Localizada na Chapada da Diamantina (BA), a Uvva produz vinhos a 1.150m acima do nível do mar, em um clima tropical de altitute. Em visita ao Rio, o diretor técnico Marcelo Petroli explicou que, apesar de estar em uma região quente do país, a vinícola está em um local com microclima distinto de outros pontos:
— A Uvva está localizada na Bahia, mas a gente precisa desconectar o conceito de Bahia e do Nordeste com calor e temperaturas altas. Estamos no centro do estado, na Chapada Diamantina, uma região com média de 1.150 metros de altitude, que nos proporciona um clima classificado como tropical de altitude. Temos noites com temperaturas mais baixas, durante o dia sobe a temperatura. A característica dos nossos vinhos está muito relacionada a este terroir. Conectado também com a dupla poda e trazendo a nossa colheita para o inverno, julgamos ter condições ideais para a maturação das uvas.
Petroli destaca que o projeto da Uvva é de uma vinícola boutique:
— Sempre buscamos a excelência na produção. Não queremos larga escala. As produções são controladas em torno de 5 a 6 toneladas por hectare. Todo o nosso vinhedo tem orientação Norte-Sul para proporcionar uma maturação melhor das uvas com a insolação Leste-Oeste, que é o ideal. Todo o projeto foi concebido pensando em vinhos de qualidade, e seguimos isso fielmente nas programações de produtividade. Com a área que nós temos de vinhedo, poderíamos produzir muito mais garrafas, mas não teriam a entrega de hoje. Com certeza, não teria essa elegância, esses taninos maduros e sedosos que temos presente nos nossos vinhos.
Um dos vinhos apresentados foi um Viognier feito com colheita de inverno. Essa uva é plantada em dez hectares de uma região mais alta, assim como outras três variedades:
— Estamos no Centro da Bahia e nos beneficiamos da altitude. Esse projeto novo fica ainda mais alto, 1.280m de altitude. Nossas estações do ano são muito bem definidas. O período de chuva é no verão, no final de dezembro, janeiro, fevereiro, que seria o calendário de colheita tradicional. Sabemos que colheita de uva e chuvas não combinam. Estudamos a dupla poda que já acontecia em Minas e vimos que se adequaria muito bem ao nosso projeto. Tomamos então a decisão de podar o vinhedo duas vezes e produzir no inverno.
Marcelo Petroli destacou que a região registra 20 graus ou mais de amplitude térmica, o que permite uma maturação plena das uvas.
— Além da evolução dos açúcares, temos uma maturação fenólica completa. A evolução dos açúcares acontece com uma velocidade mais rápida que a fenólica, que é a degradação dos ácidos. Se nós tivéssemos só calor, teríamos um vinho com bastante graduação alcoólica E sem complexidade aromática, sem maturação fenólica. A noite fria do inverno desacelera a evolução dos açúcares e faz com que ela ande em paralelo à maturação fenólica. No final, julgamos ter a maturação completa dos açúcares e a degradação dos ácidos, a questão da maturação dos taninos. O perfil aromático é muito proveniente do clima. Por isso, optamos com dupla poda.
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O enólogo detalhou que a Vionier foi escolhida para aquela parcela porque se pensou que ela iria produzir vinhos mais elegantes:
— A gente entendeu que teria mais finesse combinaria perfeitamente com o terroir. E é o que vamos na taça. O Viognier 2024 tem bastante elegância em boca é muito equilibrado e integrado. A acidez presente traz frescor sem agredir o paladar.
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Outra novidade da Uvva é o Chardonnay 2023, que passa seis meses estagiando com as borras:
— O Chardonnay 2023 não tem passagem por barricas do carvalho, apenas inox. O grande diferencial dele é ter passado seis meses em sur lie para obter mais complexidade e ficar mais gordo, com mais volume de boca. Ele tem persistência. A gente percebe as camadas de aromas que ele tem, de frutas brancas, de caroço, além de um toque floral. Tem feito muito sucesso.
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O Bateia 2023 é um tinto com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Syrah. Seu nome é inspirado no instrumento que revelava os diamantes ocultos nos rios da Chapada Diamantina. Tem notas de frutas maduras. Metade do vinho amadureceu por seis meses em barricas.
— Esse blend da safra 2023 tem 56% Cabernet Sauvignon, 32% Cabernet Franc e 12% Syrah. A proposta é um vinho mais frutado, com um toque de pimenta rosa e notas sutis da madeira. É um vinho com corpo médio. Vinificamos as variedades em separado, compomos o blend e apenas 50% foi para em barricas de segundo e terceiro uso, para não marcar muito. Outros 50% permaneceram em inox. E deixa uma boa persistência em boca. Fazemos um volume bem interessante, de 69 mil garrafas.
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Com tiragem limitada de 4.900, o Syrah Microlote 2022 por 12 meses em barricas de carvalho francês de perfis distintos.
— O interessante do trabalho da Uvva é que a gente respeita muito os tempos dos vinhos, para que eles cheguem prontos ao consumidor. Mas quem quiser guardar também pode, porque tem potencial para isso. Esse é um Syrah que teve sua fruta preservada. Tem corpo médio e acidez preservada devido ao terroir de altitude. É um vinho bastante complexo, que vai abrindo em taça. Temos presente as notas de frutas, um toque de pimenta. O tanino é muito elegante também, muito macio.
Os vinhos podem ser comprados no site da Uvva. Os preços são Viognier (R$ 170); Chardonnay (R$ 170); Bateia (R$ 179); e Microlote Syrah 2022 (R$ 224).

