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setembro 26, 2026
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'Cultura nos constitui como povo', diz Pedro Rajão, sobre lotar praça no Méier com coletivo Leão Etíope, que fará novo evento neste domingo

Por · setembro 26, 2026
'Cultura nos constitui como povo', diz Pedro Rajão, sobre lotar praça no Méier com coletivo Leão Etíope, que fará novo evento neste domingo


Mês passado, uma multidão tomou a Praça Agripino Grieco, próxima à Dias da Cruz, no Méier, para acompanhar aulas públicas, shows, sets de DJs. Quem passou por lá se surpreendeu com o aglomerado. Quem estava no meio dele se divertiu. E fez parte de um acontecimento que mostra a força da Zona Norte da cidade. O evento de 2 de agosto com apresentação da banda Metá Metá, aula pública da escritora Helena Theodoro e mais atrativos foi organizado pelo coletivo Leão Etíope do Méier, que neste domingo de São Cosme e Damião promove mais um encontro gratuito no local.
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Pedro Rajão, do Leão Etíope do Méier
Alfamor/Divulgação
Pedro Rajão, produtor cultural e um dos integrantes do Leão Etíope do Méier, relembrou o sucesso da trajetória de mais de dez anos ocupando espaços públicos da Zona Norte. Nascido no bairro, ele tem grande participação no feito de transformar o encontro da Rua Dias da Cruz com a Rua Hemengarda em point. Por isso, foi convidado pelo GLOBO para escrever um “Vivi para contar” sobre os mais recentes sucessos da praça:
“Foi num ensolarado domingo, 2 de agosto, na Praça Agripino Grieco, a pracinha do Méier, o anfiteatro da Rua Dias da Cruz, a ágora que já viu de tudo na encruzilhada entre a Rua Silva Rabelo e a Hermengarda. Numa improvável calmaria climática pós rajadas de vento violentíssimas. O palco estava montado na rua, a praça cheia e, por algumas horas, aquela paisagem tão familiar para quem vive ou circula pelo bairro ganhou outra dimensão. Não era uma casa de shows, não tinha ingresso. Era o Méier.
E eu, assim como tenho certeza que tantos outros conterrâneos do bairro que cresceram naquela praça, matamos aula, vimos capoeira, culto, universos em desencanto, campanha política, rap, rock, pagode, gospel, luzes do Natal, quantas memórias cruzadas da pracinha que em questão de horas vira um palco – sala de aula.
Ao longo desses doze anos, o Leão Etíope do Méier foi ocupando aquele espaço de maneira que não se reduz a ‘produção de eventos’. São vínculos, públicos, encontros e uma ideia muito concreta de que a cultura é o que nos constitui como povo, enquanto cadeia de trabalho e renda, enquanto método de afirmação, de existência, de pulsação.
Por isso, ver, com a palavra, a primeira doutora em filosofia do Brasil, Dona Helena Theodoro, em conversa com a curadora e artista Nathalia Grilo, numa extensa troca que atravessa gerações do pensamento negro radical se fez como uma grande inauguração do dia. Ao final da noite, uma impactante performance do premiado Africanos coroou a curadoria da casa que fez jus ao nome que atribui conexão do Méier com a Etiópia.
Agora, Metá Metá ali teve um significado especial. A pracinha já havia sido preparada, ao longo de anos, para receber uma experiência como aquela. O Leão criou as condições para que um grupo como o Metá Metá pudesse tocar no meio do Méier e para que isso não parecesse uma exceção, mas parte da vida cultural da cidade!
Durante o show, víamos Juçara cantando, Kiko Dinucci e Thiago França tocando, e ao redor deles a praça funcionando como sempre (ou como nunca): gente chegando, mas muita gente mesmo chegando, crianças, moradores, conversas, pessoas que foram especificamente para o show e outras que encontraram o show no caminho. A música estava no centro, mas a rua continuava acontecendo. Não havia uma separação rígida entre quem estava “no show” e quem estava na cidade.
Quem sabe essa é uma das maiores conquistas do Leão nesses 12 anos? Ter ajudado a transformar uma praça de bairro em um lugar reconhecido de produção cultural, sem precisar retirar dela aquilo que a torna uma praça de bairro.
Eu vivi para ver o Metá Metá tocar no Méier. E acho que, depois de domingo, essa cena deixou de parecer improvável. Ela passou a fazer parte da história daquela praça e do nosso imaginário de cidade.
Onde a Zona Norte não apenas consta no mapa, mas reivindica seu espaço na construção cultural desse descuido geográfico chamado Rio de Janeiro. E fica o convite: Domingo de São Cosme e Damião, 27 de setembro, das 16h às 22h, seremos palco da Semana de Arte do Rio com uma programação de ‘lamber os beiços’: Ifatoki & Jazz das Minas Quarteto (com distribuição de doces), espetáculo ‘Luiz Gama, uma voz pela liberdade’, por Deo Garcez, conversa com Luiz Antônio Simas sobre São Cosme, São Damião, Doum e os Ibejis, Clube de Leitura ‘Machado de Assis’, especial ‘Teoria do Medalhão. Axé!”
Helena Theodoro, escritora e doutora
Alfamor/Divulgação

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