
Uma das maiores sensações da música alternativa latina no mundo (19 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 5,8 milhões de seguidores no Instagram), a chilena radicada no México Norma Monserrat Bustamante Laferte — conhecida como Mon Laferte — chega a São Paulo no próximo dia 16 para um show único, do seu elogiado álbum “Femme Fatale”, no Espaço Unimed. Ela reconhece a façanha.
— Sinto que o Brasil é inatingível para mim, tenho consciência de que é um mercado muito difícil, também por causa do idioma, embora eu ouça dizer que a música em espanhol está sendo mais ouvida agora no mundo — diz essa admiradora de Chico Buarque e de Caetano Veloso. — Em todas as playlists que crio para me inspirar para meus álbuns, sempre tem algo do Brasil.
“Femme Fatale”, ela explica, “não é propriamente um álbum de jazz, mas algo mais próximo do universo do jazz”. E se vale, no título, de um clássico estereótipo associado às mulheres cruéis e perigosas, mas cheias de glamour, da Hollywood em preto e branco. Ela admite, aliás, que muitas vezes a chamaram de Femme Fatale:
— Gosto de pensar que essas mulheres foram historicamente rotuladas assim porque são muito confiantes e livres. Nos anos 1940 e 1950, as femmes fatales eram sexualmente liberadas, fumavam e eram consideradas iguais aos homens. Gosto de ser considerada perigosa porque sou livre!
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Sobre as letras do disco, quase todas em espanhol, Mon Laferte conta que “gostaria de dizer que nem todas são inteiramente autobiográficas, mas a verdade é que são”. Em “Vida normal”, que encerra o disco, ela trata de bipolaridade.
— Sim, fui diagnosticada há algum tempo com transtorno bipolar, e falo sobre isso, sobre o dia a dia de uma mulher de meia-idade, na casa dos 40, sobre a maternidade, sobre como é essa vida de artista popular — diz. — Tento ter uma vida normal, então tenho semanas com muitos contrastes, como acordar um dia, levar meu filho para a escola, buscá-lo e ter reuniões de pais e professores na escola, e na semana seguinte sair em turnê. Essa é a vida de uma pessoa bipolar.
Vingancinha
A cantora diz que as músicas em “Femme Fatale” têm mais a ver com “cura pessoal” do que com vingança. Mas não muito mais.
— Muitas vezes compus músicas para ex-namorados, sabendo que seriam tocadas em todos os lugares e que eram diretamente para eles, então a música estaria lá para elas ouvirem o tempo todo — provoca. — E certa vez mandei colocar um pôster gigante anunciando meu novo álbum na frente do apartamento do meu ex! (risos)
Em “Hasta que nos despierte la soledad”, ela canta com o brasileiro Tiago Iorc, que conheceu num Grammy Latino (“era uma música no universo de Chet Baker, que ficou linda na voz do Tiago, espero que ele possa se juntar a mim no show!”, torce) e em “My one and only love” se uniu às estrelas mexicanas do pop alternativo Natalia Lafourcade e Silvana Estrada.
— Sempre quando eu tentava tocar em um festival, diziam: “Não, já tem uma mulher na programação.” E tinham umas dez bandas só de homens — recorda-se. — Mas isso mudou. E agora que podemos todas tocar, percebemos que podemos colaborar de verdade. Era um sonho que eu tinha há muito tempo, de cantarmos juntas! E nunca conseguimos. Finalmente, consegui reunir as duas no meu álbum!
Depois de muito ponderar, a chilena decidiu que, entre julho e novembro, fará uma extensa turnê de “Femme Fatale” pelos EUA:
— Sim, tenho sentimentos contraditórios por causa de todas as dificuldades (dos latinos) nos EUA, mas, por outro lado, sinto que vou fazer algo de bom. É algo que me preocupa, ficar longe de casa por tanto tempo, mas adoro estar no palco e gosto de poder levar esses momentos de alegria para as pessoas.
