Elaborados pela Viña San Pedro, uma vinícola com uma tradição de 150 anos, dois vinhos tintos são inspirados no céu visto da região chilena de Cachapoal Andes. Eles são os rótulos Sideral e Altair, apresentados no Rio pelo enólogo Gabriel Mustakis. Ele revela que, nos anos 1990, os produtores saíram em busca de um local para elaborar vinhos premium naquele país:
— Após conhecer profundamente o território chileno, no fim da década de 1990, a San Pedro procurou um local para produzir vinhos de alto padrão e encontrou o Vale Cachapoal Andes. Os primeiros vinhedos dedicados ao projeto foram plantados em 1997 e 1998. E a primeira colheita das uvas para produzir o Altair e o Sideral ocorreu em 2002. Eles foram lançados na inauguração da unidade Cachapoal Andes, em 2004 — revelou Mustakis.
A vinícola de Cachapoal Andes fica a 110 quilômetros ao Sul de Santiago, com vinhedos aos pés da cordilheira, a 500 metros de altitude.
— Quando falamos de vinhos tintos icônicos, uma das principais características para produção é a influência da Cordilheira dos Andes. Quando se está perto da cordilheira, temos dias muito quentes, com ventilação muito boa, o que permite uma ótima maturação das uvas. Os Andes funcionam como uma geladeira. Quando o sol se põe, a temperatura cai. O mais importante aqui é a amplitude térmica. No período de maturação, a oscilação chega a 20 graus de diferença. Temos 30 graus durante o dia e 10 graus à noite. Isso permite que o açúcar gerado durante o dia seja retido, tornando-o mais complexo. Ajuda também na cor, na complexidade aromática e, em um dos fatores mais importantes que é a retenção da acidez. Os vinhos ficam com frescor e potencial natural de envelhecimento — revela Gabriel Mustakis.
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Mustakis afirma que, além dos Andes, também influencia a produção um córrego, que é fonte de água permanente para a propriedade. São 3.000 hectares, com 140 hectares de vinhedos.
— Esse corredor entre o estuário e as colinas permite uma mobilidade biológica importante, além de gerar mais diversidade em termos de solo. Há muita vida, que ocorre naturalmente, em relação aos insetos, à microbiologia. É um lugar que representa muito bem o Chile, é pequeno e muito diverso — explica.
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Um dos tintos foi batizado de Sideral, que vem do latim sideralis, que significa constelação. E ideia é que ele revele a harmonia entre as qualidades das uvas e sua combinação perfeita. A safra 2021 leva 73% de Cabernet Sauvignon; 11% de Syrah; 9% de Carménère; 4% de Petit Verdot; e 3% de Cabernet Franc.
— Os vinhedos estão em ladeiras com diferentes exposições, diferentes tipos de solos. É como uma constelação. São diferentes estrelas, de diferente tamanho. Umas são gasosas, outras têm elementos pesados. Sideral é um blend que toma toda essa diversidade do campo e gera um vinho em equilíbrio que mostra o lugar em que é produzido. Ele sempre tem as cinco variedades tintas. Principalmente Cabernet Sauvignon, Syrah, Carménère, Cabernet Franc, Petit Verdot. A proporção todos os anos muda. Tomamos essa diversidade e tratamos de representá-la em equilíbrio neste blend.
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Para o enólogo, Sideral é a porta de entrada para entender o que é San Pedro Cachapoal Andes.
— É um vinho que no tempo, nesses mais de 20 anos, representa muito bem o Chile e as características desse lugar em particular. Principalmente na elegância, em obter vinhos que são jovens, fáceis de beber e com bom potencial de guarda.
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Já o Altair recebeu o nome de uma das estrelas mais brilhantes da constelação de Águia, especialmente visível em agosto e setembro. Seus vinhedos ficam no sopé da cordilheira, onde o solo nasceu de erupções vulcânicas e terremotos violentos que datam de milhões de anos. A safra 2020 foi feita com 88% de Cabernet Sauvignon, 8% de Cabernet Franc e 4% de Carménère.
— No nariz, ele tem uma nota de ferro, que é muito particular do lugar. É como uma nota de sangue com ferro. Sentimos também frutas vermelhas e ervas, que são muito características da região. Não é um vinho onde você vai encontrar baunilha ou madeira, porque tentamos capturar a maior identidade do território. E no paladar, é um vinho muito elegante no início. Ele entra com uma espécie de suavidade. Você sente a estrutura do vinho e esse potencial de envelhecimento. É um vinho que pode ser bebido jovem, mas é preparado para envelhecer por 20 anos ou mais — avalia Gabriel Mustakis.
Para ele, Altair busca mostrar na taça o território.
— Se você puder visitar o local e ficar no meio do vinhedo, poderá ver essa natureza, essas ervas que temos, esse lugar mais andino, essa brisa que sopra, essas noites frias. É muito fácil identificar ou conectar as características desse vinho com seu território.
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Os dois vinhos são importados pela Grand Gru. O Sideral custa R$ 325,47 para assinante e R$ 382,90 para não assinante ; e o Altair, R$ 934,92 para assinante e R$ 1.099,90 para não assinante.