A principal prova da Maratona do Rio, os 42k, que será disputada neste domingo, a partir das 5 horas, contará com o seu principal personagem até aqui: o queniano Josphat Kiprotich, atual bicampeão e recordista da prova. No ano passado, ele venceu a distância com a marca de 2h2min35. A maratona reunirá 15 mil pessoas e a largada será realizada em ondas: serão 15 no total, com a última saindo às 6h10. Neste sábado, a prova será a de 21 km, para cerca de 25 mil inscritos.
A missão de Kiprotich, tanto para manter o título como manter ou quebrar o recorde, não será nada fácil. Isso porque quatro dos seus adversários nesta prova já correram abaixo desta marca. E nessa lista tem um brasileiro: o etíope Yemane Tsegay Adhane (2h07min17 em Barcelona, 2021), o queniano Joshua Kipkemboi Kogo (2h08min01 em Roma, 2025), o marroquino Mohamed El Ghazouany (2h09min01 em Valencia, 2024) e o paulista Ederson Vilela Pereira (2h12min29 em Sevilha, 2024). Ex-recordista e bicampeão da Maratona do Rio (2021/2022), o pernambucano Justino Pedro da Silva é mais um na elite que buscará recuperar seu lugar no topo do pódio.
Ederson foi o melhor brasileiro na última Maratona do Rio, logo na sua estreia no evento. Ficou em quarto, com 2h16min26. À época disse que havia sido feliz na tática: fez a primeira metade da prova “de forma conservadora para ir buscando na segunda parte”.
— A verdade é que a tática é muito ali, do momento. Não sei ainda o que farei. Muitas vezes defino na hora, na largada — disse Ederson, que afirma que uma coisa é certa: —Para estar no pódio, não posso perder os africanos de vista. A prova será bem forte, então é aquilo: preciso manter uma distância próxima deles ou correr junto. E tudo pode acontecer em uma maratona. Nada impede de vencer, mesmo buscando até o quilômetro 35. O importante é estar bem condicionado e treinado.
Em 2025, Ederson também foi o melhor do país na Maratona de São Paulo. Cruzou a linha de chegada em quarto lugar (2h18min52). Recentemente, foi o campeão da Meia Maratona de Maricá (1h04min08) e vice-campeão na Meia Maratona de Porto Alegre (1h04min08) e nos 10k da Corrida de Tiradentes.
Ederson mora e treina em Caçapava, cidade do Vale do Paraíba, em São Paulo. Ele explica que após ganhar a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de Lima, em 2019, na prova dos 10.000 metros, passou a se dedicar às maratonas. No ano passado competiu em seis, tendo feito o melhor tempo da carreira na prova de Sevilla, na Espanha, em fevereiro, com 2h12min32 (pace 3min08).
— No Rio eu quero me manter no pódio, figurar entre os melhores. Estou tendo uma boa temporada de provas, venci a Meia Maratona de Maricá que estava forte, com estrangeiros e bons africanos, e agora chego ao Rio bem preparado — disse Ederson, que quer baixar seu tempo em relação à Maratona do São Paulo. — No Rio o percurso é mais plano, mais rápido. A meta é essa, estar melhor sempre.
Ederson tem 2h18min52 na Maratona de São Paulo. Essa foi a sua primeira e única prova de 42km no ano. Ele conta que treina de segunda a segunda, descansa a cada quinze dias. Faz entre 160 a 200 km por semana. Os longões de final de semana são de 35 quilômetros.
Seus treinos são realizados em dois períodos, todos na rua ou pista (vai para Taubaté onde tem uma pista oficial). Ele não usa esteira. Duas vezes na semana faz musculação e massagem. Todos os dias inclui na rotina sessões de alongamento e mobilidade.
Disse que gosta de fazer quilometragem mas também treinos intervalados, sessões de exercícios que alternam períodos de esforço intenso com períodos de descanso. Ele faz os “tiros” duas vezes na semana. E quando está na véspera de uma prova de 10.000 metros, por exemplo, o pace nestes treinos ficam abaixo de 3 minutos.
— Eu mantenho o volume alto durante o ano inteiro, meus treinos são regulares e não faço algo específico para cada prova. Vai de cada um.
Em relação às mulheres, são três as concorrentes na elite da Maratona do Rio que já completaram os 42 km com tempo menor do que o recorde da prova de 2h34min33, estabelecido pela etíope Kebebush Yisma Zewode Mariam, em 2022.
São elas a etíope Zinash Debebe Getachew (2h27min02 Madri, 2025), a queniana Rael Cherop Boiyo (2h29min15 em Linz, 2025) e a argentina Marcela Cristina Gomez Cordeiro (2h34min03 em Valencia, 2023).
Outras corredoras que prometem grande desempenho são a queniana Naum Jepchirchir e a mineira Amanda Aparecida de Oliveira, vice-campeã da prova no ano passado.
A maratona terá largada e chegada no Aterro do Flamengo e teve a volta no Museu do Amanhã retirada por causa de um outro evento que acontecerá no local. Em substituição, foi incluído um trecho de ida e volta nas avenidas Alfredo Agache e General Justo, nas proximidades do Museu Histórico Nacional.