Na infância em Aracaju, Tori (nome artístico de Vitória Nogueira) ouvia arrocha e axé, como boa cria do Nordeste. E, agora, depois de levar sua verve sergipana para discos e palcos, transformou o arrocha em show. Embalada por uma temporada noites lotadas no Indecente Café, em julho, ela volta à casa de Santa Teresa aos sábados de setembro, começando no próximo dia 5. No setlist tem Calcinha Preta, Asas Morenas e até uma versão de Roberto Carlos. “A banda tem outros nordestinos e é um repertório que está entranhado na gente”, conta.
Cantora Tori
Elisa Maciel
Mas nem só do ritmo foi sua infância. Também ouviu muito Gal, Novos Baianos, Caetano. “Ganhei o disco ‘Transa’ na adolescência e me conectei com a galera da MPB”, lembra a cantora de 26 anos. De pequena, quis aprender a tocar piano por conta de uma novela, mas foi no violão que se encontrou. Pegou uma base técnica e seguiu investindo de forma autodidata. “Comecei a usar o violão para compor de maneira mais livre, sem muita técnica. Acredito que toco de uma forma muito pessoal”, diz ela, que gravou seu primeiro EP aos 16 anos.
Cantora Tori
Elisa Maciel
De lá para cá, formou bandas, lançou alguns discos e, depois de se formar em Ciências Sociais, resolveu se mudar para o Rio. Primeiro, veio para gravar um álbum em parceria com Bem Gil, Domenico Lancellotti e Bruno di Lullo, o “Descese” (2023). Depois, fez o “Areia e voz”, produzido com Domenico em 2025 e que terá lançamento em vinil no fim do ano, com shows na Casa de Francisca, em São Paulo (26 de novembro), e no Rival, no Rio (2 de dezembro). “Domenico foi a primeira pessoa com quem compus. Começamos pelo telefone”, comenta ela, que está sempre criando. “Minhas inspirações vêm no chuveiro, na cachoeira e até na garupa de uma moto”.
Cantora Tori
Elisa Maciel
Por sua vez, o cantor e compositor considera Tori uma “danada”. “Admiro demais seu talento e determinação. Muito boa instrumentista, cantora e compositora. É uma força da música brasileira, tal e qual uma Rosinha de Valença, uma Joyce, uma Fátima Guedes jovens”, elogia ele.

