Pular para o conteúdo
News

Crítica: Miley perde um pouco — além do próprio sobrenome — em ‘Bass persuades’

Lá se vão três anos desde que a americana Miley Cyrus emplacou “Flowers”, a canção mais ouvida no streaming em 2023. De lá para cá, ela deitou e rolou na fama, lançou o ambicioso álbum “Something beautiful” (2025), trocou a gravadora Columbia pela Atlantic, tirou o “Cyrus” do nome e esta sexta-feira, apenas como Miley, […]

Crítica: Miley perde um pouco — além do próprio sobrenome — em ‘Bass persuades’


Lá se vão três anos desde que a americana Miley Cyrus emplacou “Flowers”, a canção mais ouvida no streaming em 2023. De lá para cá, ela deitou e rolou na fama, lançou o ambicioso álbum “Something beautiful” (2025), trocou a gravadora Columbia pela Atlantic, tirou o “Cyrus” do nome e esta sexta-feira, apenas como Miley, lançou “Bass persuades” — um disco com 10 faixas (uma delas, remix da que dá título ao trabalho e abre o álbum) e nem 40 minutos de duração.
Julio Iglesias: Ex-funcionárias do cantor pedem investigação de nova denúncia por agressão sexual
Análise: Será que chegou a hora de Anitta ganhar o seu primeiro Grammy Latino?
Só por aí, se tem a impressão de que as coisas foram meio corridas. Ouvindo tudo, vem a certeza.
Artista que fez uma admirável transição da inocência infantil de Hannah Montana às provocações e a firmeza adulta de “Wrecking ball”, Miley parece ter estacionado no novo disco. “Bass Persuades” abre a seleção como uma espécie de pastiche de Madonna da era “Confessions” — justo no ano em que a diva lançou seu “Confessions II”.
“Different religion”, colaboração da cantora com a banda de rock industrial Model/Actriz, põe um pouco de músculo na receita, mas não a ponto de convencer. E “Let’s get married” leva o disco para outro lado, o das reciclagens do embriagante soft-rock do Fleetwood Mac, que ela conhece bem, mas da qual, ao menos desta vez, não consegue extrair muito brilho
Initial plugin text
A partir daí, “Bass persuades” se perde ainda mais. A balada “Orbit” se arrisca no sentimento, mas passa um pouco do ponto. Ela é seguida por “Aftermath”, canção romântica vestida de dance music hi-energy que manda sinais contraditórios. E esta cai em “Redlights”, canção climática e suingada que poderia estar melhor em “Something beautiful” do que neste álbum.
Já “Neon signs”, que Miley fez com Andrew Wyatt do Miike Snow, tem qualidade melódica e emocional de um ABBA e sussurros eróticos de Serge Gainsbourg e Jane Birkin — estranha, mas uma das melhores faixas do disco.
“Innocent ways” volta a remeter (inoportunamente) à fase “Confessions” de Madonna e “Snow” passa meio batida — até que subitamente o álbum termina com um remix um pouco mais brutal de “Bass persuades” com o Model/Actriz.
Um pouco mais de tempo e elaboração, e talvez Miley tivesse saído com um álbum mais condizente com a sua carreira. Porque, no que se apresenta, “Bass persuades” deixa o gosto de um prato de porções reduzidas e preparado na pressa.
Cotação: Regular

Crítica: Miley perde um pouco — além do próprio sobrenome — em ‘Bass persuades’

Autor

BRCOM