Chineses que estão no Rio para a Cúpula do Brics pediram um roteiro sem Cristo Redentor a autoridades responsáveis pelo turismo na cidade: já conhecem uma das sétimas maravilhas do mundo e não querem repeteco. Russos reservaram, para hoje à noite, um barzinho moderno e sofisticado bem perto do furdúncio da Arnaldo Quintela, rua entre as mais legais do mundo, em Botafogo. Vietnamitas exigiram distância de locais que atraem grande público, como a Região Central e a Zona Sul. Rumaram, então, para a Zona Oeste, longe do fervo e dos curiosos. O oposto do que mirou a comitiva dos Emirados Árabes Unidos, país agregado ao bloco em 2024: a delegação esbanja no Fasano, hotel de Ipanema conhecido pelo luxo e por já ter acomodado dezenas de celebridades.
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A capital do Rio, que em maio recebeu milhares de fãs para ver Lady Gaga e que em junho foi explorada por uma multidão de maratonistas, volta a diversificar seus visitantes. O Aeroporto Internacional Tom Jobim prevê que 299 mil passageiros cheguem à cidade até a próxima segunda; 79 mil só em voos internacionais.
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Além das comitivas de países originalmente integrantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), vêm aí representantes de parceiros como Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão, Egito, Etiópia, Irã, Indonésia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além de países convidados. A cidade ganha, outra vez no ano, visibilidade internacional.
— Mais do que um impacto imediato, a cúpula também é vista como uma oportunidade de reposicionar o Rio como destino turístico de alto padrão nos mercados emissores. Com a exposição gerada pela cúpula, que inclui cobertura midiática, recepção oficial e experiências culturais, a cidade se projeta como uma vitrine para novos visitantes e investidores do setor — diz Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO. — Há opções desde os hotéis de luxo para os russos ao turismo histórico que os indianos valorizam.
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Peculiaridades de cada comitiva se refletem nas escolhas de hospedagem e também nas culturais e gastronômicas. Ontem à noite, um jantar no tijucano China Town, restaurante de culinária tradicional chinesa e centro cultural, recebeu o Li Zhi, prefeito de Yueyang, cidade da província de Hunan, e outras autoridades chinesas. No cardápio, oito pratos: da tilápia à moda chinesa ao bifum com carne, passando pela acelga e pelo tofu frito com carne, além de camarão VG.
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— É comum que os chineses visitem restaurantes que tragam opções que eles apreciam no dia a dia. Mas, ultimamente, os que vêm ao Rio também pedem para conhecer churrascarias com rodízio, um serviço pouco comum no seu país, e casas com estrela Michelin — diz a gerente de uma agência que há 30 anos recebe chineses na cidade.
Outros chineses também visitarão, nos próximos dias, o estrelado Lasai, no Humaitá, e restaurantes que ofereçam caipirinhas exóticas como as de seriguela, graviola, carambola, fruta do conde e ou as que levam pimenta.
Executivas que vieram para o Woman Brics, evento de negócios com mais de 250 reuniões no Museu de Arte do Rio — também visitaram outros museus. Sulafricanas foram ao Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, na Praça Tiradentes, no Centro, e representantes de Brasil, Oriente Médio e Ásia estarão, amanhã, num desfile temático no Copacabana Palace.
Ontem à noite, um jantar cujo convite levava o nome do prefeito Eduardo Paes e do ministro da Economia, Fernando Haddad, foi oferecido a 300 pessoas no Roxy, em Copacabana. No dinner show, o presidente Lula, ministros de seu governo, a ex-presidente Dilma Rousseff e representantes de delegações estrangeiras assistiram ao espetáculo com músicas das cinco regiões brasileiras e degustaram pratos brasileiros assinados pelo chef Danilo Parah.
Tiago Moura, presidente do Polo Gastronômico da Zona Sul, é um dos cicerones de autoridades internacionais na cidade e deve levar os visitantes também ao Baixo Gávea, ao Jardim Botânico e a Botafogo. Copacabana, figurinha já carimbada para muitos dos visitantes, saiu do roteiro assim como o Cristo.
Delegações de Rússia e Vietnã priorizaram exigências de segurança. A que mais chama atenção pede para que autoridades brasileiras evitem rotas por túneis. Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), explica:
— Naturalmente, toda a cúpula desse porte é marcada por um rigorosíssimo esquema de segurança. Se o visitante tem um contexto mais especial, como é o caso da Rússia, em guerra, há ainda mais sensibilidade.