A Copa do Mundo de 2026 registrou, em pouco mais de uma semana, a morte de três familiares de integrantes de comissões técnicas. Os casos envolveram Didier Deschamps, treinador da França; Ricardo Carvalho, auxiliar de Roberto Martínez em Portugal; e Sébastien Desabre, comandante da República Democrática do Congo.
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Cada um reagiu de maneira diferente à perda em meio à competição: houve quem deixasse temporariamente o Mundial, quem retornasse ao seu país para acompanhar a família e quem permanecesse à frente da equipe para uma partida eliminatória.
O primeiro caso foi o de Didier Deschamps. No dia 23 de junho, o treinador soube da morte da mãe, Ginette Deschamps, e recebeu autorização da Federação Francesa para retornar ao país e acompanhar o funeral.
Com isso, não comandou a França na vitória por 4 a 1 sobre a Noruega, pela última rodada da fase de grupos. O auxiliar Guy Stéphan ficou à frente da equipe.
Deschamps retornou aos Estados Unidos quatro dias depois e voltou ao banco na vitória por 3 a 0 sobre a Suécia, que classificou os franceses para as oitavas de final.
Ricardo Carvalho foi consolado por Cristiano Ronaldo
Depois, a seleção portuguesa confirmou a morte de Manuel Ribeiro de Carvalho, pai do auxiliar técnico Ricardo Carvalho, aos 69 anos.
Jogadores e integrantes da comissão formaram um círculo no campo de treinamento, fizeram um minuto de silêncio e abraçaram o ex-zagueiro. Cristiano Ronaldo, seu antigo companheiro de seleção, foi um dos que o consolaram.
Carvalho deixou a concentração portuguesa e retornou ao país para acompanhar a família. O auxiliar faz parte da comissão técnica comandada pelo espanhol Roberto Martínez desde 2023.
Desabre comandou a RD Congo após saber da morte do pai
O terceiro episódio ocorreu com Sébastien Desabre. O técnico da RD Congo soube da morte do pai horas antes do jogo contra a Inglaterra, pela fase de 32 avos de final do Mundial.
Mesmo assim, decidiu comandar a equipe, que abriu o placar e esteve perto de uma classificação histórica, mas sofreu dois gols de Harry Kane e perdeu por 2 a 1. O pai de Desabre já estava doente havia algum tempo.
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A notícia foi anunciada publicamente pelo assessor de imprensa Jerry Kalemo no encerramento da entrevista coletiva posterior à partida. Desabre fez uma expressão de surpresa e respondeu apenas “obrigado”, o que levou diferentes veículos e perfis nas redes sociais a afirmarem que ele havia descoberto a morte naquele instante.
O GLOBO procurou Kalemo, que negou essa versão. Segundo o assessor, o treinador havia sido informado “bem antes”. Um integrante da delegação também confirmou que Desabre já sabia do falecimento antes de a bola rolar.
Irmãos Touré permaneceram na Copa de 2014
A história das Copas tem outros casos de jogadores que receberam notícias semelhantes durante o torneio e precisaram decidir entre voltar para casa ou permanecer com suas seleções.
Em 2014, no Brasil, os irmãos Yaya e Kolo Touré perderam Ibrahim Touré, de 28 anos. Também jogador de futebol, ele morreu de câncer em Manchester no mesmo dia em que a Costa do Marfim enfrentou a Colômbia.
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Os dois foram informados depois da derrota por 2 a 1 e receberam a opção de deixar a competição. Decidiram, porém, continuar com a seleção para o jogo decisivo contra a Grécia.
Marcelo perdeu o avô antes do 7 a 1
Na mesma Copa, Marcelo perdeu o avô Pedro Vieira da Silva, aos 78 anos, poucas horas depois da vitória do Brasil sobre a Colômbia nas quartas de final.
O avô teve papel decisivo no início da carreira do lateral, ajudando-o financeiramente e levando-o aos treinamentos quando ainda era jovem.
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Marcelo foi autorizado a deixar a concentração, mas preferiu permanecer com a seleção para a semifinal contra a Alemanha, disputada três dias depois e marcada pela derrota brasileira por 7 a 1.
Carlos Vela marcou após morte do avô
Quatro anos depois, na Rússia, Carlos Vela recebeu a notícia da morte do avô materno após a histórica vitória do México por 1 a 0 sobre a Alemanha.
O atacante continuou no torneio e, na rodada seguinte, marcou de pênalti na vitória mexicana por 2 a 1 sobre a Coreia do Sul. Vela dedicou a participação no Mundial ao familiar.
Neco Williams chorou antes da estreia no Catar
No Mundial do Catar, em 2022, o galês Neco Williams soube pela mãe, menos de 24 horas antes da estreia contra os Estados Unidos, que o avô Kelvin Jones havia morrido.
O lateral passou a véspera da partida chorando, mas entrou em campo no empate por 1 a 1. Depois do jogo, voltou a se emocionar e dedicou a atuação ao avô.
Na mesma competição, o argentino Leandro Paredes perdeu o avô depois da classificação sobre a Austrália. O jogador permaneceu com a delegação, participou da disputa de pênaltis contra a Holanda e terminou o torneio campeão mundial.
Olga Carmona só soube da morte do pai depois do título
Um dos episódios mais marcantes ocorreu na Copa do Mundo feminina de 2023. O pai de Olga Carmona morreu antes da final entre Espanha e Inglaterra, mas a família decidiu não contar imediatamente à jogadora.
Carmona marcou o único gol da decisão, deu à Espanha o primeiro título mundial de sua história e só recebeu a notícia depois da partida e das comemorações.
Não há um levantamento oficial da Fifa que reúna todos os casos de mortes de familiares durante as Copas. Os episódios documentados, no entanto, mostram como jogadores e treinadores foram obrigados a enfrentar, em meio ao maior torneio do futebol, decisões pessoais que ultrapassavam qualquer resultado dentro de campo.

