Sofia é o nome da mãe de Katia Barbosa, matriarca beirando os 90, em boa forma, que ainda conta com um Caetano na identidade. É Sofia também o nome do mais autoral restaurante da Katita (como diz Claude Troisgros), na mesma Praça da Bandeira do Aconchego Carioca, onde começou a história dessa chef de gargalhada e cozinha ímpares, nascida no Complexo do Alemão e dona de um requinte e um bom gosto natural. O Sofia é a prova. Pensado e decorado por ela, tem fachada verde turquesa, janelas laranjas e branco e um estandarte que provoca com os dizeres: “no Leblon não tem isso”. Verdade, não tem.
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A casa de dois andares — com uma “laje” protegida das intempéries — é decorada com trabalhos de artistas brasileiros contemporâneos. Como o grande painel ao fundo do salão assinado pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga. Delícia ver, conhecer e se encantar com o que está por ali. O faro da chef é coisa fina. São os segredos e trunfos do Sofia, e aqui, só boas escolhas.
No Sofia tem cozinha brasileira, diferente da servida no Aconchego Carioca. Mas, na real? Nem tanto. Estão na roda, por exemplo, todos os bolinhos clássicos de Katia: de feijoada, o mais copiado do país (R$ 20), de bobó (R$ 46), de rabada (R$ 42). Se quiser relembrar cada uma deles, vai de mix (R$ 45, seis unidades). Há também “invasores” de outras paragens, como o bao, o pãozinho oriental feito no vapor e servido com mix de cogumelos, coisa finíssima (R$ 22). As costelinhas envoltas na couve e servidas com canjiquinha são novidade das boas dali (R$ 68).
Os principais são servidos sem parcimônia, para dividir por dois ou três. Chegam fumegantes em recipientes de barro, travessas de cerâmica ou peças em madeira. O bobó de camarão é um primor (R$ 168) — não senti dendê, só na farofa. Outras boas sacadas em cartaz: nhoque de vatapá (sim!) com camarão (R$ 92) e a moqueca de cogumelos, arroz e farofa de dendê (R$ 49).
As saladas ganharam retoques da chef: a caesar leva couve, cebola roxa, tiras de frango, cogumelos, molho de iogurte e croutons (R$ 39), e o salpicão, em vez de frango, traz tiras de porco com uva verde, ervilha e milho (R$ 39).
E os doces para comer sem culpa: brulê de milho (R$ 29,50), rabanada com creme de tapioca e doce de leite (R$ 29) e bolo de aipim com baba de milho verde por cima (R$ 27). Sábados alternados tem roda de samba de primeira na laje. Se bater saudades do Lô Borges, quem sabe eles não levam um “Trem azul”, “Girassol nos seus cabelos”ou “Janela lateral?”. Dia mais que ganho.
Rua Barão de Iguatemi 257, Praça da Bandeira (3269-3716). Ter, das 12h às 16h30. Qua a sáb, das 12h às 22h. Dom, das 9h às 17h.

