Mil e trezentos metros de corrida, em referência ao 13º andar do prédio do qual Juliane Vieira salvou a família de um incêndio. Dois rounds de exercícios, em referência às duas vidas que ela salvou: a da própria mãe, Sueli Vieira dos Reis, e a do primo Pietro. Vinte e oito supinos com halteres, mesmo número da idade de Juliane. Cinquenta e um pull-ups, idade de Sueli, e quatro subidas de corda, idade de Pietro. Esses são os detalhes da série de treinos de crossfit “Hero Ju V”, em homenagem à advogada e praticante da modalidade, internada em estado gravíssimo no Hospital Universitário (HU) de Londrina, com mais de 60% do corpo queimado após resgatar a família, pisando sobre uma caixa de ar-condicionado em um prédio em Cascavel, no oeste do Paraná.
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A série de exercícios faz parte dos esforços de amigos e familiares para arrecadar recursos para o tratamento e a reconstrução do lar da família da advogada. O treino de crossfit foi desenvolvido pela treinadora Dilu Zantut, da academia que Juliane frequenta, e já se espalhou por diversos boxes do Paraná.
“Montamos um workout (série de exercícios) em nome da Ju, e a ideia é que esse vídeo chegue ao maior número possível de boxes (academias de crossfit). Que os coaches apresentem a vaquinha aos alunos que fizerem esse treino, e que eles doem o valor que quiserem. A comunidade do cross é gigante. Que possamos nos unir e ajudar essa família”, destacou Dilu em publicação nas redes sociais.
De acordo com a maquiadora Allana Koerich, amiga de infância de Juliane, a vaquinha tinha o objetivo inicial de levantar R$ 50 mil, mas já atingiu o valor de R$ 180 mil, e a expectativa é de que o valor seja ainda maior.
— No dia em que o incêndio aconteceu, eu fiquei sem saber como podia ajudar. Aí me lembrei do site Vakinha.com.br e abri a arrecadação. Em menos de uma, hora já tínhamos reunido R$ 5 mil de doações. Hoje, temos mais de R$ 180 mil. Isso vai para a conta da família. Inicialmente trabalhávamos com um teto de R$ 50 mil, mas com o sucesso da campanha mudamos para R$ 300 mil, pois calculamos o tempo que ela deve ficar parada, e a necessidade de mobiliar novamente a casa — explica Allana.
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Allana, que mora em São Paulo, está no Paraná para acompanhar o tratamento de Juliane e da família. Elas são amigas há 20 anos, e se aproximaram pela amizade entre as mães das duas. Ela contou que a atitude heroica de Juliane para salvar a mãe, o primo e o cachorro não a surpreendeu.
— Sou cinco anos mais velha do que a Ju, mas sempre falei que ela era minha referência, pois ela é muito forte. Sabe a ilustração da mulher que nunca dependeu de nada, e nunca vai precisar? Ela ama o trabalho dela, ama o que faz. Tem um monte de gente nos mandando mensagem, dizendo que é amiga da Ju, que a gente nem conhece, o que mostra que ela tinha facilidade de fazer amizades. Ela tem personalidade e corpo fortes. Segundo os médicos, ela ter tanto músculo e ser saudável vai ser essencial para a recuperação — contou.
Um amigo mais recente de Juliane é o assessor de imprensa Jeferson Espósito. Os dois se conheceram em 2020, quando foram vizinhos em outro condomínio, e Juliane foi fundamental para ajudar Jeferson a lidar com problemas pessoais.
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— A atitude dela realmente mostra para o Brasil quem ela é. Eu vi a Juliane colocar a dor dela de lado para abraçar o momento difícil que eu estava passando. É uma característica dela: um problema aparecia, e ela tinha uma decisão rápida, lógica, que foi o que aconteceu no incêndio. O que aconteceu é chocante, mas não me surpreende — detalhou o amigo.
Juliane foi criada no interior, sabe lidar com os animais da fazenda, e muito cedo se tornou um pilar de sustentação da família. Ela estudou Direito por conta própria, se mudou para a cidade, posteriormente chamando a mãe para morar com ela, e acolhendo a prima Ana Carolina junto com o filho, Pietro. Segundo Allana, Juliane gosta de correr, de festas e de viajar, além do crossfit.
— Ela gosta muito de reunir os amigos, para fazer jantar, churrasco. Uma pessoa muito social. A Ju decide fazer uma coisa, ela vai lá e faz, não passava vontade. Ela tem um carrinho que a gente fala que é “Deus no céu e o carro na terra”. Ela catava o carro e sumia. Ela é muito fã do Justin Bieber e foi sozinha na última turnê dele no Brasil — lembra a amiga.
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Segundo Jeferson, o crossfit representa uma das melhores fases da vida de Juliane, que adora comida japonesa e é ótima companhia para filmes.
— A gente compartilha coisas da vida, e ela comemora cada conquista. Comemorar para ela é sempre muito importante. As coisas não caíram do céu para ela, ela ajuda a mãe dela da forma que consegue. Foi uma infância sem regalias, sem berço de ouro. A Ju sempre foi trabalhadora. Ela é movida a trabalho. Não sou uma pessoa que tem facilidade de me abrir. Não saio chorando abertamente, mas a Ju me acolheu de um jeito que eu não esperava — ressaltou Jeferson.
Juliane segue internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), intubada, sedada e instável. O estado de saúde da advogada é considerado gravíssimo. Ela teve 63% do corpo queimado no incêndio que destruiu o apartamento onde morava com a família. A mãe e o primo da advogada também permanecem internados. A mãe de Juliane já acordou e está conversando, e Pietro foi extubado e parou de receber sedativos.
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Como aconteceu o incêndio
O incêndio começou na manhã de quarta-feira (15), em um apartamento no 13º andar de um prédio localizado no cruzamento das ruas Riachuelo e Londrina, no bairro Country. Segundo apuração da RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o fogo foi percebido por operários de uma obra vizinha, que alertaram o porteiro do condomínio. O funcionário então avisou os moradores, desligou o gás e a energia e acionou o alarme de incêndio.
Segundo a RPC, no momento do incêndio, estavam no apartamento Juliane, a mãe e o primo. Todos dormiam quando o fogo começou. A prima de Juliane, mãe da criança, havia saído para ir à academia e não estava no local. O cachorro da família também sobreviveu sem ferimentos.

