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O FP-5 Flamingo, um míssil de cruzeiro desenvolvido pela startup Fire Point, é capaz de carregar uma ogiva de 1.115 kg a até 3 mil km de distância. Um projeto desenvolvido em tempo recorde, para atender as necessidades ucranianas de não apenas se defender contra os russos, mas também para levar a guerra ao país vizinho.
— Nós o criamos bem rápido. Levamos menos de nove meses para desenvolvê-lo, desde a ideia até os primeiros testes bem-sucedidos no campo de batalha. Não vou falar sobre a velocidade exata, mas posso dizer que é mais rápido do que todos os outros mísseis que temos atualmente — disse, em entrevista ao portal Politico Europa, Iryna Terekh, presidente e diretora técnica da Fire Point. — É totalmente fabricado na Ucrânia.
Criada em 2022, a Fire Point seguiu um roteiro mais do que recorrente na Ucrânia pós-guerra: uma pequena empresa, por vezes montada em garagens, que começa a desenvolver drones para serem usados pelas tropas ucranianas contra os russos. Desde modelos simples, de monitoramento, até veículos mortais, capazes de levar cargas explosivas. Hoje, são centenas de empresas de drones, que já renderam à Ucrânia o apelido de “Vale do Silício da Defesa”.
— As pessoas querem resultados; elas querem ver a Praça Vermelha em chamas — disse Terekh ao Politico Europa. — Fundamos nossa empresa em resposta à agressão da Rússia, mas não temos intenções agressivas; estamos prontos para proteger nossa soberania.
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Um desenvolvimento surgido da necessidade. Desde fevereiro de 2022, quando Putin invadiu a Ucrânia, Kiev se queixa que o volume de ajuda militar fornecida pelos países ocidentais não é suficiente para enfrentar o Exército russo. Além de sistemas de defesa aérea, os ucranianos querem meios de causar estragos dentro da Rússia — uma tarefa que vinha sendo relegada aos drones, responsáveis por ações ousadas nos últimos anos.
Mas a Fire Point resolveu ir além, e decidiu desenvolver um míssil de cruzeiro a ser empregado pelos ucranianos contra a Rússia. Segundo especialistas, o Flamingo tem potencial para ser ainda mais eficaz do que o mais conhecido míssil de cruzeiro do planeta, o Tomahawk, desenvolvido pela americana General Dynamics, com o dobro da autonomia de voo e de capacidade de carga.
— Os testes deste míssil foram bem-sucedidos. E, até agora, é o míssil mais bem-sucedido que temos: ele voa por 3 mil quilômetros, o que é importante. Acredito que não podemos falar muito sobre ele até que possamos usar centenas de mísseis — afirmou, em conversa com jornalistas na quinta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
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Em declarações à agência Associated Press (AP), a Fire Point afirmou ser capaz de construir um míssil por dia, e planeja chegar a sete até outubro. Para o futuro, os planos são mais ousados, com até 200 mísseis por mês saindo da fábrica.
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A escolha do nome Flamingo também não foi por acaso.
— Nossos primeiros mísseis eram rosa; eles passaram em todos os testes na cor rosa, mas depois tivemos que mudar de cor por causa dos requisitos de camuflagem militar. Mas as mulheres responsáveis pela produção ainda estão lá. Um toque feminino nos mísseis — disse Terekh ao Politico Europa. — Não é preciso um nome assustador para um míssil que pode voar 3 mil quilômetros. O objetivo principal é que um míssil seja eficaz.
O novo armamento não foi ignorado por Moscou. Na terça-feira, um artigo da agência estatal Tass questionou se o Flamingo foi criado do zero, e não copiado de modelos já existentes, duvidou da capacidade de produção em massa e afirmou, citando um analista militar, que ele “mascarava o fracasso da indústria militar ucraniana”. Um fracasso, segundo o especialista, acelerado pelos bombardeios russos.
