O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que os líderes mundiais precisam superar “divergências e contradições” para chegar a um acordo efetivo na COP30. Ele também criticou “forças extremistas” que negam o aquecimento global.
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Lula discursou na abertura da Cúpula do Clima, que reúne chefes de Estado em Belém. Ele defendeu que é necessário combinar os debates climáticos aos desafios reais das pessoas.
— Para avançar, será preciso superar dois descompassos. O primeiro é a desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real. As pessoas podem não entender o que são emissões ou toneladas médias de carbono, mas sentem a poluição — disse.
‘Será preciso superar a desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real, diz Lula
O presidente também afirmou que as guerras e rivalidades entre países não podem atrapalhar a cooperação para combater a mudança do clima.
— Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam atenção de recursos que deviam ser destinados para o enfrentamento do aquecimento global. Enquanto isso, a janela de oportunidades está se fechando. A mudança do clima é resultado das mesmas dinâmicas que fraturam a nossa sociedade entre ricos e pobres. Será impossível contê-la sem superar as desigualdades entre nações — concluiu.
Numa cúpula boicotada pelos Estados Unidos, Lula fez uma referência indireta a Donald Trump ao criticar “forças extremistas” que negam as mudanças climáticas.
— Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades econômicas e degradação ambiental — condenou.
O presidente foi aplaudido ao defender a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
O governo brasileiro se tornou alvo de protestos após o Ibama autorizar a busca de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas a menos de 30 dias da COP30.
— Apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de um mapa do caminho para reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos — disse Lula.
No fim do discurso, o presidente defendeu a decisão de levar a COP30 para Belém, apesar dos problemas de infraestrutura e de hospedagem.
— Muita gente não acreditava que fosse possível trazer para a Amazônia uma COP. Quando decidimos fazer a COP 30 em Belém, é porque quero que a Amazônia fale para o mundo — defendeu.
Ele ainda comparou a Amazônia a uma Bíblia.
— Cada um interpreta de um jeito, e todo mundo quer vir conhecer — disse, antes de pedir aplausos aos trabalhadores locais.
