Localizada no coração do Alentejo, a Carmim Reguengos é uma das maiores vinícolas portuguesas, com 3 mil hectares de vinhedos. Criada em 1971 por um grupo de 60 viticultores, tem hoje cerca de mil associados. O enólogo Tiago Garcia conta que cerca de 70% da vinha é de uvas tintas.
— Isso é muito importante porque, hoje em dia, há muitos vinhos que se pensa que são portugueses, mas não são. E nós só produzimos exclusivamente o que é nosso. Procuramos sempre manter a identidade e focar nas variedades tradicionais — contou Garcia, em visita ao Rio.
Tiago Garcia apresentou três vinhos da Carmim. O Régia Colheita DOC Branco é elaborado com Antão Vaz e Arinto. O vinho estagia em carvalho:
— O vinho Régia Colheita foi lançado no início dos anos 1990. Foi um dos primeiros vinhos a usar a fermentação de barrica de carvalho. Na altura, foi uma inovação, porque pouca gente fazia, e a Carmim foi pioneira neste sentido.
O enólogo explicou que, anteriormente, o rótulo tinha outra composição:
— Usávamos normalmente Antão Vaz, que era sempre a base e outra casta mais tradicional. Atualmente, utilizamos principalmente Antão Vaz e Arinto. Antão Vaz é uma variedade mais frutada, com notas de fruta branca ou tropical. O Arinto vai lhe dar aquele frescor, aquela garra, aquela tensão.
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Já o Régia Colheita DOC Tinto é um vinho que vai bem com carnes vermelhas, embutidos e queijos curados. As uvas que compõem esse vinho podem variar a cada safra.
— A safra 2022 é um corte de Alicante Bouschet, Aragonez e Touriga Nacional. É um vinho que faz estágio em barrica, de segundo e terceiro usos. É um vinho com um bocado mais de fruta fresca, vermelha e preta, mas mais fresca. A Touriga Nacional dá um lado floral, aquela elegância e as notas frescas. O Alicante Bouschet dá a estrutura, a garra. E o Aragonês dá frutos vermelhos. É um vinho muito interessante, complexo, estruturado, além de gastronômico — detalha Tiago.
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Garcia apresentou também o vinho premium da Carmim, o Reguengos Garrafeira dos Sócios 2021. O rótulo é elaborado com Alicante Bouschet (55%), Aragonez (30%) e Cabernet Sauvignon (15%):
— Dos últimos anos, a safra 2021 é uma das melhores. Ela deu um vinho com muita concentração, muita estrutura. Ele é muito bem equilibrado e com ótimo potencial. O corte é idêntico ao de 2019. Apenas muda um pouco o Alicante, que tem um pouco mais. Tem um pouco mais de Aragonez e menos Cabernet Sauvignon. Mas o corte é muito parecido para ter mais ou menos o perfil. Temos notas mais de ameixas, de fruta preta, há um pouco mais de balsâmico. Tudo é muito equilibrado. É um vinho com muita estrutura, acidez, está muito bem equilibrado, ele está muito frescor. Não se nota a barrica. Impressionam o frescor, a elegância e a concentração.
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Garcia explica que há história em cada Garrafeira aberta:
— O Garrafeira não é uma marca, é uma história. Cada vez que abrimos uma garrafa, tem uma história dentro dela. Tem emoção. Estamos a falar de um vinho clássico do Alentejo desde 1982. Ele representa a identidade do Alentejo, de Reguengos de Monsaraz e do carinho com que todos os sócios produzem as suas uvas, para retribuirmos para eles o melhor de cada colheita.
Ele explica que, para você usar o termo garrafeira em um vinho, é preciso seguir critérios:
— Garrafeira é um designativo de qualidade. Nós temos que submeter o vinho à câmara de provadores da Comissão Vitivinícola do Alentejo. Ele precisa obter a pontuação necessária. Tem que ter no mínimo entre garrafa e barrica 30 meses de estágio. Nós o fazemos só em anos de excepcionais. Não é produzido todos os anos.
Os vinhos são trazidos para o Brasil pela Casa Flora. Os preços são: Régia Colheita DOC Branco (R$ 186,90), Régia Colheita DOC Tinto (R$ 186,90) e Reguengos Garrafeira dos Sócios 2021 (R$ 564,90).
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