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setembro 26, 2026
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Papa Leão XIV se reúne com migrantes antes de missa na Champs-Élysées, em Paris: 'dignidade e paz'

Por · setembro 26, 2026
Papa Leão XIV se reúne com migrantes antes de missa na Champs-Élysées, em Paris: 'dignidade e paz'


O Papa Leão XIV pediu, neste sábado (26), que se “conviva com dignidade e paz” durante um encontro com migrantes, horas antes de uma missa multitudinária na Champs-Élysées, em Paris, para 600 mil pessoas, como parte de sua primeira visita à França. Em um momento em que partidos de extrema-direita avançam na Europa com um discurso anti-imigração, o pontífice americano-peruano decidiu visitar a Casa Bakhita, uma associação católica de apoio a migrantes, onde ouviu o testemunho de exilados do Afeganistão e da Nigéria.
— Fico feliz em começar com vocês este segundo dia em Paris, nesta casa que é um testemunho para toda a cidade de que é possível nos encontrarmos e convivermos com dignidade e paz — ressaltou este neto de imigrantes e de origem cosmopolita.
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O nome da casa, fundada em 2017 após o apelo do Papa Francisco para “acolher, proteger e integrar” os estrangeiros, homenageia Josefina Bakhita, uma escrava sudanesa que se tornou religiosa e foi posteriormente canonizada.
— Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem hoje à escravidão, a honrar a dignidade infinita de cada irmão e irmã — acrescentou.
Para os responsáveis ​​pelo centro, a visita do Sumo Pontífice representava uma “mensagem”, num momento em que a imigração promete ser um dos temas-chave da eleição presidencial francesa do próximo ano — disputa na qual a líder de extrema-direita Marine Le Pen aparece à frente nas pesquisas.
— Muito mais pessoas são a favor do acolhimento de migrantes e da construção de uma sociedade nova, desta “civilização do amor” de que fala o Papa — ressaltou Marcela Villalobos, coordenadora das Capelanias Católicas para Migrantes da Conferência Episcopal Francesa, após a visita à Casa Bakhita.
Desde sua eleição como Papa, em maio de 2025, Robert Francis Prevost costuma defender a dignidade de pessoas exiladas e refugiados, e não hesita em criticar a política migratória do presidente americano, Donald Trump.
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Missa multitudinária
A primeira visita de um papa a Paris desde Bento XVI, em 2008, é acompanhada por grande entusiasmo popular neste país oficialmente laico. Na sexta-feira, 300 mil pessoas lhe deram as boas-vindas durante seu trajeto em papamóvel pelas ruas da capital e, mais tarde, 80 mil jovens o receberam como uma estrela do rock durante uma vigília no Stade de France, ao norte de Paris.
Espera-se a presença de cerca de 600 mil fiéis neste sábado em Paris para a missa multitudinária presidida pelo papa na Praça da Concórdia e na Champs-Élysées, a partir das 13h, horário local.
A sete meses da eleição presidencial na França — crucial para a União Europeia —, vários candidatos assistirão à missa, entre eles Le Pen, mas não o atual chefe de Estado, Emmanuel Macron, cujo mandato termina em maio.
Papa Leão XIV também se interessa pelo aumento, nos últimos cinco anos, dos batismos de jovens na França, em um contexto de queda generalizada da prática religiosa; por isso, tem um encontro marcado com novos e futuros batizados neste sábado, no Instituto Católico de Paris. Após a missa multitudinária, o líder dos 1,4 bilhão de católicos no mundo voará para o santuário de Lourdes, no sul do país — que recebe três milhões de visitantes por ano —, para a segunda etapa de sua visita.
Laicidade
Em Lourdes, ele se reunirá no domingo, em caráter privado, com vítimas de abusos sexuais na Igreja e, um dia depois, Leão XIV encerrará sua viagem em Metz com um discurso sobre a paz e a União Europeia.
Mas as mensagens mais importantes foram dadas logo ao chegar à França.
Diante das autoridades francesas, Leão XIV abordou na sexta-feira, sem rodeios, a laicidade — que “não consiste em excluir a religião do espaço público” —, os perigos da inteligência artificial e a eutanásia.
Em particular, condenou “as manipulações genéticas, a gestação de substituição, a compra de órgãos” e “a oferta de uma morte programada”, e defendeu o “direito à vida” como fundamento dos direitos humanos, em uma crítica ao governo francês.
A França foi o primeiro país a incluir a “liberdade garantida” de abortar em sua Constituição, em 2024, e, em julho, aprovou o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em determinados casos.
Esta visita mobiliza um forte esquema de segurança com 15 mil policiais e gendarmes e custará 27 milhões de euros (cerca de 30 milhões de dólares).

Papa Leão XIV se reúne com migrantes antes de missa na Champs-Élysées, em Paris: 'dignidade e paz'