As construtoras responsáveis pelo prédio em obras que desabou no final de semana na Zona Leste de São Paulo, deixando seis mortos, também são investigadas por estelionato. Segundo informações da Polícia Civil, foram identificados ao menos dez boletins de ocorrência de pessoas que relataram terem comprado apartamentos das empresas New Home e Hastiforme e que não receberam os imóveis.
O proprietário do terreno onde estava sendo erguido o prédio que desabou também relatou ter sofrido calote e entrou na Justiça contra os proprietários, segundo os investigadores do caso.
Até o momento, apenas Ronaldo Vivaqua, apontado como sócio oculto das empresas que conduziam a obra, foi preso. Seguem foragidos Cristiano Vivaqua, filho de Ronaldo, o engenheiro responsável pela construção e Isis Brandão, esposa de Cristiano, que constava como a administradora das construtoras. Eles devem ser indiciados por homicídio com dolo eventual.
Após o desabamento, antigos clientes das empresas procuraram a polícia para relatar que já tinham registrado boletins de ocorrência por estelionato contra as construtoras. São casos de apartamentos que foram pagos ou financiados, mas nunca foram entregues, em outros edifícios também na Zona Leste da cidade.
Ao menos quatro inquéritos policiais estão em andamento para apurar a suposta prática de estelionato.
— O proprietário do terreno também nos procurou, dizendo que vendeu o imóvel do prédio desabado, que desabou, para Ronaldo e Cristiano e que até hoje ele não recebeu valor e tem um processo judicial solicitando seu ressarcimento. Então, nós apuramos que eles não estão envolvidos só com um desabamento com resultado morte, trágico, muito infeliz.Eles estão envolvidos com outros crimes que vai ser tudo apurado — diz a delegada Deidiene Fialho, titular do 24º D.P da Água Rasa.
Servidora que vistoriou obra deve ser indiciada por homicídio
Nesta terça-feira, a polícia ouviu a servidora da prefeitura de São Paulo que vistoriou a obra em 2024. Em 2021 a prefeitura ingressou com uma ação judicial solicitando a demolição do prédio que estava sendo erguido no local irregularmente, sem alvará.
Em 2022 um novo projeto para a edificação foi apresentado e um alvará foi emitido em 2023, com a condição de que a estrutura que já tinha sido construída no local fosse demolida.
Em 2024 a servidora Viviane Rodrigues de Palma vistoriou o local e atestou que a edificação anterior tinha sido demolida. Ao que tudo indica, no entanto, a estrutura era a mesma.
— Ela afirmou que sua competência era apenas vistoriar a autorização do Alvará, sem responsabilidade técnica sobre a estrutura ou instabilidade do prédio. Relatou ter ido à obra, que estava sem ninguém, mas aparentemente não abandonada. Sem entrar no imóvel, ela utilizou o plano altimétrico para confirmar se a edificação antiga havia sido demolida. Ao se deparar com uma nova construção de seis ou sete andares no local, ela atestou a demolição da estrutura original — diz a delegada Deidiene.
Construtoras responsáveis por prédio que desabou em SP são investigadas também por estelionato
As construtoras responsáveis pelo prédio em obras que desabou no final de semana na Zona Leste de São Paulo, deixando seis mortos, também são investigadas por estelionato. Segundo informações da Polícia Civil, foram identificados ao menos dez boletins de ocorrência de pessoas que relataram terem comprado apartamentos das empresas New Home e Hastiforme e que […]