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conheça salão no subúrbio que recebe mulheres vítimas de violência e celebridades

BRCOM by BRCOM
junho 21, 2025
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Salão no Méier oferece apoio a vítimas de violência — Foto: Divulgação

Conhecido por receber celebridades como Gracyanne Barbosa, Roberta Close, Viviane Araújo, Valéria Valença, Dedé Santana e o atacante Pedro, do Flamengo, o salão Maison Meyer, no Méier, tornou-se também um porto seguro para mulheres em situação de vulnerabilidade. Por trás das escovas e tesouras está o hairstylist Eduard Fernandes — ou simplesmente Ed — que decidiu transformar seu ofício em uma missão social.

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— Já perdi a conta de quantas mulheres chegaram aqui com marcas no rosto ou no corpo e, aos poucos, revelaram que eram vítimas de violência — conta o cabeleireiro, que tem mais de 25 anos de carreira e já integrou o time do badalado salão Jacques Janine, em São Paulo.

A iniciativa de Ed integra o projeto Mãos Empenhadas contra a Violência, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que capacita profissionais da beleza a identificar sinais de abuso e orientar mulheres sobre seus direitos e as redes de proteção disponíveis. Segundo o comando da Patrulha Maria da Penha, de janeiro a abril deste ano foram registrados 36 casos de feminicídio no estado.

Salão no Méier oferece apoio a vítimas de violência — Foto: Divulgação

Ed começou a carreira no interior do Rio de Janeiro, mas foi em São Paulo que conquistou notoriedade entre os famosos. Atendeu nomes como Hebe Camargo e Sheila Mello e elencos inteiros de produções da TV Globo, como “Sai de baixo”. Com o tempo, porém, o desejo de voltar às origens falou mais alto.

— Quando cheguei à rodoviária, o primeiro ônibus que vi tinha como destino “Méier”. Tomei aquilo como um sinal — lembra, com emoção. — O bairro me acolheu de braços abertos. Já são mais de 20 anos aqui. Foi nesse chão que realizei tudo o que sonhei: construí minha clientela, fiz amigas e percebi que muitas mulheres buscavam algo que não estava no cardápio do salão. Escuta, apoio, esperança.

O talento e a discrição que o aproximaram das celebridades também fizeram com que muitas mulheres comuns se sentissem à vontade para confidenciar histórias delicadas. A percepção de que a cadeira do salão funcionava quase como um divã foi o ponto de partida para criar o Camarim Secreto.

— Transformei um antigo depósito num espaço íntimo, com apenas uma cadeira, espelhos e luz suave. É lá que escondo hematomas com maquiagem, mas principalmente ouço, acolho, oriento. Muitas mulheres já não se reconhecem no espelho. Meu papel é ajudá-las a se reencontrar — explica.

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Com o tempo, Ed aprendeu a identificar violências que não deixam marcas visíveis. Algumas mulheres chegam acompanhadas por parceiros controladores; outras vivem sob o jugo de filhos ou mães dominadoras. Há também aquelas que chegam sozinhas, mas trazem no olhar uma tristeza profunda.

— A violência não tem classe social. Já atendi mulheres ricas e influentes que sofriam caladas. Lembro de uma cliente linda, bem-sucedida, que começou a chegar mais quieta. O namorado passou a decidir tudo, do corte de cabelo à forma de pagamento. Ela deixou de ser ela. No camarim, incentivei-a a se libertar. Hoje, ela é executiva de uma multinacional e me agradece sempre que nos reencontramos — conta, orgulhoso.

Para Ed, a estética é apenas a porta de entrada. O verdadeiro trabalho acontece do lado de dentro:

— A beleza é o início da cura. Quando uma mulher volta a sorrir diante do espelho depois de tanto tempo, eu sei que cumpri minha missão. Como dizia dona Hebe: o cabeleireiro foi feito por Deus para trazer felicidade através da beleza.

A capacitação oferecida pelo Mãos Empenhadas contra a Violência é, segundo ele, essencial para que mais profissionais estejam preparados para agir com empatia e responsabilidade.

— O segredo está na escuta. A gente aprende a não forçar, mas a oferecer informação, mostrar caminhos. Às vezes, uma conversa já planta uma semente de transformação — afirma.

Ed também orienta suas clientes a procurarem serviços como os Cras, centros de apoio jurídico e psicológico, ou até mesmo casas-abrigo, sempre respeitando o tempo e a autonomia de cada mulher:

— O protagonismo é sempre dela. Eu apenas mostro que ela não está sozinha.

Segundo ele, a presença de personalidades no salão ajuda a dar visibilidade e a reforçar a confiança no trabalho social que realiza:

— Se uma celebridade vem ao meu salão no subúrbio, é porque tem algo de especial ali. Isso encoraja outras mulheres a se aproximarem. Meu maior sonho? Que o Camarim Secreto seja, um dia, desnecessário. E que a gente forme uma rede de salões-abrigo por toda a cidade.

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