A prisão de 22 monges budistas no principal aeroporto internacional do Sri Lanka, após a apreensão recorde de 110 quilos de uma droga conhecida como Kush, reacendeu o alerta sobre uma substância considerada mais potente e perigosa do que a cannabis tradicional. O grupo foi detido no domingo ao retornar de uma viagem de quatro dias a Bangcoc, na Tailândia, transportando a droga escondida em compartimentos falsos dentro das bagagens.
- Entenda o caso: Grupo de 22 monges budistas é preso em aeroporto do Sri Lanka com carga recorde de maconha
- Leia também: Conflito por poço de água deixa ao menos 42 mortos no leste do Chade, na África
“Cada um carregava cerca de cinco quilos do narcótico ocultos em paredes falsas em suas malas”, afirmou um porta-voz da Alfândega do Sri Lanka. Os religiosos foram entregues à polícia e apresentados a um magistrado ainda no mesmo dia.
Segundo as autoridades locais, os detidos eram, em sua maioria, jovens estudantes ligados a templos em diferentes regiões do país. A viagem teria sido patrocinada por um empresário. Funcionários da alfândega classificaram o episódio como a maior apreensão individual de Kush já registrada no principal terminal aéreo do país do sul da Ásia.
Apesar de, em alguns contextos, o termo “Kush” ser associado a uma variedade de cannabis originária da Ásia Central, especialistas alertam que a droga apreendida pode se referir a uma substância bem diferente. De acordo com informações do instituto holandês Jellinek, referência europeia no tratamento de dependência química, e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o nome também é usado para designar uma droga de rua popular em partes da África Ocidental.
- Veja vídeo: Enxame de abelhas fecha aeroporto e cria caos aéreo em Londres
Nesse caso, trata-se de uma mistura de folhas vegetais impregnadas com compostos sintéticos — muitas vezes canabinoides artificiais que imitam o efeito do THC, o principal componente psicoativo da cannabis. Em alguns casos, a substância também pode conter nitazenos, opioides sintéticos extremamente potentes, descritos como muito mais fortes do que morfina e heroína.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2024/f/e/vm5Be2RZqB5g1XaaFhZA/pexels-fecundap6-2178565.jpg)
A composição variável torna a droga especialmente arriscada. Como não há controle sobre os ingredientes nem sobre a dosagem, o usuário nunca sabe exatamente o que está consumindo. Entre os efeitos relatados estão sensação de relaxamento intenso, dormência, alucinações, confusão mental e paranoia.
Os riscos à saúde incluem dificuldade respiratória, batimentos cardíacos irregulares, náusea, pensamentos perturbadores e perda de consciência. Em situações mais graves, o uso pode levar à morte, especialmente em casos de overdose ou quando combinado com álcool e outras substâncias.
Especialistas destacam ainda o alto potencial de dependência química, sobretudo quando a mistura contém opioides sintéticos. O uso contínuo pode levar ao aumento progressivo da dose necessária para alcançar o mesmo efeito, agravando os danos físicos e psicológicos.
A crise provocada pelo consumo dessa droga em alguns países africanos tem sido severa. Em Serra Leoa, por exemplo, o governo decretou estado de emergência devido ao avanço da dependência entre jovens, associada a problemas graves de saúde e mortes.
O caso no Sri Lanka também reacende discussões sobre o envolvimento de religiosos em crimes ligados a entorpecentes na região. Em 2022, todos os monges de um templo budista no centro da Tailândia foram afastados de suas funções após testarem positivo para metanfetamina. Eles foram encaminhados a uma clínica para tratamento e reabilitação.
Já em 2017, a polícia de Mianmar anunciou a prisão de um monge budista depois que mais de 4 milhões de comprimidos de metanfetamina foram encontrados em seu carro e em seu mosteiro.

