Destino procurado por cerca de 300 mil brasileiros entre 2024 e 2025, um aumento de 18,9% em comparação ao período anterior, a Espanha vem batalhando para se firmar como um país que vai além da tradicional rota turística entre Madri e Barcelona. O desejo é celebrar, em especial, a região Norte, que compreende as regiões de Cantábria e Astúrias, com suas paisagens e naturezas exuberantes, cultura, história e boa gastronomia. Spoiler: vale muito o tour de pouco mais de 500 quilômetros percorridos em cinco dias.
O ponto de partida deste roteiro cheio de sabores especiais é Santander, a apenas 1 hora de avião da capital. Com ruas tranquilas, arborizadas e cercada pelo mar, a cidade de pouco mais de 175 mil habitantes ferve aos fins de semana entre o verão e o outono, quando famílias inteiras passeiam pelo calçadão. Além de praias bonitas e bem preservadas, como El Sardinero, Mataleñas e La Concha, Santander abriga o Centro Botín, museu e espaço cultural projetado pelo italiano Renzo Piano, responsável por modernizar toda a área do entorno. “A ideia era que a construção mantivesse a vista do horizonte. A altura do edifício é de 22 metros, a mesma da palmeira mais alta daqui”, diz a guia Elvira López.
E o circuito artístico da cidade deve ser ampliado. No ano que vem, a antiga sede do Banco de España dará lugar a um centro de exposições de arte do Reina Sofía, famoso museu em Madri.
DELÍCIA À MESA
Uma das boas surpresas de Santander é o restaurante Casona Del Judio. Comandado pelo chef Sergio Bastard, a casa — duas estrelas Michelin, sendo uma delas a verde, que reconhece práticas de gastronomia sustentável e eco-responsáveis — oferece o menu degustação com sete tempos (€ 120) e pratos típicos do país com uma releitura descolada. É o caso do pichón (carne de pombo jovem) com aspargos marinhos e a lula curada na salmoura com macaron de alho preto. “Estou à frente do Casona há 14 anos, e no meu trabalho, respeito muito a terra e os alimentos. A rotina é puxada e tive apenas um dia para celebrar a estrela verde”, brinca Bastard. “Entendi que é uma responsabilidade, quero melhorar a cada dia, mas não me sinto pressionado.”
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A gastronomia apurada segue na região de San Roque de Riomiera, povoado de 400 habitantes onde reinam, nas colinas, a paz e o silêncio, interrompido apenas pelo mugido das vacas que pastam por ali. Se a ideia é passar um dia como um morador local, a queijaria La Lleldiría é a melhor opção. Localizada em uma charmosa casa de madeira, o casal proprietário Aitor Lobato e Sarah Hart reúne amigos e clientes para degustações especiais e recitais de poesia. “Além de queijos, fazemos outros produtos como licores e fermentados. Nossos embutidos são de produtores locais, e tudo é criado da maneira mais sustentável possível”, afirma Lobato.
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AS CORES DE GAUDÍ
No centro do povoado de Comillas, o viajante se depara com uma joia arquitetônica: O Capricho de Gaudí. A residência de 720 metros quadrados foi criada entre 1883 e 1885 pelo catalão Antoni Gaudí (1852-1926) para o advogado Máximo Díaz de Quijan, falecido antes do fim da obra. Cada ângulo foi projetado priorizando a entrada do sol pelas frestas das inúmeras janelas. Na parte externa, azulejos de girassóis contornam as colunas e as paredes. “É um Gaudí mais moderno, marcado por um lado naturalista, com animais, flores. Foi um capricho para o dono”, conta o guia Aldo Alonso. A natureza se faz ainda mais presente do céu ao mar: ao chegar à paradisíaca Llastres, situada no Mar Cantábrico, a vista é de cair o queixo. A vida do vilarejo asturiano de 1.159 habitantes gira em torno de redes, barcos, pequenas capelas e casas históricas.
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HOSPITALIDADE E CONFORTO
A região Norte da Espanha é dominada por pequeníssimos “pueblos”, como Cangas de Onís, Santoña, Liérganes, Santillana del Mar, Fuente Dé e, em especial, Bulnes. Este é o menor vilarejo do país, com apenas 17 habitantes, cercado pelos Picos da Europa, sete bares e um pequeno rio. Para chegar lá, há duas opções: caminhar uma hora por uma trilha estreita ou embarcar em uma viagem de oito minutos pelo funicular subterrâneo.
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Embora não existam hospedagens de alto luxo, a rede Paradores, com cerca de 97 hotéis pela Espanha, é a mais confortável para pequenas estadias (€ 145 a diária, em média, no verão). “É uma cadeia pública que existe há quase 100 anos. Promovemos as atrações do país, já que estamos localizados em cidades históricas”, explica o diretor da unidade de Cangas de Onís, Ignacio Bosch García. “Nossos hóspedes geralmente vêm em família e estão interessados em um turismo tranquilo, cultural, educativo e relaxante”, finaliza ele.
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*A repórter viajou a convite da Turespaña

