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novembro 4, 2026
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Da Espanha a China, líderes mundiais reagem a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato dos EUA

Por · novembro 4, 2026


A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato está sendo comentada por diversos líderes políticos ao redor do mundo. Na terça-feira, milhões de eleitores americanos foram às urnas nos Estados Unidos para eleger seus representantes nas 435 cadeiras da Casa, dando a vitória para os democratas. Com isso, os democratas terão mais poderes para fiscalizar e investigar o governo nos dois anos restantes do mandato do presidente. Durante a apuração dos votos, quando a vitória dos democratas já estava definida, o presidente americano Donald Trump afirmou à Fox News que irá aceitar os resultados, enquanto outros políticos comentaram como a derrota do líder americano pode estar relacionado a temas como guerra na Ucrânia e a alta do petróleo.
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Nesta quarta-feira, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nas redes sociais que os eleitores dos Estados Unidos rejeitaram políticas que “empobrecem a população” e que “ontem o povo americano votou contra políticas que só servem para empobrecer as pessoas. Contra o ódio. Contra o sexismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites”.
Às vésperas das eleições espanholas, marcadas para o fim de novembro, Sánchez também citou o cenário brasileiro: “Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve na Espanha”.
As eleições gerais da Espanha foram antecipadas para 29 de novembro, após o governo não conseguir aprovar no Congresso um pacote emergencial para enfrentar a crise de moradia na Espanha, o que tem gerado protestos em diversas regiões do país. Em meio à campanha, o premier também enfrenta o impacto político da colisão entre dois trens em Urda, que deixou ao menos 69 mortos e dezenas de feridos.
De acordo com as pesquisas, pode acontecer uma vitória da direita na Espanha, ainda que sem maioria absoluta, o que a obrigaria a contar com o apoio da extrema direita para formar governo. Na noite de quarta-feira, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, um grande aliado de Sánchez, pediu demissão, uma consequência do grave acidente de trem em Toledo, em 29 de outubro.
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Já o Líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que o resultado das eleições não vai acabar com “hostilidade” contra seu país, e que é uma falácia acreditar que mudanças na política interna dos Estados Unidos vão alterar o “comportamento do sistema hegemônico”. Segundo ele, a “menor inclinação à rendição” só vai encorajar o inimigo a novas agressões. O líder iraniano também afirmou que quem tem esperanças de mudanças na atitude dos EUA contra o país está seriamente enganado.
O principal negociador iraniano nas conversas com os EUA, Mohammed Bagher Ghalibaf, enfatizou que os americanos “disseram não à guerra” ao derrotar o governo de Trump e alertou que “se o governo dos EUA trair a vontade popular para servir a financiadores e chantagistas internacionais, aprenderá que o nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo”
Na terça-feira, em entrevista à Fox News, Trump reconheceu que os resultados negativos para os candidatos republicanos ao Congresso estavam relacionados à guerra e à alta nos preços da gasolina. Mas afirmou que não se arrependia de ter atacado o país com Israel em fevereiro. À CBS News, o republicano afirmou que o conflito terminará “quando eu disser que termina”.
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O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou que o país vai aguardar os resultados finais e que “a abordagem da liderança do Partido Democrata em relação à Rússia é fortemente negativa. Não há nada de novo nisso”. Ele também enfatizou que a política externa do país, em relação à Ucrânia ou a outros países, não “se baseia em considerações de curto prazo e, naturalmente, não depende das flutuações do barômetro político em outros países.”
O secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, afirmou em uma coletiva de imprensa que independente do resultado das eleições de meio de mandato dos EUA, a aliança entre os dois países é “a pedra angular da política externa e de segurança” do país asiático. E que “à medida que a situação internacional se torna turbulenta e cada vez mais incerta, uma forte aliança entre o Japão e os EUA é essencial para maximizar os interesses nacionais do Japão e para a paz e a estabilidade na comunidade internacional.”
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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que as eleições de meio de mandato são um assunto dos Estados Unidos e que a China está disposta a continuar trabalhando com o governo americano “para manter e implementar o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, fortalecer a comunicação, administrar adequadamente as diferenças, expandir a cooperação e construir uma relação construtiva e estrategicamente estável entre a China e os EUA, baseada nos princípios do respeito, da justiça e da reciprocidade”.
‘Trump só se importa com Trump’
O Ministro das Finanças francês, Roland Lesure, disse à emissora francesa BFM que, com os resultados das eleições, Trump precisa decidir “se elevar acima da contenda; reconhecendo que mudanças são necessárias, particularmente em relação aos preços da gasolina, que afetam diretamente as pessoas; diminui seu envolvimento internacional; ou não”. E que as atitudes do presidente americano são algo que “precisaremos acompanhar de perto nos próximos dias.”
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Já o presidente do partido da oposição de extrema direita, Reunião Nacional na França, Jordan Bardella, afirmou que é preciso respeitar o veredicto das urnas. Ele também ressaltou que o segundo mandato de Trump é diferente em sua filosofia e política externa do primeiro, quando o presidente tinha ambição de tirar os Estados Unidos de conflitos globais. Segundo Bardella, intervenção americana contra o Irã afeta a economia americana e da Europa, especialmente com o aumento dos preços do petróleo e seu impacto sobre o poder de compra da população. Para o líder da oposição, há uma ligação direta entre a crise no Oriente Médio e os desafios econômicos enfrentados pelos europeus.
A co-líder do partido de extrema-direita alemão AFD, Alice Weidel, disse durante uma entrevista ao portal de notícias online alemão T-Online que Trump havia prometido aos seus eleitores que não iria seguir uma política externa intervencionista. Mas, diante dos resultados das eleições, “essa promessa quebrada agora voltou para assombrar os republicanos”.
Já a co-líder do partido de esquerda alemão, Ines Schwerdtner, afirmou que “esta é uma derrota esmagadora para a direita global”.
Bernd Lange, membro do parlamento europeu e chefe da Comissão de Comércio Internacional afirmou que a derrota foi “um golpe devastador para Trump e suas políticas. Uma grande vitória para a democracia americana. Os eleitores falaram: Trump só se importa com Trump. Agora ele está pagando o preço por isso. Nenhum grito de ‘notícias falsas’ pode mudar esses fatos.”
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Lange também perguntou se os republicanos vão continuar apoiando o Trump e pediu que “não sejamos ingênuos. Nos últimos anos, ele governou em grande parte contornando o Congresso. Um Trump enfraquecido pode se tornar mais agressivo e imprevisível. Um presidente em fim de mandato pode rapidamente se transformar em um presidente furioso. Para a União Europeia, isso representa uma oportunidade e um alerta”. Ao final, o membro do parlamento afirmou que a UE não pode viver “à mercê de Trump”.
O vice-presidente do Parlamento, Christel Schaldemose, afirmou nas redes sociais que a União Europeia deve continuar se fortalecendo e sustentando por si só.
O primeiro ministro checo Andrej Babis disse que o resultado foi esperado e que até no Texas o reduto republicano sofreu uma queda, com os democratas conquistando posições depois de décadas. Na avalição do premier, a derrota de Trump fará com que os próximos anos do governo dele sejam marcados por impeachment e vetos. Babis acrescentou ainda que espera que Trump cumpra a promessa de dar fim a guerra na Ucrânia e ajudar a resolver as tenções no Estreito de Ormuz.

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