho Israel, que realizou vários ataques aéreos contra alvos do governo sírio na capital, Damasco, dizendo que estava agindo para proteger os drusos.
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No sábado, o governo sírio anunciou o acordo de cessar-fogo e realocou forças para Sweida, após uma breve retirada da província, para conter novos confrontos entre os dois lados. Um acordo de cessar-fogo havia sido anunciado na quarta-feira, mas os confrontos continuaram.
Em um discurso televisionado no sábado, o presidente interino Ahmed al-Shara da Síria descreveu o recente derramamento de sangue como um “ponto de virada perigoso” para sua nação. Ele disse que “a intervenção israelense empurrou o país para uma fase perigosa que representa uma ameaça à sua estabilidade”.
A situação permaneceu tensa mesmo quando famílias beduínas deixaram a província em veículos particulares e em ônibus do governo, enquanto combates esporádicos continuaram nesta segunda-feira, de acordo com a OSDH.
O governo sírio informou que as famílias que estavam sendo retiradas ficaram presas na capital da província. Elas estavam sendo levadas para a província vizinha de Daraa.
— Afirmamos nosso total compromisso em garantir a saída de todos aqueles que desejam deixar a província de Sweida e ofereceremos a possibilidade de entrada para aqueles que desejarem — disse o brigadeiro-general Ahmad al-Dalati, comandante das Forças de Segurança Interna em Sweida, segundo a mídia estatal.
O general al-Dalati disse que um cordão de segurança foi imposto ao redor de Sweida para proteger a área depois que grupos armados tribais de outras partes da Síria chegaram à província para participar dos confrontos.
Um porta-voz do Ministério do Interior, Noureddine al-Baba, disse que o governo estava forçando famílias beduínas a partir para sua própria segurança porque elas haviam se envolvido na violência entre os grupos armados.
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— Isso os transformou em reféns em suas próprias áreas — disse al-Baba. — E retardou a movimentação das forças governamentais em terra.
Ele descreveu o conflito entre as tribos drusas e beduínas na área como algo que remonta a décadas e gira em torno de direitos à terra.
Com New York Times e AFP.