A eleição presidencial de 2026 colocou em disputa projetos bastante diferentes para o futuro das empresas estatais. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fala em recuperar empresas privatizadas consideradas estratégicas, Flávio Bolsonaro (PL) propõe retomar o programa de desestatização, incluindo os Correios. Romeu Zema (Novo) promete vender todas as estatais, enquanto Ronlado Caiado (PSD) defende a privatização de segmentos da Petrobras. Augusto Cury (Avante) afirmou que pretende vender estatais consideradas ineficientes, e Renan Santos (Missão) defende a venda de estatais sem função estratégica.
Lula
Entre os líderes das pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a posição que vai na direção oposta à dos outros candidatos.
O programa de governo do petista atribui papel estratégico às empresas públicas, especialmente à Petrobras. A atual ministra da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos, Esther Dweck, defende que é necessário “modernizar” as estatais, e não privatizá-las.
“Enquanto o nosso projeto quer modernizar, valorizar e aumentar as entregas das empresas estatais para população brasileira, o outro projeto quer desvalorizá-las para vender a preço de banana”, publicou Dweck nas redes sociais neste domingo.
Durante a campanha, Lula criticou a privatização da BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras no segmento de distribuição de combustíveis, e defendeu a reestatização da distribuidora. O presidente também defende a reestatização da Eletrobras, privatizada durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde 2023, Lula retirou dez empresas públicas federais do programa de privatização.
Em entrevista ao Jornal Nacional no final de agosto, o presidente descartou a privatização dos Correios. Ao ser questionado sobre os resultados negativos da empresa e uma eventual privatização, o presidente respondeu:
— Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios — afirmou Lula.
Flávio Bolsonaro
Em seu programa de governo, Flávio Bolsonaro (PL) propõe a retomada do Programa Nacional de Desestatização, mas sem apresentar uma lista de empresas a serem vendidas. O documento diz que a análise será feita “caso a caso”, nos setores em que a campanha entender que “a presença do Estado deixou de fazer sentido”. O plano também prevê profissionalizar a administração das empresas que continuarem públicas.
Nas últimas semanas, a equipe econômica de Flávio voltou a levantar a possibilidade de privatizar estatais. Durante evento do Grupo Esfera na última segunda-feira, Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, afirmou que “mais de 20 estatais” poderiam ser privatizadas em uma eventual gestão de Flávio.
Entre os exemplos estão o Banco do Brasil e o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), que teve o processo de liquidação interrompido pelo governo Lula.
Sobre os Correios, Flávio Bolsonaro já afirmou que pretendia privatizar a empresa diante dos prejuízos registrados nos últimos anos. No entanto, Daniella Marques vem defendendo que a operação seria inviável e que a estatal de serviços postais precisa de uma reestruturação.
Zema
Romeu Zema (Novo) apresenta uma proposta mais abrangente em seu plano de governo e prevê a privatização das empresas estatais e a ampliação da participação privada na prestação de serviços.
Ao GLOBO, o coordenador econômico da campanha de Zema, Carlos da Costa, afirmou que uma eventual gestão do presidenciável vai privatizar o Banco do Brasil e a Petrobras para reduzir a dívida pública e viabilizar o corte de juros no Brasil. No caso da petroleira, a ideia seria vender em blocos os segmentos da empresa, como exploração, produção e refino.
Durante a campanha, Zema já havia afirmado que pretende começar com a privatização das duas estatais e destinar os recursos arrecadados a investimentos em estradas, ferrovias, hidrovias e portos.
O candidato do Novo também incluiu o BNDES entre as empresas que poderiam passar pelo processo, mas excluiu a Caixa, citando a função social do banco.
Caiado
Ronaldo Caiado (PSD) prevê forte participação de concessões em seu programa de governo, mas não estabelece uma agenda de privatização generalizada das empresas federais.
Durante a campanha, quando foi questionado sobre os prejuízos nos Correios, o candidato afirmou que privatizaria a estatal.
Segmentos da Petrobras também podem entrar na mira de uma eventual gestão do ex-governador de Goiás na Presidência. Ao ser questionado em sabatina da GloboNews, Caiado descartou a privatização integral da petroleira, mas afirmou que a exploração de gás pode ser negociada.
— Eu não uso o gás nem pra fazer amônia. Nem para usar o gás como elemento alternativo de energia. Então, este lado, a Petrobras está deixando a desejar. Agora, em relação a [exploração em] águas profundas, ela é a top no mundo hoje.
Cury
Em seu plano de governo, Augusto Cury (Avante) não propõe uma política de privatizações. Na área das estatais, o documento prevê utilizar parte dos lucros das empresas, distribuídos à União, para o financiamento de iniciativas de empreendedorismo e crédito.
Cury defendeu no início do mês que a Petrobras não deve ser privatizada e que os lucros distribuídos pela petroleira ao governo podem ser usados na concessão de crédito mais barato para pequenos negócios.
— Podemos financiar 1 milhão de microempresas por ano só com o dinheiro da Petrobras, para realizar o sonho das pessoas que não têm condições de realizar — afirmou durante sabatina da Jovem Pan.
Durante a campanha, porém, Cury passou a defender a venda de empresas públicas consideradas ineficientes.
Em setembro, declarou que “todas as estatais que não forem eficientes serão privatizadas” e apontou os Correios como uma possível candidata, caso não seja possível recuperar a situação financeira da companhia.
Segundo o candidato, um terço do valor da privatização da empresa deveria ser destinado a um fundo para os próprios funcionários dos Correios.
Renan Santos
Renan Santos (Missão) rejeita uma política de privatização generalizada. O programa de governo do candidato critica a ideia de “privatizar tudo” e defende que o Estado preserve empresas consideradas estratégicas.
Durante a campanha, Renan descartou a venda da Petrobras e da Embrapa, mas afirmou que privatizaria os Correios e outras estatais que considera sem função estratégica.
No caso da empresa postal, defende que o governo possa subsidiar rotas deficitárias mesmo após a privatização. O candidato também sustenta que a venda de ativos não deve ser usada apenas para fazer caixa e que o ajuste fiscal precisa vir de cortes de despesas e reformas estruturais.
Sobre a Petrobras, o candidato se declarou contra a privatização da petroleira, que é apontada como uma das companhias estatais estratégicas.
Da reestatização à venda de todas: o que presidenciáveis falaram sobre privatizações de estatais
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