A melhor chef mulher da América Latina é brasileira: Tassia Magalhães, paulista de Guaratinguetá, linda, elegante, talentosa. Ela comanda o Nelita, restaurante que alcançou a 12ª posição entre os 50 melhores da América Latina. Um detalhe singular: na cozinha, trabalham apenas mulheres. No salão, há um único homem — o marido e sócio, Danyel Steine, responsável pela carta de vinhos da casa.
Tassia não é novata. Soma 16 anos de profissão e é reconhecida pela dedicação, meticulosidade e apetite por conhecimento. Não por acaso, levou o prêmio de Best Female Chef da América Latina, concedido pelo Latin America’s 50 Best Restaurants, um dos títulos mais relevantes da gastronomia continental, que celebra mulheres com impacto significativo na cena gastronômica por sua visão, liderança e contribuição criativa.
Antes disso, já havia sido destaque na La Liste, tradicional lista francesa que aponta chefs e restaurantes de excelência, onde recebeu o New Talent Award 2024, dedicado a profissionais promissores que estão moldando o futuro da gastronomia.
Na noite de ontem, o Nelita alcançou a 12ª posição no Latin America’s 50 Best Restaurants, subindo 14 posições em relação a 2024 e 27 em comparação a 2022, ano em que estreou na lista com pouco mais de um ano de funcionamento.
Tassia também teve sua trajetória reconhecida pela Forbes Brasil, que a elegeu, em 2015, como uma das 30 Under 30, lista dos jovens brasileiros mais promissores em suas áreas. Aberto desde 2021, o Nelita — charmosa casa em Pinheiros — tem uma cozinha 100% feminina, onde a chef pratica uma culinária italiana autoral e de fine dining, inspirada na Itália, mas transformada por técnicas modernas e ingredientes brasileiros para criar contrastes de sabor, textura e cor.
Formou-se em gastronomia na Escola Senac Campos do Jordão, aos 19 anos, e em seguida viajou pela Europa, estagiando em restaurantes renomados, como o dinamarquês Geranium (três estrelas Michelin), o Kadeau (expoente da gastronomia nórdica), o Amass, além da confeitaria Summerbird.
Com fortes ligações com a cultura brasileira, a chef, de 36 anos, assinou um dos cardápios mais emblemáticos que já vi. Inspirou-se na tela “As três moças”, de Di Cavalcanti, seu conterrâneo do Vale do Paraíba. “Todos os pratos foram pensados nos tons da obra”, contou Tassia, que sempre questiona modismos e celebra a história da gastronomia por meio dos pratos que cria.
Foi a grande estrela brasileira da premiação latina, que incluiu 16 restaurantes brasileiros entre os 100 melhores da América Latina, entre eles dois do Rio: Lasai, de Rafa Costa e Silva (13º), e Oteque (38º).

