A Assembleia Nacional da Nicarágua aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, uma reforma constitucional que proíbe a participação de opositores nas eleições, a pedido do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, informou o Legislativo, controlado pelo governista partido de esquerda. A emenda também amplia o mandato presidencial de seis para sete anos, com possibilidade de prorrogação, e exclui das eleições aqueles que participem de “atos golpistas”, cometam “traição à pátria” ou solicitem uma “intervenção militar”.
Contexto: Ortega descarta novas eleições na Nicarágua, e OEA diz que país abandonou a democracia
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países
— Aprovadas por unanimidade — disse o líder parlamentar governista, Gustavo Porras, após a votação do texto completo.
Embora o projeto não tenha sido divulgado integralmente antes da votação, Porras havia antecipado que a reforma proibiria a participação de opositores considerados por Ortega como “golpistas” e “traidores”.
Initial plugin text
— Viemos entregar este exemplar da reforma parcial da Constituição, que aprovaremos hoje diante de seu mausoléu, sua catedral — afirmou Porras ao depositar o texto no túmulo do poeta nicaraguense Rubén Darío, na cidade de León, a 90 km a noroeste de Manágua.
Porras, do partido Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), anunciou nos últimos dias que, com a emenda constitucional, “não poderão ser candidatos a cargos eletivos nem poderão exercer cargos públicos (…) os golpistas” e “aqueles que tenham cometido atos que prejudiquem a independência, a soberania e a autodeterminação da Nicarágua”.
Veja também: Nicarágua encaminha proposta de reforma constitucional para barrar aplicação de resoluções internacionais
A reforma também excluirá aqueles que “vivem pedindo uma intervenção militar” dos EUA, que “aplaudem e pedem sanções para todos nós”, acrescentou Porras, em referência a opositores exilados.
Poder concentrado
Ortega, um ex-guerrilheiro de esquerda de 80 anos, e sua esposa e copresidenta, Rosario Murillo, de 75, governam com poder absoluto e forte controle sobre a sociedade, especialmente após os protestos de 2018, cuja repressão deixou mais de 300 mortos, segundo a ONU.
Entenda: Governo Lula diz que vê ‘com preocupação’ declaração de Ortega sobre fim das eleições na Nicaraguá
O casal presidencial, no poder há quase duas décadas, considera as manifestações uma “tentativa de golpe de Estado” patrocinada pelos Estados Unidos.
A reforma aprovada nesta terça ainda deverá ser ratificada em uma segunda legislatura, que terá início no começo de 2027.

