- Contexto: Trump diz que EUA atacaram ‘todos os alvos militares’ na ilha de Kharg, responsável por 90% da exportação de petróleo bruto do Irã
- Após ataques na Ilha de Kharg: Irã ameaça terminais petrolíferos nos Emirados Árabes Unidos
— Seguimos as declarações do presidente Trump nas redes sociais e examinaremos o tema com cuidado, em estreita consulta com os Estados Unidos— disse uma fonte em um alto cargo da presidência sul-coreana à AFP.’
No sábado (14), Trump pediu que China, França, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e “outros países” enviem navios de guerra, “em conjunto com Washington”, para garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Em um publicação na sua plataforma, a Truth Social, o presidente americano assegurou que “de um jeito ou de outro, em breve teremos o Estreito de Ormuz aberto, seguro e livre”.
Com os altos preços da gasolina prejudicando sua popularidade em ano eleitoral nos EUA, quando o Congresso está em jogo, o republicano escreveu que Washington pode começar a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, mesmo com a guerra em curso. Até então, nenhum país havia respondido ao apelo de Trump.
“Muitos países, especialmente aqueles que são afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra, em conjunto com os Estados Unidos, para manter o Estreito aberto e seguro”, escreveu o presidente. “Esperamos que China, França, Japão, Coreia do Sul, o Reino Unido e outros, que são afetados por essa restrição artificial, enviem navios para a área para que o Estreito de Ormuz não seja mais uma ameaça por parte de uma nação que foi totalmente decapitada”, acrescentou.
Os EUA realizaram um dos maiores bombardeios da campanha militar contra o Irã na noite de sexta-feira, quando atingiram, de acordo com o Pentágono, “todos os alvos militares” na Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, responsável por 90% da exportação de petróleo bruto do Irã . Trump afirmou que os ataques “obliteraram completamente todos os alvos militares” na ilha, mas disse ter decidido não destruir a infraestrutura petrolífera, “pelo menos por enquanto”.
“Por razões de decência, optei por não destruir a infraestrutura petrolífera da ilha. Mas, se o Irã interferir na livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, reconsiderarei imediatamente essa decisão”, escreveu.
Horas depois, ainda no sábado, o Irã rejeitou as ameaças de Trump, afirmando que o Estreito de Ormuz segue sob seu controle total e que “qualquer tentativa de movimentação ou trânsito será alvo de ataques”. A declaração desafiadora surgiu poucas horas depois do ataque da milícia Kata’ib Hezbollah, aliada do Irã, contra a embaixada americana em Bagdá, capital do Iraque.
Na semana passada, após uma reunião do G7, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que seu país apoia uma coalizão de navios de guerra para garantir a livre passagem pelo ponto crítico de estrangulamento energético, mas ressaltou a necessidade de organização, o que poderia levar várias semanas.
O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, fez coro com a opinião de Macron, observando que as conversas sobre o Estreito estavam em estágios preliminares, ao mesmo tempo que ressaltou a necessidade de uma desescalada prévia nas tesões.
- Trump: Irã está ‘totalmente derrotado’ e ‘quer um acordo que eu não aceitaria’
Em comunicado, as Forças Armadas iranianas afirmaram que não permitiriam a passagem de “petroleiros ou navios comerciais” pertencentes a “agressores e seus aliados” pela área, palco de bombardeios contra petroleiros desde o início da guerra. Em sua última atualização, o Gabinete de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou que recebeu 20 relatos de incidentes que afetaram embarcações no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã. Dezesseis desses navios foram atacados, segundo o comunicado.
Na publicação, Trump insistiu no seu discurso sobre a capacidade militar iraniana, afirmando que já destruiu “100%, mas é fácil para eles enviar um ou dois drones, lançar uma mina ou disparar um míssil de curto alcance em algum ponto ao longo desta hidrovia, não importa o quão derrotados estejam”.
Por sua vez, o embaixador do Irã em Genebra, Ali Bahrani, afirmou que as alegações de Trump são “baseadas em mentiras inventadas”.
(Com AFP e New York Times)

